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O que é o trigo? História, modificações genéticas e o que a ciência diz sobre riscos e benefícios

Trigo

O trigo vive entre dois extremos. De um lado, dietas da moda o tratam como veneno moderno — “trigo de hoje não é o mesmo dos nossos avós”, “foi modificado geneticamente para causar doença”.

Do outro, diretrizes nutricionais o colocam como base de uma alimentação saudável, fonte de fibra e associado a menos risco de diabetes e doença cardiovascular.

Para quem tem doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não celíaca, esse ruído todo dificulta ainda mais entender o que realmente está em jogo.

Este artigo reúne o que a ciência genética, a história agrícola e a pesquisa em nutrição já estabeleceram sobre o trigo — sem black-and-white, com o que os dados efetivamente mostram.

 

 

Resposta rápida

O trigo é um cereal domesticado há cerca de 10 mil anos, resultado de dois eventos naturais de hibridização entre gramíneas selvagens que geraram, primeiro, o trigo emmer e, depois, o trigo comum (hexaploide) que dominou a panificação mundial.

Ao contrário do que dizem alguns mitos populares, pesquisas comparando trigo antigo e moderno não encontraram aumento consistente no teor de glúten causado pelo melhoramento genético do século XX — a mudança real observada em alguns estudos foi no perfil de outras proteínas do trigo, como as ATIs.

Para a maior parte da população, o trigo integral está associado a benefícios de saúde bem documentados, como menor risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Para quem tem doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não celíaca, no entanto, o trigo — independentemente da variedade — deve ser evitado ou controlado conforme orientação médica.

 

 

O que é o trigo, biologicamente

O trigo é uma gramínea do gênero Triticum, cultivada por suas sementes (os grãos), que são moídas para produzir farinha. Existem diferentes espécies de trigo, com números diferentes de conjuntos de cromossomos:

  • Diploide (dois conjuntos de cromossomos): o einkorn, uma das primeiras formas domesticadas.
  • Tetraploide (quatro conjuntos): o trigo emmer e o trigo durum, usado até hoje para massas
  • Hexaploide (seis conjuntos): o trigo comum ou trigo-pão (Triticum aestivum), usado na maior parte dos pães e produtos de panificação do mundo.

Essa diferença no número de cromossomos não é um detalhe técnico qualquer — ela é resultado de um processo evolutivo específico que explica boa parte do que se discute sobre o trigo hoje.

 

 

A história do trigo: de grama selvagem a alimento global

O trigo hexaploide, o mais consumido atualmente, não existia na natureza. Ele surgiu de dois eventos de hibridização natural:

  1. Há cerca de 500 mil anos, duas gramíneas selvagens diferentes se cruzaram e, por duplicação genética espontânea, geraram o trigo emmer selvagem — um trigo tetraploide.
  2. Há aproximadamente 8 a 10 mil anos, o trigo emmer já domesticado se cruzou com outra gramínea selvagem, a Aegilops tauschii, gerando o trigo hexaploide — o ancestral direto do trigo-pão moderno.

Evidências genéticas e arqueológicas recentes apontam a região do Cáucaso Sul, na atual Geórgia, como um dos primeiros centros de domesticação do trigo-pão, há cerca de 8 mil anos. A partir daí, o cultivo se espalhou pelo Crescente Fértil, chegou ao Egito — onde surgiu uma das primeiras produções de pão em larga escala da história — e, ao longo de milênios, se disseminou pela Europa, Ásia e, mais tarde, pelo restante do mundo.

Ao longo desse processo, agricultores selecionaram plantas com características desejáveis: grãos maiores, mais fáceis de debulhar, e espigas que não se quebravam sozinhas antes da colheita. Essa seleção, feita empiricamente ao longo de milhares de anos — muito antes de existir o conceito de melhoramento genético formal —, já mudava a composição do grão.

 

 

O trigo moderno tem mais glúten que o trigo antigo? O que a ciência encontrou

Essa é, provavelmente, a alegação mais repetida contra o trigo moderno: a ideia de que o melhoramento genético do século XX aumentou artificialmente o teor de glúten, tornando o trigo atual mais inflamatório do que o consumido por gerações passadas.

A pesquisa científica não sustenta essa alegação da forma como ela costuma ser divulgada — mas o quadro é mais nuançado do que um simples “não mudou nada”.

