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O segredo da dieta de Dani Olmo: menos glúten, jejum estratégico e creme de arroz para recuperação dos músculos

Dani Olmo
Foto: instagram Daniel Olmo jogador de futebol da seleção espanhola na copa do mundo de 2026

Menos glúten, jejuns cuidadosamente encaixados nos dias de treino leve e uma “papinha” preparada com creme de arroz, proteína e leite para ajudar o corpo a se recuperar durante a noite.

A preparação nutricional de Dani Olmo para a Copa do Mundo de 2026 mostra como a alimentação de um jogador de elite deixou de ser apenas uma forma de matar a fome ou fornecer calorias.

Hoje, cada refeição pode ter um objetivo: gerar energia, facilitar a digestão, preservar massa muscular, acelerar a reposição dos estoques usados em campo ou preparar o atleta para o próximo jogo.

O plano foi revelado ao jornal espanhol AS por Javier Fernández Ligero, nutricionista que acompanha o meio-campista desde sua última temporada na Alemanha e passou a trabalhar continuamente com ele após sua transferência para o Barcelona.

Segundo o profissional, toda a temporada foi desenhada com a Copa do Mundo como grande objetivo. Exames de sangue, alimentação, carga dos treinos, recuperação e participação da família foram integrados a um planejamento construído em conjunto com o preparador físico.

O resultado apareceu também em campo. Até a publicação da reportagem, Olmo acumulava duas assistências no torneio, corria em média 9,4 quilômetros por partida e aparecia entre os meio-campistas ofensivos com maior volume de acelerações. 

Não existe um alimento mágico por trás desses números. Existe uma estratégia em que cada detalhe foi pensado para chegar ao momento decisivo da temporada com força, energia e capacidade de recuperação.

 

 

Como é a dieta de Dani Olmo?

A dieta de Dani Olmo combina forte redução do glúten, carboidratos escolhidos conforme a carga física, jejum ocasional nos dias menos intensos e uma preparação noturna com creme de arroz, proteína e leite após sequências de jogos.

Não se trata de uma dieta pobre em carboidratos. Arroz e creme de arroz continuam presentes justamente porque o futebol exige energia rápida, reposição de glicogênio e capacidade de sustentar sprints, acelerações e mudanças de direção durante toda a partida.

O diferencial está em escolher o alimento, a quantidade e o momento de consumo de acordo com a exigência do dia.

Estratégia Como aparece na preparação de Dani Olmo
Menos glúten Forte redução de alimentos que contenham glúten
Exames laboratoriais Análises sanguíneas usadas para individualizar o planejamento
Carboidratos selecionados Presença de arroz e creme de arroz como fontes energéticas
Jejum estratégico Aplicado ocasionalmente em dias de menor carga
Proteína Associada aos carboidratos para apoiar recuperação e massa muscular
Preparação noturna  Creme de arroz, proteína e leite após partidas consecutivas
Periodização nutricional Alimentação ajustada aos treinos, jogos e etapas da temporada
Integração profissional Nutricionista, preparador físico e família trabalhando em conjunto

Esses elementos não funcionam isoladamente. Eles formam um sistema organizado em torno do calendário competitivo e das respostas individuais do jogador. 

 

 

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Um plano desenhado para a Copa do Mundo

A preparação começou quando Dani Olmo ainda atuava no futebol alemão. Depois de sua chegada ao Barcelona, o trabalho passou a ser contínuo.

O nutricionista explicou que analisa os exames dos jogadores e usa essas informações para organizar a temporada. No caso de Olmo, a estrutura foi orientada especialmente para que ele chegasse à Copa em seu melhor momento físico.

A alimentação também é coordenada com o preparador físico. Isso permite que a quantidade e a distribuição dos nutrientes acompanhem:

  • dias de recuperação;
  • treinos leves;
  • sessões mais intensas;
  • viagens;
  • partidas;
  • intervalos curtos entre jogos;
  • períodos de maior desgaste muscular.

Essa lógica é conhecida como periodização nutricional.

Em vez de consumir exatamente a mesma quantidade de carboidratos e energia todos os dias, o atleta recebe mais combustível quando a demanda aumenta e pode realizar ajustes em dias menos exigentes.

O documento de especialistas da UEFA sobre nutrição no futebol de elite recomenda justamente que o tipo, a quantidade e o momento da ingestão de alimentos sejam adaptados à carga do treinamento e das partidas.

