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Mato Grosso proíbe ultraprocessados nas cantinas escolares e reforça movimento por alimentação mais saudável nas escolas

ultraprocessados nas escolas

Nova regulamentação restringe refrigerantes, salgadinhos, balas e outros ultraprocessados nas escolas estaduais. Medida acompanha recomendações científicas que associam esses produtos ao aumento da obesidade, diabetes e doenças crônicas.

O estado de Mato Grosso deu um passo importante na promoção da alimentação saudável ao estabelecer novas regras para as cantinas das escolas estaduais. A medida prevê restrições significativas à comercialização de alimentos ultraprocessados e incentiva a oferta de opções mais nutritivas para crianças e adolescentes.

A mudança acompanha uma tendência observada em diferentes regiões do Brasil e do mundo, impulsionada por evidências científicas cada vez mais robustas sobre os impactos negativos dos ultraprocessados na saúde.

Para especialistas em nutrição e saúde pública, a iniciativa pode representar um avanço relevante na prevenção da obesidade infantil, diabetes tipo 2, hipertensão e outras doenças crônicas que vêm crescendo entre crianças e adolescentes.

 

 

O que muda nas cantinas escolares de Mato Grosso?

As novas regras determinam restrições à venda de diversos produtos ultraprocessados dentro das unidades da rede estadual de ensino.

Entre os alimentos que passam a sofrer limitações ou proibição estão:

  • refrigerantes;
  • bebidas açucaradas;
  • salgadinhos industrializados;
  • balas;
  • chicletes;
  • pirulitos;
  • biscoitos recheados;
  • guloseimas com alto teor de açúcar;
  • produtos com excesso de sódio, gordura e aditivos artificiais.

Por outro lado, a regulamentação incentiva a comercialização de alimentos in natura e minimamente processados, como:

  • frutas;
  • sucos naturais;
  • sanduíches preparados com ingredientes frescos;
  • preparações caseiras;
  •  alimentos com melhor perfil nutricional.

O objetivo é tornar o ambiente escolar mais alinhado às recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde.

 

 

O que são alimentos ultraprocessados?

Segundo a classificação NOVA, desenvolvida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e adotada internacionalmente, ultraprocessados são formulações industriais produzidas a partir de ingredientes refinados, substâncias extraídas de alimentos e aditivos utilizados para modificar sabor, textura, cor e durabilidade.

Entre os exemplos mais comuns estão:

Ultraprocessados Exemplos
Bebidas açucaradas Refrigerantes, energéticos, refrescos artificiais
Snacks Salgadinhos de pacote
Doces industrializados Balas, chicletes, pirulitos
Produtos de panificação industrial Bolinhos prontos, biscoitos recheados
Alimentos prontos Macarrão instantâneo, refeições congeladas

Diversos estudos associam o consumo frequente desses produtos ao aumento do risco de:

  • obesidade;
  • diabetes tipo 2;
  • hipertensão;
  • doenças cardiovasculares;
  • alguns tipos de câncer;
  • mortalidade precoce.

 

 

O que dizem as pesquisas?

O crescimento do consumo de ultraprocessados tem preocupado pesquisadores no mundo todo.

Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), envolvendo mais de 100 mil adultos franceses acompanhados por cerca de oito anos, observou que cada aumento de 10% na participação de ultraprocessados na dieta esteve associado a aumento significativo do risco de câncer.

Outra revisão sistemática publicada em 2024 no The BMJ analisou dezenas de estudos e encontrou associação entre maior consumo de ultraprocessados e aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade e mortalidade por todas as causas.

No Brasil, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) mostram que os ultraprocessados já representam cerca de 20% das calorias consumidas pelos brasileiros, percentual que cresce entre crianças e adolescentes.

 

 

 

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Por que a escola é um ambiente estratégico?

Especialistas apontam que hábitos alimentares são formados principalmente durante a infância e adolescência.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade infantil tornou-se uma das principais preocupações de saúde pública do século XXI.

Dados da OMS indicam que mais de 390 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos estavam acima do peso em 2022, incluindo mais de 160 milhões vivendo com obesidade.

Nesse contexto, o ambiente escolar é considerado fundamental para a construção de hábitos saudáveis.

Ao limitar a oferta de ultraprocessados, as escolas podem reduzir a exposição diária dos estudantes a produtos ricos em açúcar, sódio e gorduras de baixa qualidade nutricional.

