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Vacina contra hepatite B pode produzir menos anticorpos em pessoas com doença celíaca?

hepatite B

Pessoas com doença celíaca podem apresentar uma resposta sorológica menor à vacina contra a hepatite B, segundo uma linha de estudos publicada ao longo de mais de duas décadas.

A associação, porém, precisa ser interpretada com cuidado: ela não significa que todas as pessoas celíacas estejam desprotegidas, que as vacinas não funcionem nesse grupo ou que seja necessário repetir doses sem avaliação médica.

A evidência mais consistente refere-se especificamente à vacina contra a hepatite B. Para outras vacinas, os estudos disponíveis não demonstraram o mesmo padrão de menor resposta de forma clara e constante.

O dado mais importante para pacientes e profissionais de saúde é que existe um exame capaz de medir a resposta de anticorpos à vacinação: o anti-HBs quantitativo.

A interpretação, no entanto, depende de quando o teste foi realizado, da comprovação do esquema vacinal e do contexto clínico.

 

 

Pessoas com doença celíaca respondem menos à vacina contra hepatite B?

Alguns estudos mostram que pessoas com doença celíaca apresentam maior frequência de títulos de anti-HBs abaixo do nível considerado protetor depois da vacinação contra hepatite B.

A melhor síntese disponível é uma revisão sistemática com meta-análise publicada em 2015. Os pesquisadores reuniram 12 estudos retrospectivos, com 1.447 participantes, e quatro estudos prospectivos, com 184 participantes.

O critério utilizado para considerar uma resposta protetora foi a presença de anti-HBs igual ou superior a 10 UI/L.A análise encontrou uma proporção significativamente menor de respostas sorológicas protetoras entre pessoas com doença celíaca, em comparação com indivíduos sem a doença.

Esse resultado merece atenção porque não veio de uma observação isolada. Ele foi identificado em diferentes grupos e desenhos de pesquisa.

Ao mesmo tempo, a própria meta-análise apontou limitações:

  • grande parte dos estudos era retrospectiva;
  • havia poucos trabalhos prospectivos;
  • os estudos tinham diferenças de idade, tempo desde a vacinação e atividade da doença;
  • não havia ensaios clínicos randomizados;
  • existia heterogeneidade moderada entre os resultados.

Portanto, a conclusão correta não é que “a vacina falha em celíacos”. O que os estudos sustentam é que a ausência de títulos considerados protetores foi mais frequente nos grupos com doença celíaca estudados.

 

 

O que significa “responder” à vacina contra hepatite B?

A resposta costuma ser avaliada pela dosagem do anticorpo chamado anti-HBs, produzido contra o antígeno de superfície do vírus da hepatite B.

Quando o exame é realizado no período adequado após a vacinação, o resultado é geralmente interpretado assim:

Resultado do anti-HBs Interpretação após esquema vacinal documentado
≥ 10 mUI/mL Resposta sorológica considerada protetora
< 10 mUI/mL Resposta abaixo do nível estabelecido como protetor
Resultado feito muitos anos depois Pode refletir queda natural dos anticorpos e não necessariamente ausência de memória imunológica

A Organização Mundial da Saúde considera o título de anti-HBs igual ou superior a 10 mUI/mL, medido aproximadamente entre um e três meses após o fim do esquema primário, um marcador confiável de proteção.

No Brasil, documentos técnicos usam o mesmo valor de referência e indicam que, quando a sorologia pós-vacinação é necessária, a coleta deve ser realizada preferencialmente de 30 a 60 dias após a última dose.

 

 

Como saber se uma pessoa celíaca ficou imunizada?

O primeiro passo é verificar se há registro de todas as doses da vacina contra a hepatite B.

Depois, o médico pode avaliar se existe indicação para solicitar o exame:

anti-HBs quantitativo

Esse exame mede a concentração de anticorpos contra o antígeno de superfície da hepatite B.

O momento ideal para fazer o exame

A avaliação mais clara da resposta vacinal ocorre quando o anti-HBs é medido:

entre 30 e 60 dias após a última dose do esquema vacinal

Nesse intervalo: anti-HBs ≥ 10 mUI/mL indica resposta protetora; anti-HBs < 10 mUI/mL indica que a resposta mensurável ficou abaixo do limite esperado.

