Uma Jornada de Superação e Saúde: Descobrindo e Convivendo com a Doença Celíaca.
Olá! Meu nome é Andréa Farias, mas pode me chamar de Déa Farias. É assim que as pessoas próximas me chamam, e eu adoro. Nasci no interior de Santa Catarina, filha de um dono de oficina de pintura de carros e de uma professora do ensino público. Desde cedo, minha vida foi marcada por diversos problemas de saúde, e acredito que minha trajetória pode ajudar muitas pessoas que enfrentam desafios semelhantes.
Uma Infância Repleta de Desafios
Desde muito nova, precisei lidar com várias doenças. Aos 2 anos, fui diagnosticada com bronquite asmática aguda e desvio de septo nasal. Meus pais tentaram de tudo, desde consultas médicas na capital do estado até tratamentos alternativos. Lembro que eles me contavam das caminhadas matinais na ponte da cidade para aproveitar a névoa, na esperança de melhorar minha respiração.
É admirável a força de um pai e de uma mãe em busca de tratamento e cura para seus filhos. Mas foi uma benzedeira que, com uma simpatia simples com fubá aquecido no meu peito que trouxe alívio para minha condição. A fé e a dedicação dos meus pais foram fundamentais nessa jornada. Tem uma frase que diz: “A prece de uma mãe arrebenta as portas do céu.” Eu acredito.
No entanto, o uso contínuo de tantos medicamentos enfraqueceu meus dentes. É sabido que todo medicamento pode ter efeitos adversos, muitas vezes irreversíveis, basta ler as bulas. Lembro-me de uma visita ao dentista onde fui diagnosticada com 12 cáries, enquanto meu irmão, que tinha os mesmos hábitos alimentares e de higiene bucal que eu, raramente tinha problemas dentários. Isso sempre me deixou indignada, mas tenho todos os dentes e eles são bem bonitos, então hoje, sou feliz e resolvida com este fato. Hoje sei que ter problemas nos dentes é mais uma das consequências da doença celíaca.
Além disso, sofri com inúmeras dores de ouvido e de garganta, muitas vezes acompanhadas de febres altas. Minha rinite alérgica era constante, e, para piorar, eu era muito magra e anêmica. Minha mãe fazia o possível para combater minha deficiência de ferro: preparava refeições em panela de ferro e me fazia comer bifes de fígado, que hoje não suporto nem ver.
Pré-adolescência e Mudança para Curitiba
Com o passar dos anos, continuei enfrentando desafios. Mudamos para Curitiba, e as doenças me acompanharam. A umidade e o pólen da capital do Paraná agravaram minha rinite alérgica. Com a imunidade sempre muito baixa, monitorada por exames constantes, a anemia estava sempre presente.
Mesmo assim, minha mãe nunca desistiu de mim, continuei comendo muito bife de fígado e feijão. Ainda incentivou-me a praticar esportes como balé, natação e voleibol, o que ajudou a melhorar minha resistência e resiliência. A prática de esportes foi um divisor de águas na minha saúde, reduzindo a frequência das doenças e recaídas imunológicas.
Vida Adulta e Carreira em São Paulo
Em 2002, fui transferida para São Paulo para trabalhar na Telesp Celular, lançando a marca Vivo em 2003. Apesar das preocupações da minha mãe com a poluição, minha rinite desapareceu, o clima não é tão úmido, nem tem tanto pólen. Adotei uma alimentação mais saudável, eliminando cigarro, refrigerantes e reduzindo o consumo de carne vermelha até parar de comer totalmente. Essas mudanças melhoraram significativamente minha disposição e saúde geral.
Minha vida profissional sempre foi muito agitada. Como executiva, minha rotina era repleta de reuniões, apresentações, viagens incessantes e uma agenda de trabalho bastante exaustiva. Contudo, uma alimentação saudável, elaborada por nutricionistas, e a prática regular de esportes me mantinham forte e ativa. Sentia-me realizada e feliz, gerindo um dos maiores budgets de marketing do país e desenvolvendo campanhas publicitárias premiadas e com grandes resultados.
Em 2008, fui convidada para trabalhar no Santander, assumindo o marketing e a comunicação da área de universidades.

Novamente, minha agenda se mostrou dinâmica e também repleta de realizações e propósito.