Um estudo de referência publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry, revisando dados históricos de teor de proteína do trigo ao longo de décadas de melhoramento genético, não encontrou tendência consistente de aumento no teor de glúten atribuível à seleção de variedades modernas.

Um segundo estudo, mais recente e mais detalhado, conduzido pelo Instituto Leibniz de Biologia de Sistemas Alimentares (Alemanha) em parceria com o Instituto Leibniz de Genética Vegetal, analisou 60 cultivares de trigo registradas entre 1891 e 2010. O resultado confirma que o teor total de glúten não mudou de forma relevante nesse período — mas a composição interna do glúten, sim: a proporção de gliadinas caiu cerca de 18%, enquanto a proporção de gluteninas subiu cerca de 25%. 

Os próprios pesquisadores, porém, destacam dois pontos importantes: as condições ambientais da safra (como o volume de chuva no ano da colheita) tiveram impacto maior sobre essa composição do que a própria seleção genética, e a equipe não encontrou evidência de que essa mudança de proporção tenha aumentado o potencial imunorreativo do trigo moderno em comparação com o antigo.

Um terceiro estudo, comparando proteínas de cultivares antigas (como einkorn e spelta) e modernas em testes com células imunológicas humanas, também não encontrou correlação entre a idade da cultivar e o grau de estímulo inflamatório. Em linguagem simples: o trigo moderno não tem mais glúten do que o antigo — mas tem uma proporção diferente entre os dois tipos principais de proteína do glúten (mais glutenina, menos gliadina), uma mudança real e mensurável, cuja relevância clínica ainda não foi comprovada.

A narrativa de que “o trigo de antigamente não fazia mal, e o de hoje sim, porque tem mais glúten” não encontra respaldo consistente na literatura científica revisada por pares — mas isso não significa que o trigo moderno seja geneticamente idêntico ao antigo em todos os aspectos, como a próxima seção mostra.

Vale um esclarecimento importante aqui: essa discussão sobre proporção entre gliadina e glutenina é sobre composição do trigo, não sobre o dano que essas proteínas causam no organismo — esse é um debate diferente.

A ciência já demonstra, com bastante solidez, que tanto a gliadina quanto a glutenina são reconhecidas como ameaça pelo sistema imunológico de pessoas com doença celíaca: a gliadina é a mais estudada e está ligada ao aumento da permeabilidade intestinal por meio da liberação de zonulina, mas a glutenina, quando processada da mesma forma no intestino, também é reconhecida por células de defesa em boa parte dos pacientes celíacos — o que descarta a ideia de que a glutenina seria a fração “segura” do glúten.

Fora da doença celíaca, contudo, a evidência de dano direto dessas proteínas ainda é mais limitada e depende de fatores individuais, como veremos na seção de riscos à saúde.

Para se aprofundar nos mecanismos de dano: Gliadina e glutenina: o que a ciência realmente mostra sobre os danos dessas proteínas do glúten

 

 

O que realmente mudou no trigo moderno

Isso não significa que nada mudou. Algumas transformações reais e documentadas incluem:

  • Maior produtividade por área plantada, resultado direto do melhoramento genético do século XX, incluindo variedades de porte mais baixo (menos suscetíveis a tombar com o vento e a chuva), desenvolvidas a partir da chamada Revolução Verde.
  • Maior atividade biológica de ATIs (inibidores de amilase-tripsina) em algumas variedades modernas em comparação com variedades antigas, segundo um estudo publicado na Gastroenterology em 2017 — um achado diferente e independente da questão do glúten, já que as ATIs são proteínas distintas.
  • Seleção voltada para qualidade de panificação, priorizando propriedades como elasticidade da massa, o que depende da composição específica das proteínas do glúten (gliadinas e gluteninas), não necessariamente da quantidade total delas.

Para se aprofundar no papel das ATIs na inflamação intestinal: ATIs do trigo: a proteína que pode causar inflamação mesmo sem ter glúten no radar

 

 

O trigo transgênico e a edição genética: o que existe de fato, hoje

Enquanto a discussão sobre gliadina e glutenina é, em boa parte, uma questão de composição de proteínas dentro do melhoramento convencional, há duas frentes de modificação genética real e mais recente que merecem destaque separado — porque, diferente da questão do glúten, essas envolvem debates ativos sobre regulação, segurança e transparência ao consumidor.

