A homenagem às mães de crianças celíacas.
Às mães que aprenderam a ler rótulos como quem tenta decifrar um exame.
Às mães que vivem em alerta.
Às mães que perguntam três vezes sobre contaminação cruzada antes de deixar o filho comer.
Às mães que já ouviram:
- “É só um pouquinho.”
- “Mas não tem gosto de trigo.”
- “Hoje pode abrir exceção.
Não. Não pode.
Porque para uma criança com doença celíaca, o glúten não é escolha alimentar.
É uma questão de saúde.
É inflamação intestinal.
É dor.
É desnutrição.
É atraso no crescimento.
É anemia.
É sofrimento silencioso.
E talvez uma das partes mais difíceis seja justamente o caminho até o diagnóstico.
Muitas famílias passam anos procurando respostas.
Estudos mostram que a doença celíaca ainda é amplamente subdiagnosticada, mesmo afetando cerca de 1% da população mundial.
Enquanto isso, mães observam filhos adoecendo sem entender exatamente por quê.
Cansaço.
Barriga inchada.
Dor.
Baixo ganho de peso.
Alterações emocionais.
Problemas gastrointestinais recorrentes.
E junto com os sintomas vem algo ainda mais doloroso:
a sensação de não serem ouvidas.
Por isso este texto também é um pedido de empatia.
Você que é médico,
nutricionista,
profissional da saúde,
professor,
diretor de escola,
merendeira,
familiar,
amigo…
Quando olhar para uma mãe de criança celíaca, entenda:
muitas vezes existe ali um pedido silencioso de socorro.
E também um pedido de alento.
Porque essa mãe já passou noites pesquisando.
Já chorou escondida.
Já levou lanche separado para festas.
Já explicou dezenas de vezes o que é contaminação cruzada.
Já sentiu medo de deixar o filho fora de casa.
Já enfrentou o sentimento de exclusão do próprio filho.
E mesmo cansada,
continua …
Continua brigando por segurança alimentar.
Continua brigando por inclusão.
Continua brigando para que o filho simplesmente possa comer sem adoecer.
Como a mãe de Araucária no Paraná que luta pelo direito do filho ter acesso a um lanche realmente seguro na escola.
Sem glúten.
Sem contaminação cruzada.
Sem risco.
Porque uma mãe vai até onde for preciso para proteger um filho.
E talvez nenhuma imagem represente tão bem isso quanto a história de Denise Godinho.
Quando seu filho recebeu o diagnóstico de alergia ao glúten, ela transformou medo em cuidado.
Pesquisa em acolhimento.
Dor em cozinha.
E, em 2014, criou mais de 100 receitas sem glúten reunidas no livro Sabor Sem Glúten.
Um gesto de amor que ajudou inúmeras famílias a reencontrarem prazer e segurança à mesa, inclusive a minha.
Porque mães de celíacos fazem isso o tempo todo:
transformam sobrevivência em afeto.
Neste Dia das Mães, nossa homenagem é para essas mulheres que aprenderam a lutar em silêncio.
Que carregam culpa sem ter culpa.
Que enfrentam desinformação diariamente.
E que, mesmo exaustas, continuam sendo porto seguro.
Vocês merecem mais do que flores.
Merecem escuta.
Respeito.
Diagnóstico precoce.
Segurança alimentar.
Inclusão.
E empatia.
Principalmente empatia.