 

 

O impacto para crianças com doença celíaca

Embora a nova regulamentação não tenha sido criada especificamente para atender estudantes com doença celíaca, ela pode trazer benefícios indiretos para esse grupo.

Isso porque muitos produtos industrializados sem glúten disponíveis no mercado também são ultraprocessados e frequentemente apresentam:

  • excesso de açúcar;
  • excesso de gordura;
  • baixo teor de fibras;
  • menor densidade nutricional.

Especialistas vêm alertando que retirar o glúten não significa automaticamente ter uma alimentação saudável.

A qualidade nutricional dos alimentos continua sendo um fator essencial para a saúde intestinal, metabólica e cardiovascular.

A iniciativa de Mato Grosso reforça justamente essa discussão: o foco não deve ser apenas a ausência de determinados ingredientes, mas a qualidade global da alimentação oferecida às crianças.

 

 

Um movimento que cresce no Brasil

A decisão de Mato Grosso se soma a outras iniciativas recentes voltadas à alimentação especial e saudável.

Nos últimos meses, estados e municípios brasileiros avançaram em medidas relacionadas à segurança alimentar, alimentação especial para estudantes com restrições alimentares e melhoria da qualidade nutricional das refeições escolares.

Especialistas avaliam que essas ações refletem uma mudança gradual na forma como políticas públicas enxergam a alimentação: não apenas como fornecimento de calorias, mas como ferramenta de promoção da saúde e prevenção de doenças.

 

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Conclusão

A restrição aos ultraprocessados nas cantinas das escolas estaduais de Mato Grosso representa mais do que uma mudança de cardápio.

A medida acompanha evidências científicas acumuladas ao longo das últimas décadas e reforça a importância de ambientes alimentares mais saudáveis para crianças e adolescentes.

Para estudantes com ou sem restrições alimentares, o recado é o mesmo: uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados continua sendo uma das estratégias mais eficazes para promover saúde, prevenir doenças e construir hábitos que podem durar toda a vida.

 

 

Referências Científicas e Fontes

  1. O Mato Grosso. Cantinas das escolas estaduais terão novas regras e alimentos ultraprocessados serão proibidos.
  2. Olhar Direto. Cantinas escolares de MT terão novas regras e restrições a alimentos ultraprocessados.
  3. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª edição. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.
  4. Monteiro CA, Cannon G, Levy RB, Moubarac JC, Louzada MLC, Rauber F, et al. Ultra-processed foods: what they are and how to identify them. Public Health Nutr. 2019;22(5):936-941.
  5. Fiolet T, Srour B, Sellem L, Kesse-Guyot E, Allès B, Méjean C, et al. Consumption of ultra-processed foods and cancer risk: results from NutriNet-Santé prospective cohort. BMJ. 2018;360:k322.
  6. Lane MM, Gamage E, Du S, Ashtree DN, McGuinness AJ, Gauci S, et al. Ultra-processed food exposure and adverse health outcomes: umbrella review of epidemiological meta-analyses. BMJ. 2024;384:e077310.
  7. Organização Mundial da Saúde (OMS). Obesity and overweight. 

 

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. As informações apresentadas neste artigo não substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada.  

Produtos mencionados neste artigo não constituem endosso comercial. Tão pouco há endosso político/partidário. Consulte sempre o rótulo para identificar a isenção de glúten. 

Caso você suspeite de doença celíaca, sensibilidade ao glúten ou qualquer condição relacionada, procure um profissional especialista qualificado, mesmo antes de iniciar qualquer medicamento, suplementação ou mudança no protocolo de tratamento. Cada paciente é único, e as condutas devem ser individualizadas por profissionais habilitados e especializados. Nunca retire o glúten da alimentação antes de realizar os exames diagnósticos — isso pode invalidar os resultados sorológicos e dificultar o diagnóstico.

O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Todo o conteúdo é produzido de forma independente, com base em fontes científicas verificadas, com o único objetivo de apoiar a comunidade celíaca.

Andréa Farias é celíaca diagnosticada desde 2012, empreendedora, jornalista, pesquisadora e fundadora do Eu Celíaca. A autora compartilha sua experiência pessoal como celíaca, pesquisas baseada em fontes científicas, experiência na indústria farmacêutica e relacionamento direto com médicos, nutricionistas, pesquisadores e farmacêuticos.

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