Trigo transgênico HB4: desenvolvido pela empresa argentina Bioceres, o HB4 recebeu um gene da planta de girassol (HaHB4) que confere tolerância à seca, e também é resistente ao herbicida glufosinato de amônio. A Argentina foi o primeiro país do mundo a aprovar comercialmente um trigo transgênico, em 2020. No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a importação de farinha e grãos de HB4 para uso humano e animal em 2021, e o plantio da variedade em território brasileiro em 2023.

Isso significa que pães, massas e biscoitos produzidos no Brasil podem conter trigo HB4, especialmente quando a indústria utiliza farinha importada da Argentina.Esse tema é genuinamente controverso, e vale apresentar os dois lados: entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) contestam a aprovação, argumentando que faltaram estudos aprofundados sobre os riscos à saúde e ao meio ambiente, e que a resistência ao glufosinato de amônio pode significar maior resíduo desse herbicida nos alimentos derivados do trigo.

Do outro lado, a CTNBio, associações do setor produtivo (como a Abitrigo) e parte da comunidade científica argumentam que o processo de aprovação seguiu os protocolos de biossegurança vigentes, que a avaliação de resíduos de agrotóxicos é de competência de outros órgãos (Anvisa, Ibama e Ministério da Agricultura), e que a tolerância à seca pode ser relevante para a segurança alimentar em cenários de estresse climático.

Edição genética (CRISPR): diferente da transgenia, a edição genética não insere genes de outras espécies — ela ajusta genes que já existem na própria planta, com mais precisão. O sequenciamento completo do genoma do trigo, concluído em 2018 por um consórcio internacional, abriu caminho para esse tipo de aplicação.

O exemplo mais concreto até agora é chileno: em 2025, o órgão regulador agrícola do Chile aprovou uma variedade de trigo editada por CRISPR pela empresa Neocrop Technologies, com teor de fibra entre 5 e 10 vezes maior que o trigo convencional, mantendo sabor, textura e custo da farinha branca tradicional.

Por não introduzir material genético externo, essa variedade foi classificada como não-transgênica pelo regulador chileno — uma classificação que, segundo a empresa, deve ser levada para avaliação também na Argentina, no Brasil e nos Estados Unidos.

Em linguagem simples: o Brasil já convive, na prática, com trigo transgênico na cadeia alimentar (o HB4, majoritariamente importado da Argentina), e a edição genética via CRISPR é uma fronteira que já chegou ao continente, começando pelo Chile. Nenhuma dessas duas modificações está relacionada à discussão sobre gliadina e glutenina da seção anterior — são frentes tecnológicas diferentes, com implicações diferentes.

 Importante para quem tem doença celíaca, alergia ao trigo ou SGNC: nem o trigo transgênico HB4 nem o trigo editado por CRISPR para mais fibra alteram o glúten de forma a torná-lo seguro para essas condições. O HB4 tem o gene de tolerância à seca inserido, mas continua sendo trigo comum na composição de glúten; o trigo chileno de alta fibra foi editado para aumentar fibra, não para reduzir ou modificar as proteínas do glúten. Nenhum dos dois deve ser considerado alternativa para quem precisa evitar glúten.

Linha do tempo: da domesticação à edição genética

Fase Marco principal O que mudou
Domesticação e poliploidia Hibridizações naturais entre gramíneas selvagens geram o trigo hexaploide, há ~8-10 mil anos Origem do trigo-pão moderno, sem qualquer intervenção humana direta no DNA
Melhoramento clássico Séculos de cruzamento e seleção, intensificados no século XX Ganhos de produtividade e qualidade de panificação; composição de gliadina/glutenina se ajusta, sem aumento do total de glúten
OGMs experimentais Ensaios de trigo transgênico nos EUA, Canadá, Austrália e União Europeia, a partir dos anos 1990 Testes de resistência a pragas, herbicidas e seca, mas sem adoção comercial ampla — receio de rejeição de mercado
1º OGM comercial Aprovação do trigo HB4 na Argentina, em 2020 Primeiro trigo transgênico do mundo aprovado para comércio; chega ao Brasil em 2021 (importação) e 2023 (plantio)
Edição genética (CRISPR) Sequenciamento completo do genoma do trigo, concluído em 2018, abre caminho para edição precisa Ajuste de genes já existentes na planta, sem inserir DNA de outra espécie
Nutrição e saúde pública Trigo de alta fibra editado por CRISPR aprovado no Chile, em 2025 Farinha branca com até 10 vezes mais fibra, sem alterar sabor, textura ou o próprio glúten

 

 

Benefícios do trigo integral, segundo a ciência

Para a população em geral — ou seja, para quem não tem doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não celíaca —, o consumo de trigo integral está entre os hábitos alimentares com evidência mais consistente de benefício à saúde.

