Iniciativa inédita em Arapongas une faculdade, hospital e prefeitura para ampliar diagnóstico e conscientização sobre a doença celíaca.
Enquanto milhares de brasileiros convivem com sintomas sem saber que têm doença celíaca, uma iniciativa lançada em Arapongas, no Norte do Paraná, busca mudar essa realidade.
A Faculdade HONPAR iniciou uma campanha de recrutamento de voluntários com suspeita de intolerância ao glúten ou diagnóstico confirmado de doença celíaca. Os participantes poderão integrar uma pesquisa acadêmica e receber atendimento e acompanhamento gratuitos por meio da estrutura hospitalar ligada à instituição.
A ação faz parte do Maio Verde, movimento de conscientização sobre a doença celíaca, e conta com apoio da Prefeitura de Arapongas. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a doença, estimular o diagnóstico precoce e aproximar pacientes dos serviços de saúde e pesquisa.
Uma doença ainda subdiagnosticada
A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão do glúten, proteína presente no trigo, centeio e cevada. Quando uma pessoa geneticamente predisposta consome glúten, o sistema imunológico passa a atacar o próprio intestino delgado, provocando inflamação, má absorção de nutrientes e diversas complicações de saúde.
Apesar de afetar cerca de 1% da população mundial, especialistas estimam que uma parcela significativa dos casos ainda permanece sem diagnóstico.
Isso ocorre porque os sintomas nem sempre são clássicos.
Além de diarreia, dor abdominal e perda de peso, a doença pode se manifestar por:
- anemia persistente;
- fadiga crônica;
- aftas recorrentes;
- osteopenia e osteoporose;
- infertilidade;
- alterações neurológicas;
- ansiedade e depressão;
- doenças autoimunes associadas.
Segundo a própria campanha da Faculdade HONPAR, pessoas com dores abdominais frequentes, desconforto gastrointestinal persistente, anemia sem causa definida, fadiga ou perda de peso são potenciais candidatos para investigação da doença celíaca.
Pesquisa, assistência e educação em saúde
Um dos diferenciais da iniciativa é justamente integrar diferentes frentes.
Além do recrutamento de participantes para pesquisa científica, a ação também tem caráter assistencial e educativo. A faculdade afirma que pretende ampliar o acesso à informação sobre o tratamento, que exige dieta rigorosamente sem glúten e cuidados permanentes com a contaminação cruzada.
A proposta também aproxima estudantes da área da saúde de uma condição ainda pouco abordada durante a formação acadêmica, fortalecendo o contato com pacientes reais e com desafios relacionados à segurança alimentar e qualidade de vida.
Parceria com a prefeitura fortalece a iniciativa
A campanha ocorre em um momento de maior integração entre a Faculdade HONPAR e o município.
Recentemente, a instituição e a Prefeitura de Arapongas formalizaram um Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino-Saúde (COAPES), mecanismo previsto pelo Ministério da Saúde para fortalecer a relação entre instituições de ensino e a rede pública de saúde.
Na prática, a parceria amplia a utilização de unidades de saúde como cenários de ensino, pesquisa e assistência, aproximando a população dos serviços oferecidos pela faculdade e permitindo o desenvolvimento de projetos voltados às necessidades locais.
Por que iniciativas como essa são importantes para os celíacos?
A doença celíaca continua sendo uma das condições mais subdiagnosticadas da gastroenterologia.
Muitos pacientes levam anos para receber um diagnóstico correto. Nesse período, convivem com sintomas persistentes, carências nutricionais, perda de qualidade de vida e risco aumentado para diversas complicações.
Projetos que aproximam pesquisa, assistência médica e conscientização pública podem reduzir esse atraso diagnóstico e contribuir para que mais pessoas recebam orientação adequada antes que os danos provocados pelo glúten se tornem permanentes.
Além disso, iniciativas como a de Arapongas ajudam a dar visibilidade a uma comunidade que frequentemente enfrenta dificuldades relacionadas ao acesso à alimentação segura, inclusão social e reconhecimento da gravidade da doença.
Um modelo que poderia inspirar outras cidades
Embora campanhas de conscientização sobre a doença celíaca sejam relativamente comuns durante o Maio Verde, ações que combinam recrutamento de pacientes, pesquisa científica, assistência gratuita e participação do poder público ainda são raras no Brasil.
Por isso, a experiência de Arapongas chama atenção não apenas pelo benefício direto aos participantes, mas também pelo potencial de servir como modelo para outras cidades interessadas em fortalecer o diagnóstico precoce e a atenção às pessoas com doença celíaca.
Como participar da pesquisa
Pessoas que apresentam sintomas compatíveis com doença celíaca ou suspeita de intolerância ao glúten podem participar do estudo conduzido pela Faculdade HONPAR, em Arapongas (PR).
Segundo a instituição, podem se candidatar indivíduos com sintomas como dor abdominal frequente, diarreia crônica, distensão abdominal, anemia sem causa definida, fadiga persistente, perda de peso inexplicada ou que já possuam diagnóstico de doença celíaca e desejem contribuir com a pesquisa.
Os interessados devem entrar em contato com a equipe da Faculdade HONPAR para obter informações sobre critérios de inclusão, agendamento e etapas do estudo:
Faculdade HONPAR
📍 Arapongas (PR)
📞 Telefone: (43) 3303-7000
📧 E-mail: pesquisa@faculdadehonpar.edu.br
🌐 Site: https://faculdadehonpar.edu.br/
A coordenação da ação é realizada por professores e pesquisadores vinculados aos cursos da área da saúde da Faculdade HONPAR, em parceria com o Hospital Norte Paranaense (HONPAR) e com apoio da Prefeitura de Arapongas.
Referências Científicas e Fontes
- Faculdade HONPAR – ação Maio Verde e recrutamento de voluntários
- Folha de Londrina – Faculdade busca voluntários com suspeita de intolerância ao glúten
- Faculdade HONPAR
- Prefeitura de Arapongas e Faculdade HONPAR firmam cooperação em saúde (COAPES)
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. As informações apresentadas neste artigo não substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada.
Produtos mencionados neste artigo não constituem endosso comercial. Tão pouco há endosso político/partidário. Consulte sempre o rótulo para identificar a isenção de glúten.
Caso você suspeite de doença celíaca, sensibilidade ao glúten ou qualquer condição relacionada, procure um profissional especialista qualificado, mesmo antes de iniciar qualquer medicamento, suplementação ou mudança no protocolo de tratamento. Cada paciente é único, e as condutas devem ser individualizadas por profissionais habilitados e especializados. Nunca retire o glúten da alimentação antes de realizar os exames diagnósticos — isso pode invalidar os resultados sorológicos e dificultar o diagnóstico.
O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Todo o conteúdo é produzido de forma independente, com base em fontes científicas verificadas, com o único objetivo de apoiar a comunidade celíaca.
Andréa Farias é celíaca diagnosticada desde 2012, empreendedora, jornalista, pesquisadora e fundadora do Eu Celíaca. A autora compartilha sua experiência pessoal como celíaca, pesquisas baseada em fontes científicas, experiência na indústria farmacêutica e relacionamento direto com médicos, nutricionistas, pesquisadores e farmacêuticos.
Eu Celíaca©. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original.