O exame deve ser quantitativo, ou seja, precisa apresentar um valor numérico, e não apenas “reagente” ou “não reagente”.

E quando a vacinação aconteceu muitos anos atrás?

Essa é uma situação mais difícil de interpretar.Os anticorpos contra a hepatite B podem diminuir ao longo do tempo, mesmo em pessoas que responderam adequadamente à vacinação. O sistema imunológico pode preservar células de memória capazes de reagir rapidamente a uma exposição futura, embora o anti-HBs esteja abaixo de 10 mUI/mL anos depois.

Por isso, um resultado baixo coletado muito tempo após a vacinação não comprova, isoladamente, que a vacina nunca funcionou.

O CDC – Center for Disease Control and Prevetion destaca que a dosagem tardia pode não diferenciar: quem nunca respondeu ao esquema; quem respondeu inicialmente, mas apresentou queda natural dos anticorpos.

Em pessoas com risco ocupacional, como profissionais de saúde, uma estratégia utilizada é aplicar uma dose adicional e repetir o anti-HBs de um a dois meses depois. A elevação do título sugere resposta de memória. Esse procedimento deve ser definido pelo profissional responsável, porque as recomendações variam conforme o histórico vacinal e o risco individual.

 

 

O que o paciente pode perguntar ao médico?

Uma pergunta objetiva pode iniciar a avaliação:

“Tenho doença celíaca e completei a vacina contra hepatite B. Há indicação de verificar meu anti-HBs?

Também é útil levar:

  • carteira ou comprovante de vacinação;
  • datas das doses;
  • exames anteriores de hepatite B;
  • informações sobre trabalho com sangue ou material biológico;
  • eventual uso de medicamentos imunossupressores;
  • histórico de doença renal, diálise ou outras condições que alterem a resposta vacinal.

A doença celíaca, isoladamente, não aparece em todas as diretrizes como indicação obrigatória de sorologia pós-vacinal. Portanto, a decisão precisa considerar o conjunto de evidências e o perfil clínico do paciente.

 

 

O que o médico precisa avaliar?

Para avaliar a proteção contra hepatite B em uma pessoa com doença celíaca, o profissional pode considerar quatro perguntas principais.

1. O esquema vacinal está completo?

A interpretação do anti-HBs como marcador de proteção pressupõe que a pessoa tenha completado um esquema validado. Um anti-HBs isoladamente positivo em alguém sem documentação vacinal não substitui a avaliação completa do histórico.

2. Quando o exame foi feito?

O anti-HBs realizado entre 30 e 60 dias após a última dose permite avaliar melhor a resposta primária. Quando a dosagem é realizada anos depois, um resultado baixo deve ser interpretado com cautela.

3. Há necessidade de pesquisar infecção atual ou passada?

Anti-HBs não é o único exame relacionado à hepatite B.Dependendo do contexto, podem ser solicitados:

Exame O que ajuda a identificar
HBsAg Possível infecção atual
Anti-HBc total Contato anterior ou atual com o vírus
Anti-HBs Imunidade por vacinação ou infecção resolvida

A combinação desses três marcadores permite distinguir, entre outras situações:

  • pessoa suscetível;
  • imunidade pela vacina;
  • infecção passada;
  • possível infecção atual.

O CDC recomenda o painel triplo, composto por HBsAg, anti-HBs e anti-HBc total, para o rastreamento de adultos em diferentes contextos clínicos.

4. Existe indicação de dose adicional ou novo esquema?

Quando o anti-HBs é inferior a 10 mUI/mL logo após um esquema completo, protocolos podem recomendar:

  1. uma dose adicional;
  2. repetição do anti-HBs após 30 a 60 dias;
  3. conclusão de um segundo esquema caso o resultado permaneça abaixo de 10 mUI/mL.

A estratégia exata depende da idade, do tipo de vacina, do risco de exposição, de doenças associadas e das normas locais.

A revacinação não deve ser iniciada apenas a partir de uma publicação nas redes sociais ou de um exame antigo interpretado fora de contexto.

 

 

O SUS e os planos de saúde cobrem o anti-HBs?