Uma revisão-guarda-chuva reunindo 21 meta-análises sobre grãos integrais (incluindo trigo integral) encontrou associação estatisticamente significativa entre o consumo regular e:

Desfecho de saúde Redução de risco associada ao consumo de grãos integrais 
Diabetes tipo 2 Risco relativo entre 0,68 e 0,80
Doença cardiovascular Risco relativo entre 0,63 e 0,79
Cânceres colorretal, pancreático e gástrico Risco relativo entre 0,57 e 0,94
Peso corporal e circunferência abdominal Efeito modesto, mas consistente

Esses benefícios são atribuídos principalmente à fibra, às vitaminas do complexo B, aos minerais e aos compostos fenólicos presentes no farelo e no gérmen do grão — partes que são removidas no processo de refinamento da farinha branca.

A recomendação encontrada na literatura gira em torno de 2 a 3 porções diárias de grãos integrais, o equivalente a cerca de 45 gramas por dia.

Importante: esses benefícios se referem ao trigo integral, não à farinha branca refinada, que perde boa parte da fibra e dos micronutrientes no processamento.

 

 

Quando o trigo pode causar problemas de saúde

Apesar dos benefícios documentados para a população geral, o trigo é, comprovadamente, prejudicial para grupos específicos:

  • Doença celíaca: doença autoimune desencadeada pelo glúten em pessoas com predisposição genética, causando dano ao intestino delgado.
  • Alergia ao trigo: reação do sistema imunológico a proteínas do trigo, que pode incluir risco de anafilaxia.
  • Sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC): sintomas relacionados ao consumo de trigo em pessoas sem doença celíaca ou alergia confirmadas, com mecanismo ainda em investigação.
  • Síndrome do intestino irritável e sensibilidade a FODMAPs: alguns componentes fermentáveis do trigo podem gerar sintomas digestivos em pessoas sensíveis, mesmo sem nenhuma das condições acima.

Para essas pessoas, os benefícios do trigo integral descritos na seção anterior não se aplicam da mesma forma — o risco de dano supera qualquer benefício nutricional, e a exclusão ou controle do trigo na dieta é uma necessidade médica, não uma escolha de estilo de vida

Para se aprofundar: O que é doença celíaca, Alergia ao trigo, Sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC)

 

 

Atenção: “trigo antigo” ou “sem agrotóxico” não é sinônimo de seguro para quem tem doença celíaca. É comum encontrar produtos anunciados como feitos com trigo antigo, einkorn ou orgânico como alternativa “mais saudável” ou até “mais tolerável”. Para quem tem doença celíaca ou alergia ao trigo, isso é um mito perigoso: todas as variedades de trigo, antigas ou modernas, contêm glúten e podem desencadear a resposta autoimune ou alérgica. Não existe variedade de trigo segura para quem tem essas condições.

 

 

FAQ – Perguntas frequentes sobre o trigo

O trigo consumido no Brasil é transgênico?

Pode conter trigo transgênico HB4, aprovado pela CTNBio para uso em alimentos desde 2021 e liberado para plantio no Brasil desde 2023, especialmente em produtos que usam farinha importada da Argentina. É um tema regulatório ativo, com posições divergentes entre entidades de defesa do consumidor e órgãos reguladores.

O trigo HB4 ou o trigo editado por CRISPR são mais seguros para quem tem doença celíaca?

Não. Nenhuma das duas modificações altera o glúten de forma a torná-lo seguro para doença celíaca, alergia ao trigo ou SGNC. O HB4 foi modificado para tolerância à seca, e o trigo chileno editado por CRISPR foi modificado para ter mais fibra — nenhum dos dois teve o glúten removido ou alterado.

O trigo de hoje é geneticamente modificado (transgênico), de forma geral?