O posicionamento reuniu 32 especialistas e aborda preparação, desempenho, recuperação, composição corporal, viagens, suplementos e reabilitação.

Em outras palavras: a dieta de Olmo não foi montada separadamente do treino. Ela faz parte do treino.

 

 

Menos glúten, mas com carboidratos no cardápio

Uma das principais mudanças feitas no plano de Dani Olmo foi a redução expressiva do glúten.

Segundo Javier Fernández Ligero, a equipe adotou essa estratégia com o objetivo de controlar processos inflamatórios, reduzir episódios relacionados a lesões e favorecer a recuperação muscular.

O profissional relata que, durante o acompanhamento, observou aumento de massa muscular, redução desses episódios e melhora gradual do rendimento do atleta. 

A redução do glúten não significa, porém, que Dani Olmo tenha retirado os carboidratos da dieta.

Essa diferença é fundamental.

O glúten está presente principalmente no:

  • trigo;
  • centeio;
  • cevada;
  • malte;
  • produtos elaborados com esses cereais.

Já os carboidratos também estão presentes em inúmeras fontes naturalmente sem glúten, como:

  • arroz;
  • batata;
  • mandioca;
  • milho;
  • quinoa;
  • frutas;
  • leguminosas;
  • tapioca;
  • creme de arroz.

Portanto, é possível reduzir pães, massas e produtos elaborados com trigo sem transformar a alimentação em uma dieta “low carb”. No futebol, isso seria especialmente difícil de sustentar em dias de grande exigência.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 reuniu 61 estudos sobre consumo de carboidratos e desempenho de jogadores. Os autores destacam que o glicogênio muscular cai de forma importante ao final das partidas e pode permanecer reduzido por até 48 horas, especialmente quando o calendário é apertado. 

É por isso que o creme de arroz não contradiz a redução do glúten. Ao contrário: ele mostra que o objetivo não é eliminar o combustível, mas encontrar outra forma de fornecê-lo.

 

 

A “papinha” de creme de arroz que virou o detalhe mais curioso da dieta

A parte mais inusitada da estratégia ganhou destaque imediato nas manchetes internacionais.

Depois de partidas consecutivas ou de períodos com maior desgaste, Olmo recebe à noite uma preparação com:

  • creme de arroz;
  • proteína;
  • leite.

A textura lembra uma papinha infantil, mas sua função é totalmente esportiva.

O creme de arroz fornece carboidratos. A proteína e o leite acrescentam aminoácidos necessários ao reparo e à adaptação muscular. Tudo isso em uma preparação cremosa, fácil de consumir e cuja composição pode ser controlada de forma precisa.

O nutricionista explicou que essa mistura é usada principalmente quando os jogadores vêm de uma sequência de partidas e precisam melhorar a recuperação noturna. 

Por que o creme de arroz funciona como fonte de energia?

O creme de arroz é produzido a partir do arroz moído e cozido ou processado até adquirir consistência fina. Por ser predominantemente fonte de carboidratos e apresentar pouca fibra em muitas formulações, pode ter digestão relativamente rápida.

Depois de uma partida, o organismo precisa reconstruir os estoques de glicogênio utilizados pelos músculos. A recuperação é especialmente importante quando o próximo jogo acontecerá em poucos dias.

Uma revisão voltada a jogadores de futebol de elite recomenda priorizar, logo após partidas de grande desgaste:

  • reposição de carboidratos para restaurar o glicogênio;
  • proteína para estimular a síntese proteica;
  • líquidos e eletrólitos para reidratação;
  • continuidade da estratégia nas horas e nos dias seguintes.

Quando há pouco tempo entre partidas, os autores sugerem aproximadamente 1,2 grama de carboidrato por quilo de peso por hora nas primeiras horas e cerca de 40 gramas de proteína no início da recuperação — quantidades que devem ser individualizadas por profissionais. ([PubMed][5])

A preparação usada por Olmo reúne exatamente os dois elementos centrais desse processo: carboidrato e proteína.

Por que consumir à noite?

O período noturno não precisa ser entendido como um momento em que o organismo “desliga”.

Durante o sono, processos de recuperação continuam acontecendo. Quando o atleta jogou à noite, viajou ou terminou a partida com pouco apetite, uma preparação de fácil consumo pode facilitar a ingestão dos nutrientes necessários.

Isso não transforma o creme de arroz em um produto milagroso. Sua eficiência depende da dieta completa, das quantidades, do tipo de proteína, do gasto do atleta, do horário da próxima partida e do restante da recuperação.