Pelo SUS

O anti-HBs faz parte da tabela de procedimentos laboratoriais do SUS, sob o nome Pesquisa de anticorpos contra antígeno de superfície do vírus da hepatite B”, código 02.02.03.063-6.

Na prática, o caminho costuma ser:

  1. consulta na UBS ou com especialista;
  2. solicitação médica;
  3. agendamento pela rede municipal ou estadual;
  4. coleta em laboratório conveniado ao SUS.

Alguns estados disponibilizam o exame diretamente mediante cartão SUS e pedido médico, como ocorre no serviço público de Alagoas.

O ponto de atenção é que o SUS não recomenda a dosagem de anti-HBs de rotina para toda a população vacinada.

Ela costuma ser priorizada em situações específicas, como profissionais de saúde, pessoas imunossuprimidas, pacientes em diálise, acidentes com material biológico e outros grupos definidos pelos protocolos locais.

A doença celíaca, isoladamente, ainda não aparece de forma uniforme como indicação obrigatória nacional.

Portanto, o exame existe no SUS, mas o pedido pode precisar ser justificado pelo médico com base no histórico vacinal, na doença celíaca e no risco individual.

Pelo plano de saúde

O exame consta no Rol de Procedimentos da ANS como:

Hepatite B – anti-HBs (antiantígeno de superfície)

Ele aparece com cobertura para planos com segmentação ambulatorial, hospitalar e plano referência.

Assim, em regra, o plano deve cobrir o exame quando:

  • há pedido de médico ou profissional habilitado;
  • o contrato inclui cobertura ambulatorial;
  • a coleta é feita na rede credenciada ou mediante autorização, conforme as regras do plano.

Não encontramos uma Diretriz de Utilização específica limitando o anti-HBs no Rol da ANS. Ainda assim, algumas operadoras podem pedir relatório ou justificativa clínica.

Importante

A simples existência de doença celíaca não garante que o exame será solicitado automaticamente. O ideal é discutir com o médico o histórico vacinal, o momento das doses e a utilidade da sorologia em cada caso.

 

 

O estudo pediátrico que chamou atenção para o problema

Em 2007, Park e colaboradores compararam 26 crianças com doença celíaca e 18 controles.

Entre as crianças celíacas, 53,9% não apresentaram o nível de anti-HBs adotado como protetor, enquanto a proporção foi de 11,1% entre os controles.

O estudo também avaliou a resposta a outros antígenos vacinais, como rubéola, tétano e Haemophilus influenzae tipo B. O mesmo padrão de não resposta não foi observado, o que reforçou a hipótese de uma associação mais específica com a vacina contra hepatite B.

Esse resultado é relevante, mas precisa ser dimensionado corretamente: trata-se de um estudo pequeno, com apenas 44 participantes. Sozinho, ele não poderia estabelecer uma recomendação universal. Seu valor está em integrar um conjunto maior de pesquisas que encontrou resultados semelhantes.

 

 

O glúten interfere na resposta à vacina?

Essa hipótese permanece em discussão. Um estudo de Zingone e colaboradores comparou pessoas celíacas expostas ou não ao glúten durante o período da vacinação. A resposta inadequada foi observada em:

Grupo Resposta inadequada
Celíacos expostos ao glúten 43,9%
Celíacos não expostos ao glúten 34,8%
Celíacos vacinados ao nascimento 58,3%
Controles 8,3%

Os pesquisadores concluíram que a exposição ao glúten não explicava, sozinha, a diferença encontrada. Fatores imunogenéticos, especialmente aqueles relacionados ao sistema HLA, poderiam contribuir.

Outro estudo, conduzido por Nemes e colaboradores, encontrou resultados que sustentam uma possível participação da atividade da doença. Entre 37 pacientes celíacos com anti-HBs negativo que receberam reforço durante uma dieta sem glúten controlada, 36, ou 97,3%, apresentaram soroconversão.

A aparente diferença entre os estudos não deve ser tratada como contradição absoluta. Eles analisaram grupos, momentos e intervenções diferentes. O conjunto sugere que:

  • fatores genéticos podem influenciar a resposta;
  • a atividade da doença pode ter algum papel;
  • a dieta sem glúten não garante, por si só, resposta vacinal;
  • pacientes com resposta inicial baixa podem responder muito bem ao reforço.