A maior parte do trigo cultivado e consumido comercialmente no mundo ainda é resultado de melhoramento genético convencional — cruzamento e seleção de plantas —, não de transgenia. A exceção relevante é o HB4, discutido na seção acima, que já está autorizado para consumo humano no Brasil e em outros países, ainda que não seja a base da produção mundial de trigo.

Trigo integral é o mesmo que trigo sem glúten?

Não. “Integral” se refere à presença do grão inteiro (farelo, gérmen e endosperma) na farinha, não à ausência de glúten. Todo trigo, integral ou refinado, contém glúten.

Einkorn ou trigo antigo tem menos glúten?

Estudos indicam que o teor de proteína em variedades muito antigas, como o trigo silvestre pré-domesticação, pode ser diferente do trigo moderno, mas isso não torna essas variedades seguras para quem tem doença celíaca ou alergia ao trigo — elas continuam contendo glúten.

Cortar o trigo da dieta traz benefício para quem não tem nenhuma das condições relacionadas a ele?

Não há evidência consistente de benefício em cortar o trigo integral para quem não tem doença celíaca, alergia ao trigo, SGNC ou sensibilidade a FODMAPs. Pelo contrário, a evidência científica associa o consumo de grãos integrais, incluindo o trigo, a menor risco de diversas doenças crônicas.

Por que o trigo é tão usado na panificação, e outros grãos não?

Porque o glúten do trigo forma uma rede viscoelástica única quando misturado com água e sovado, capaz de reter os gases da fermentação e dar estrutura ao pão — uma propriedade que outros grãos, como arroz e milho, não têm no mesmo grau.

 

 

Conclusão

O trigo não é nem o vilão que as dietas da moda descrevem, nem um alimento neutro para todo mundo.

A ciência mostra um cereal com uma história genética real e documentada, benefícios consistentes para quem pode consumi-lo, e riscos igualmente reais e bem estabelecidos para quem tem doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não celíaca.

Entender essa diferença — e não generalizar para um lado ou para o outro — é o que permite tomar decisões alimentares informadas, em vez de guiadas por mito.

 

 

Referências Científicas e Fontes

  1. Kasarda DD. Can an Increase in Celiac Disease Be Attributed to an Increase in the Gluten Content of Wheat as a Consequence of Wheat Breeding? Journal of Agricultural and Food Chemistry. 2013;61(6):1155-1159.
  2. Prandi B, et al. Proteins from Modern and Ancient Wheat Cultivars: Impact on Immune Cells of Healthy Individuals and Patients with NCGS.
  3. Zevallos VF, et al. Nutritional wheat amylase-trypsin inhibitors promote intestinal inflammation via activation of myeloid cells. Gastroenterology. 2017;152(5):1100-1113.
  4. Evolution and origin of bread wheat. The Plant Cell. 2022. Oxford Academic.
  5. Ancient farming clues on the origin of bread wheat domestication, Cáucaso Sul, Geórgia. 2026.
  6. History of wheat. Wikipedia. — usado apenas como referência de linha do tempo histórica, não como fonte de dado clínico.
  7. Aune D, et al. Health Benefits of Dietary Whole Grains: An Umbrella Review of Meta-analyses.
  8. The impact of whole grain consumption on metabolic health: an umbrella review of systematic reviews and meta-analyses of randomized controlled trials. 2025.
  9. Pronin D, et al. Wheat (Triticum aestivum L.) Breeding from 1891 to 2010 Contributed to Increasing Yield and Glutenin Contents but Decreasing Protein and Gliadin Contents. Journal of Agricultural and Food Chemistry. 2020.
  10. CTNBio / Ministério da Agricultura. Aprovação do trigo geneticamente modificado HB4 para uso em alimentos (2021) e para cultivo (2023) no Brasil.
  11. Idec — Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. Posicionamento contrário à aprovação do trigo HB4. 
  12. ChileBio / Neocrop Technologies. Chile aprova o primeiro trigo editado geneticamente por CRISPR das Américas, com maior teor de fibra. 2025.

 

 

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. As informações apresentadas não substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada. Os benefícios do consumo de trigo integral descritos neste artigo não se aplicam a pessoas com doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten não celíaca, para quem a exclusão ou o controle do trigo na dieta deve seguir orientação médica específica. O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Eu Celíaca©. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original.

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