O que chama a atenção é a praticidade: mesmo exausto depois de um jogo, o atleta consegue consumir uma refeição calculada para devolver energia e fornecer aminoácidos.

 

 

A “papinha” não é comida infantil comprada pronta

A expressão “papinha de bebê” pode gerar uma imagem errada.

A reportagem não descreve Dani Olmo abrindo um pote de alimentação infantil industrializada. Trata-se de uma preparação feita com creme de arroz, leite e proteína, cuja textura se assemelha à de um mingau ou papinha.

A aparência rende uma boa manchete, mas o conceito é utilizado há anos no esporte:

  1. escolher uma fonte de carboidrato;
  2. acrescentar uma fonte proteica;
  3. ajustar a quantidade às necessidades do atleta;
  4. usar uma textura de fácil ingestão;
  5. encaixar a refeição no momento em que a recuperação é mais necessária.

É menos exótico do que parece — e muito mais estratégico.

 

 

O creme de arroz é sem glúten?

O arroz é naturalmente sem glúten. No entanto, para uma pessoa com doença celíaca, não basta que o ingrediente principal seja arroz.

É necessário verificar:

  • a lista de ingredientes;
  • a declaração “não contém glúten”;
  • possíveis misturas com outros cereais;
  • risco de contaminação cruzada;
  • compartilhamento de equipamentos;
  • segurança do leite, da proteína e de todos os demais componentes.

Uma preparação com “quase nenhum glúten” pode ser compatível com a estratégia individual de um atleta sem diagnóstico de doença celíaca, mas não serve como padrão de segurança para uma pessoa celíaca.Para o celíaco, todos os ingredientes precisam ser efetivamente seguros.

 

 

Como funciona o jejum estratégico de Dani Olmo?

O jejum também aparece no planejamento, mas não da forma radical que muitas pessoas imaginam.

Olmo não foi descrito como alguém que treina ou joga diariamente sem se alimentar. Segundo seu nutricionista, o jejum foi incorporado ocasionalmente nos dias de menor intensidade e menor carga física. 

Isso significa que a estratégia acompanha a exigência do treino.

Nos dias em que o jogador precisa:

  • correr em alta intensidade;
  • realizar sprints;
  • completar uma sessão longa;
  • disputar uma partida;
  • repor rapidamente o glicogênio;
  • a disponibilidade de energia e carboidrato ganha prioridade.

Já em determinadas sessões leves, pode haver espaço para manipular o horário da alimentação de acordo com a estratégia definida pela equipe.

Uma revisão sistemática de 2024 analisou 25 estudos sobre jejum intermitente, desempenho e composição corporal em pessoas fisicamente ativas e atletas. De forma geral, os autores não encontraram queda consistente da capacidade aeróbica, anaeróbica, força ou potência, mas ressaltaram a heterogeneidade dos protocolos e a necessidade de novas pesquisas em atletas profissionais. 

Isso ajuda a compreender por que o jejum pode ser usado em um atleta sem necessariamente prejudicar seu rendimento — desde que seja bem programado.

A palavra-chave é estratégico. Não é simplesmente ficar sem comer. É escolher em quais dias, por quanto tempo, com qual objetivo e como compensar a energia e os nutrientes no restante da alimentação.

 

 

Jejum não é sinônimo de déficit de energia

Um atleta pode utilizar períodos específicos de jejum e ainda consumir energia suficiente ao longo do dia ou da semana.

O problema aparece quando a restrição alimentar se torna excessiva e a ingestão não cobre os gastos do treinamento e as necessidades básicas do organismo.

A baixa disponibilidade energética pode comprometer:

  • recuperação;
  • produção hormonal;
  • saúde óssea;
  • imunidade;
  • massa muscular;
  • qualidade do sono;
  • desempenho;
  • risco de lesões.

Por isso, copiar apenas o jejum de Dani Olmo, sem os exames, a periodização, a compensação energética e o acompanhamento profissional, não reproduz sua estratégia.

O que o jogador faz está inserido em um sistema de alta performance. Não é um desafio alimentar retirado das redes sociais.

 

 

O que a ciência diz sobre glúten e desempenho esportivo?

Para pessoas com doença celíaca, não existe dúvida: retirar completamente o glúten é tratamento médico.

A exposição ao glúten ativa uma resposta imunológica que pode provocar lesão intestinal, má absorção de ferro, vitaminas e minerais, anemia, fadiga e alterações ósseas. Tudo isso pode prejudicar diretamente a capacidade de treinar, competir e se recuperar.