 

 

Por que o HLA-DQ2 é investigado?

A doença celíaca está fortemente associada aos haplótipos HLA-DQ2 e HLA-DQ8.O HLA-DQ2 também foi associado, em alguns estudos, à menor resposta à vacina contra hepatite B. Essa sobreposição levou pesquisadores a propor uma explicação imunogenética para a maior frequência de títulos baixos em pessoas celíacas.

Essa hipótese é biologicamente plausível, mas ainda não permite prever individualmente quem responderá ou não responderá à vacinação.

Na prática, o teste de HLA não substitui:

  • a comprovação do esquema vacinal;
  • a dosagem de anti-HBs quando indicada;
  • a avaliação médica.

 

 

Reforço ou revacinação pode funcionar?

Sim. Os estudos mostram que uma grande proporção dos pacientes com resposta inicial insuficiente desenvolve anticorpos após nova exposição à vacina.

Além do estudo de Nemes, uma pesquisa com crianças celíacas previamente vacinadas e com anti-HBs não protetor comparou duas estratégias de revacinação. Após a primeira nova dose, a resposta chegou a 98% no grupo que recebeu vacina com antígenos Pre-S e a 87% no grupo que recebeu uma vacina convencional.

Esses resultados são tranquilizadores porque indicam que um título baixo inicial não equivale a incapacidade definitiva de resposta.

A estratégia de revacinação, entretanto, precisa ser decidida em consulta, e não aplicada automaticamente a todas as pessoas com doença celíaca.

 

 

Um estudo mais recente trouxe um contraponto importante

Uma coorte retrospectiva publicada em 2023 avaliou pessoas com doença inflamatória intestinal ou doença celíaca e comparou seus resultados com os de indivíduos sem essas condições.

Os títulos considerados protetores diminuíram com o passar dos anos após a vacinação. Entre os pacientes com doença intestinal inflamatória ou celíaca, cerca de 45% ainda apresentavam anti-HBs ≥ 10 mUI/mL entre cinco e dez anos depois da última dose, e 41% entre 15 e 20 anos.Apesar da redução dos títulos, não ocorreu nova infecção pelo vírus da hepatite B entre 1.258 pacientes acompanhados por uma mediana de 9,4 anos.

Os pesquisadores concluíram que a dosagem rotineira do anti-HBs talvez não seja necessária para todos os pacientes plenamente vacinados, embora tenham defendido novos estudos.

Esse trabalho é importante porque mostra a diferença entre dois desfechos:

  • ter anticorpos mensuráveis acima de 10 mUI/mL anos depois da vacina;
  • estar clinicamente protegido contra a infecção.

Não são necessariamente a mesma coisa.

A memória imunológica pode persistir mesmo quando os títulos de anticorpos caem.

 

 

O que é fato e o que ainda está em estudo?

Afirmação Grau de sustentação
Algumas pessoas com doença celíaca apresentam menor resposta sorológica à vacina contra hepatite B Sustentada por vários estudos e uma meta-análise
Todas as pessoas celíacas ficam desprotegidas Falso
Todas as vacinas funcionam pior em celíacos Não demonstrado
Anti-HBs ≥ 10 mUI/mL após o esquema é marcador de proteção Bem estabelecido
Anti-HBs baixo muitos anos depois prova falha da vacina Não
A exposição ao glúten é a única responsável Não demonstrado
Reforço ou revacinação pode induzir resposta Sustentado por estudos clínicos
Todo celíaco precisa repetir a vacina Não há base para recomendação universal
Todo celíaco deve medir anti-HBs periodicamente Ainda controverso

 

 

A qualidade das evidências: o que a internet não deve omitir

A associação entre doença celíaca e menor resposta sorológica à vacina contra hepatite B não nasceu de um único caso ou de relatos em redes sociais.

Ela foi investigada por:

  • estudos caso-controle;
  • coortes retrospectivas;
  • estudos prospectivos;
  • pesquisas pediátricas;
  • estudos de revacinação;
  • uma revisão sistemática com meta-análise.

Isso dá consistência ao sinal observado.