Entretanto, durante exames de rotina, minha tireoide revelou taxas extremamente elevadas e inflamação severa. Minha ginecologista na época explicou que não havia cura, ainda não era hora de tomar remédios, mas recomendou que eu procurasse um endocrinologista.
Refleti sobre o assunto, mas o tempo era escasso. Estava no meio do ano, com projetos gigantescos em andamento e uma viagem internacional de estudos marcada para o final de julho, com retorno previsto para setembro eu estava indo estudar na Universidade de Oxford.
Após, adiar a decisão de consultar um endocrino por um tempo, estava lendo a Revista Veja e vi uma publicidade do Hospital Einstein sobre a importância dos exames da tireoide e as doenças relacionadas. Foi a primeira vez que ouvi falar da Doença Celíaca. Antes de viajar, marquei uma consulta com um endocrinologista, mesmo sabendo que a primeira vaga disponível seria em três meses, o que coincidia com o meu retorno, perfeito então.
No entanto, antes da viagem, comecei a experimentar mudanças alarmantes: engordava e emagrecia rapidamente, tinha dificuldades para dormir, sentia um cansaço constante, minha mente não estava tão focada como antes, e sofria de tristeza, alterações de humor, cólicas estomacais frequentes que me faziam suar frio, unhas quebradiças e queda de cabelo. Todos esses sintomas me assustavam e indicavam que algo estava seriamente errado.
No dia do embarque, tive uma crise de choro intensa e uma tristeza profunda, algo definitivamente anormal para minha personalidade, totalmente energética. Estava indo para um país incrível, para estudar marketing digital em uma das melhores universidades do mundo. Por que, então, estava me sentindo assim? Mas segui da melhor maneira que pude, viajei, estudei, me diverti e me formei!

O Diagnóstico de Doença Celíaca
Ao voltar da viagem, finalmente fiz a consulta e apresentei meus exames. Logo nas primeiras perguntas, o médico me disse: “Você parece ter uma doença ainda pouco conhecida no Brasil, difícil de diagnosticar, mas que agora pode ser facilmente confirmada com novos exames.”
Uma informação adicional que descobri pesquisando a respeito: o protocolo médico recomenda considerar seriamente a doença celíaca em pacientes com deficiência de ferro sem sangramento gastrointestinal evidente, exame que nenhum médico tinha solicitado até aquela consulta.
Então, fiz uma série de exames, incluindo a famosa biópsia do intestino delgado, conforme as diretrizes da American College of Gastroenterology para diagnóstico e manejo da doença celíaca.
Os resultados confirmaram: eu tinha doença celíaca, meu mundo desabou!
Depois de tudo que já tinha enfrentado na vida, agora eu tinha uma condição que me impedia de comer muitos dos alimentos que eu amava. Como uma descendente de italianos poderia abrir mão do pão e da massa? Era um dos maiores desafios que eu já havia enfrentado até então.
Em 2016 fui diagnosticada com câncer profundo na mama direita, no entanto este é outro assunto que deixarei para falar mais a frente. Porém, tenho certeza e lendo alguns estudos que cofirmam, os exercícios e a alimentação anti-inflamatória fez toda a diferença no meu tratamento.
Enfrentando a Realidade Celíaca
É importante destacar que, quando você escolhe seguir um regime ou dieta, você opta por não comer certos alimentos ou reduzir sua ingestão. No meu caso, eu não tinha essa opção: nunca mais poderia consumir determinados alimentos pelo resto da minha vida! E este fato dói muito, não vou negar.
Como eu poderia viver sem a lasanha de frango da minha mãe, feita com aquela massa bem fininha na máquina que era da minha avó? Ou sem a sopa de agnolini, uma tradição na família da minha mãe, e sem o delicioso bolo de cenoura com cobertura de chocolate no café da manhã na casa da minha mãe quando eu ia visitá-la? Era um desafio enorme para mim, pois são comidas afetivas.
Como não existe cura para a doença celíaca e a única solução é uma dieta isenta de glúten, o médico me recomendou uma nutricionista especializada em dietas restritivas. E lá fui eu novamente.
Portanto, marquei a consulta e adorei a nutricionista de cara, muito importante você ter identificação e confiança com o médico que cuida da sua saúde. Durante a consulta, a nutricionista de cara me tranquilizou, dizendo que não era o fim do mundo, que eu já tinha uma alimentação saudável e que me adaptaria rapidamente ao cardápio que ela planejou, complementado com suplementos de vitaminas e minerais manipulados. Ela também retirou todo o leite e seus derivados da minha dieta, pois meu corpo estava extremamente inflamado.