Para atletas sem doença celíaca, a ciência ainda não demonstrou que retirar o glúten, isoladamente, gere melhora automática de performance.

Um ensaio randomizado, duplo-cego e cruzado avaliou 13 ciclistas competitivos sem doença celíaca. Eles passaram por uma dieta com glúten e outra sem glúten, mantendo os demais aspectos controlados.

Não foram observadas diferenças significativas em:

  • desempenho no ciclismo;
  • sintomas gastrointestinais;
  • percepção de bem-estar;
  • marcador de lesão intestinal;
  • citocinas inflamatórias.

Um novo estudo-piloto publicado em 2025 também não encontrou vantagem de performance com dieta sem glúten em atletas não celíacos submetidos a treinamento intervalado de sprint. 

Esses resultados não anulam a experiência individual de Dani Olmo ou de outros atletas. Eles mostram apenas que a retirada do glúten não pode ser considerada, sozinha, uma fórmula universal de desempenho.

No caso do jogador espanhol, várias mudanças aconteceram simultaneamente:

  • redução de alimentos com glúten;
  • análise de exames;
  • controle das refeições;
  • periodização dos carboidratos;
  • jejum em dias selecionados;
  • proteína para recuperação;
  • integração com a carga de treinamento;
  • acompanhamento contínuo.

O benefício percebido pode vir do conjunto.

 

 

Reduzir glúten pode mudar muito mais do que apenas uma proteína

Quando alguém diminui pães, massas, biscoitos, bolos e produtos elaborados com farinha de trigo, outras mudanças podem acontecer ao mesmo tempo.

A dieta pode passar a ter:

  • menos produtos refinados;
  • menos açúcar;
  • menos ultraprocessados;
  • porções mais controladas;
  • maior presença de arroz, frutas, tubérculos e vegetais;
  • refeições com digestão mais previsível;
  • melhor distribuição de carboidratos;
  • maior atenção aos ingredientes.

Isso torna difícil separar o efeito do glúten das demais transformações alimentares.

Em um atleta de elite, há ainda outro fator: cada detalhe é monitorado. O que melhora o desempenho pode não ser apenas o alimento retirado, mas o planejamento que nasceu com a decisão de mudar a dieta.

 

 

Messi, Cristiano Ronaldo, Canobbio e Dani Olmo: o glúten entrou na preparação da Copa

Dani Olmo é mais um nome da Copa do Mundo associado a uma mudança importante no consumo de glúten.

A série publicada pelo Eu Celíaca já mostrou que Lionel Messi retirou o glúten dentro de uma transformação alimentar mais ampla, que Cristiano Ronaldo reduziu expressivamente sua presença na dieta e que Agustín Canobbio também eliminou o glúten durante sua preparação.

Jogador Estratégia alimentar relatada
Lionel Messi Retirada do glúten, redução de açúcar refinado e ultraprocessados e maior presença de alimentos naturais
Cristiano Ronaldo Redução expressiva do glúten, forte controle de açúcar e ultraprocessados e alimentação distribuída ao longo do dia
Agustín Canobbio Retirada do glúten, redução de doces e acompanhamento nutricional voltado à composição corporal e performance
Dani Olmo Forte redução do glúten, jejum em dias de menor carga e creme de arroz com proteína e leite para recuperação

As dietas não são idênticas. Cada jogador possui:

  • organismo diferente;
  • posição em campo;
  • histórico de lesões;
  • idade;
  • calendário;
  • volume de treinamento;
  • preferências;
  • equipe profissional própria.

O ponto em comum está na personalização.

Em todos esses casos, alimentação, recuperação, sono e composição corporal passaram a ser tratados como partes da preparação esportiva — não como detalhes secundários.

 

 

O que existe de realmente moderno na dieta de Dani Olmo?

Nenhum dos ingredientes é tecnologicamente revolucionário.Arroz, leite e proteína fazem parte da alimentação humana há muito tempo. O jejum também não é uma invenção recente.

A inovação está em modular essas ferramentas:

  • pouco glúten como decisão individual;
  • carboidrato quando há maior necessidade;
  • jejum apenas quando a carga permite;
  • proteína distribuída para apoiar os músculos;
  • refeição noturna quando há partidas consecutivas;
  • exames para orientar ajustes;
  • comunicação entre nutrição e preparação física.

Isso transforma alimentos simples em uma estratégia sofisticada.

É o oposto de copiar uma dieta pronta. O planejamento muda conforme o atleta muda.