Por outro lado, a evidência ainda não é perfeita. Muitos estudos têm amostras pequenas, foram realizados em centros especializados e mediram anticorpos anos após a vacinação. Esse intervalo pode confundir não resposta verdadeira com redução natural dos títulos.

Também faltam grandes ensaios prospectivos que acompanhem pessoas celíacas desde a vacinação, dosando o anti-HBs no período correto e avaliando infecções ao longo de muitos anos.

Por isso, a pauta deve ser tratada como uma questão clínica relevante, e não como prova de que a vacinação é ineficaz.

 

 

Atenção Celíacos

A doença celíaca não é motivo para abandonar, atrasar ou desconfiar do calendário de vacinação.

A vacina contra a hepatite B continua sendo a principal forma de prevenção da infecção e é indicada para pessoas não vacinadas de todas as idades no Brasil.

Depois do diagnóstico, pode ser útil conversar com o médico sobre três pontos:

  1. Meu esquema contra hepatite B está completo?
  2. Existe indicação de medir o anti-HBs?
  3. Caso o resultado seja baixo, quando ele foi coletado e como deve ser interpretado?

Não tome doses adicionais por conta própria. Um anti-HBs baixo muitos anos depois da vacina não permite concluir, sozinho, que houve falha de imunização.

 

 

Perguntas frequentes

Qual exame mostra se a vacina contra hepatite B produziu anticorpos?

O exame é o anti-HBs quantitativo. Quando feito entre 30 e 60 dias após a última dose de um esquema completo, resultado igual ou superior a 10 mUI/mL é considerado protetor.

O anti-HBs é o mesmo que HBsAg?

Não. O anti-HBs indica anticorpos relacionados à imunidade. O HBsAg é um marcador usado para investigar possível infecção atual pelo vírus da hepatite B.

Anti-HBs abaixo de 10 significa que a pessoa está desprotegida?

Quando o teste é feito logo após a conclusão do esquema, o resultado indica resposta sorológica insuficiente. Quando é realizado muitos anos depois, pode representar apenas a queda natural dos anticorpos, com preservação da memória imunológica.

Toda pessoa com doença celíaca deve fazer anti-HBs?

Não existe consenso universal determinando dosagem rotineira para todos os celíacos. A decisão deve considerar histórico vacinal, risco de exposição, idade, doenças associadas e avaliação médica.

A pessoa celíaca deve repetir todas as vacinas?

Não. Os estudos mais consistentes se concentram na hepatite B. Não há evidência de falha generalizada de todas as vacinas na doença celíaca.

A dieta sem glúten melhora a resposta à vacina?

Alguns estudos observaram boa resposta ao reforço em pacientes com doença controlada por dieta sem glúten. Outros indicam que a exposição ao glúten não explica toda a diferença. Fatores genéticos e imunológicos também podem participar.

Quem não respondeu à primeira vacinação pode responder ao reforço?

Sim. Estudos de revacinação encontraram altas taxas de resposta entre pacientes celíacos que inicialmente tinham anti-HBs abaixo do nível protetor.

É preciso medir o anti-HBs todos os anos?

Para pessoas imunocompetentes que tiveram resposta protetora documentada após o esquema, a repetição periódica geralmente não é necessária. Situações especiais, como diálise, imunossupressão ou risco ocupacional, seguem protocolos próprios.

 

 

Conclusão

A literatura científica indica que pessoas com doença celíaca podem apresentar maior frequência de resposta sorológica insuficiente à vacina contra hepatite B.

A evidência é apoiada por diferentes estudos e por uma meta-análise, mas possui limitações que impedem conclusões alarmistas.

O anti-HBs quantitativo é a principal ferramenta para avaliar a resposta de anticorpos, especialmente quando realizado de 30 a 60 dias após a última dose do esquema.

Testes feitos muitos anos depois exigem interpretação cuidadosa, porque a queda dos anticorpos não significa necessariamente perda da memória imunológica.

A mensagem prática não é “a vacina não funciona em celíacos”. É outra: Depois do diagnóstico de doença celíaca, vale conferir o histórico vacinal e perguntar ao médico se existe indicação de avaliar a proteção contra hepatite B.

 

 

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