Pouco depois, fui diagnosticada como intolerante à lactose, algo muito comum entre celíacos. Naquela época, não havia muitas opções de produtos sem glúten e sem lactose no Brasil. Tudo que eu aprendia vinha de literatura e receitas estrangeiras. Quando viajava para fora, seja a trabalho ou a lazer, uma mala era reservada para roupas e a outra para comidinhas sem glúten e sem lactose. Tive que aprender a mudar ainda mais minha alimentação. Se quisesse pão ou bolo, precisava aprender a fazer tudo sem glúten e sem lactose.
Infelizmente, também tive que me acostumar com as pessoas tirando sarro de mim, achando que era frescura minha ou alguma dieta da moda. Mal sabem elas que essa doença pode levar à morte, além de causar outras doenças graves, incluindo depressão, demência e câncer. Mas eu nunca desejei mal para elas.
Até hoje, minha doença é frequentemente subestimada, e poucas pessoas compreendem a dor intensa causada pela ingestão de glúten ou até mesmo pela contaminação cruzada quando nos alimentamos fora de casa.
Há quase 10 anos atuo como diretora de marketing no segmento farmacêutico, que foi um divisor de águas para entender tudo que envolve o ecossistema de saúde, desde como fazer o relacionamento com os médicos, acolhimento de pacientes, a formulação e lançamento de medicamentos e de suplementos, como fazer e interpretar pesquisas científicas, elaborar materiais para médicos e pacientes, e muito mais.
O Nascimento do Eu Celíaca
Criar o site e as redes sociais do Eu Celíaca foi minha forma de compartilhar minha jornada, meus erros e acertos, e de alguma forma poder ajudar outras pessoas a enfrentar a doença celíaca, as doenças crônicas inflamatórias e as restrições alimentares. Como propósito quero oferecer um ponto de apoio e informação confiável, baseado em experiências pessoais e em estudos científicos, suportado por médicos e especialistas.
Sejam bem-vindos ao meu mundo celíaco! Espero de coração que minhas histórias e aprendizados possam ajudar a todos que enfrentam essa condição. Juntos, podemos tornar a vida sem glúten mais leve e saudável.
Déa Farias
- Empreendedora, Jornalista, Pesquisadora, Marketeira de Paixão e Formação e que em 2012 foi diagnosticada com a Doença Celíaca.
- Formada em Administração com Pós-graduação em Marketing, com especializações pela FGV em Comunicação com o Mercado, Empreendedorismo pela Babson College, Marketing Digital pela University of Oxford, SEO por Neil Patel da NPBR, Inteligência Artificial pela Exame e StartSe, Gestão de Pessoas pela Mackenzie e dentre outras especializações.+17 anos de experiência em marketing e comunicação
- Ganhadora dos prêmios Caboré, Brand Awards e tantos outros.Ghostwriter de médicos e empresas farmacêuticas com mais de 20 e-books lançados, mais de 1000 artigos publicados, criação de um site de saúde e de coaching, que se tornaram líderes em seus segmentos.
- Mãe da Valentina e da Paris, tia do Diego e do Felipe.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo.As informações apresentadas neste artigonão substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada.A autora compartilha sua experiência pessoal como celíaca, pesquisa baseada em fontes científicas e experiência na indústria farmacêutica. Caso você suspeite de doença celíaca, sensibilidade ao glúten ou qualquer condição relacionada, procure um gastroenterologista ou outro especialista qualificado.Nunca retire o glúten da alimentação antes de realizar os exames diagnósticos— isso pode invalidar os resultados sorológicos e dificultar o diagnóstico. Produtos mencionados neste artigo não constituem endosso comercial. Sempre consulte seu médico, gastroenterologista, ginecologista, endocrinologista ou nutricionista antes de iniciar qualquer suplementação, terapia hormonal ou mudança no protocolo de tratamento. Cada paciente é única, e as condutas devem ser individualizadas por profissionais habilitados. O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Todo o conteúdo é produzido de forma independente, com base em fontes científicas verificadas, com o único objetivo de apoiar a comunidade celíaca.
© Eu Celíaca Oficial. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original.