 

 

Essa dieta pode ser copiada por quem treina?

Não integralmente.

Alguns princípios são aplicáveis a muitas pessoas:

  • priorizar alimentos de boa qualidade;
  • garantir carboidratos suficientes para os treinos;
  • consumir proteína adequada;
  • cuidar da hidratação;
  • organizar a alimentação após exercícios intensos;
  • ajustar as refeições à rotina;
  • investigar sintomas persistentes.

Mas as quantidades, os horários e a necessidade de jejum ou de retirar determinados alimentos precisam ser individualizados.

Uma pessoa comum dificilmente terá:

  • o mesmo gasto energético;
  • a mesma massa muscular;
  • dois jogos de alto nível na mesma semana;
  • a mesma rotina de viagens;
  • equipe médica permanente;
  • monitoramento laboratorial frequente;
  • necessidade de recuperar o corpo para outra partida em 48 ou 72 horas.

Copiar apenas a “papinha”, o jejum ou a retirada do glúten não entrega o sistema que existe por trás da estratégia.

 

 

E se a pessoa sente que melhora ao reduzir o glúten?

A percepção de melhora merece ser ouvida, mas também investigada.

Sintomas como estufamento, diarreia, constipação, dor abdominal, fadiga ou anemia podem ter diferentes causas, incluindo:

Quem suspeita de doença celíaca não deve retirar o glúten antes dos exames.

A redução pode diminuir os anticorpos e permitir recuperação parcial da mucosa intestinal, tornando o diagnóstico mais difícil ou até produzindo resultados falsamente negativos.

 

 

Para pessoas celíacas, “menos glúten” não é suficiente

Dani Olmo utiliza a redução do glúten como parte de uma estratégia individual de alta performance. Não há informação pública, nas fontes consultadas, de que ele tenha doença celíaca.

Para uma pessoa celíaca, o contexto é completamente diferente.

Não basta comer pouco glúten.

A dieta precisa excluir:

  • trigo;
  • cevada;
  • centeio;
  • malte;
  • derivados;
  • alimentos contaminados;
  • preparações feitas sem segurança.

Também é necessário controlar contaminação cruzada em:

  • utensílios;
  • superfícies;
  • óleo de fritura;
  • chapas;
  • torradeiras;
  • cozinhas compartilhadas;
  • suplementos;
  • bebidas e produtos esportivos.

Uma pessoa celíaca não poderia simplesmente consumir o mesmo creme de arroz de um atleta não celíaco sem avaliar rótulo, ingredientes e processo de fabricação.

Para o atleta saudável, reduzir glúten pode ser uma estratégia.

Para o atleta celíaco, retirar totalmente o glúten é tratamento.

 

 

O verdadeiro segredo da dieta de Dani Olmo

A “papinha” é o elemento curioso. O jejum gera debate. A redução do glúten chama a atenção de quem acompanha as dietas dos grandes jogadores.

Mas o verdadeiro segredo parece estar em algo menos chamativo e muito mais difícil de copiar: consistência e precisão.

O plano começou antes da Copa, foi desenvolvido ao longo da temporada e reúne:

  • exames;
  • planejamento;
  • alimentação;
  • treino;
  • descanso;
  • família;
  • profissionais;
  • ajustes contínuos.

A refeição não é escolhida apenas porque é “saudável”.

Ela entra porque atende a uma necessidade específica daquele dia.

Esse nível de organização explica por que a nutrição ganhou tanto espaço no futebol moderno.

 

 

Perguntas frequentes

Dani Olmo retirou totalmente o glúten?

Segundo seu nutricionista, o jogador reduziu quase completamente o consumo de glúten. A estratégia faz parte de um planejamento nutricional mais amplo e não foi apresentada como tratamento de doença celíaca.

Dani Olmo é celíaco?

Não há informação pública, nas fontes consultadas, de que Dani Olmo tenha diagnóstico de doença celíaca, alergia ao trigo ou sensibilidade ao glúten.

O que há na “papinha” de Dani Olmo?

A preparação descrita contém creme de arroz, proteína e leite. Ela é utilizada principalmente à noite, depois de partidas consecutivas ou períodos de maior desgaste.

Para que serve o creme de arroz?

Ele fornece carboidratos que podem contribuir para repor o glicogênio utilizado pelos músculos. Combinado à proteína, participa de uma refeição voltada à recuperação.

Dani Olmo faz jejum todos os dias?

Não. O nutricionista informou que o jejum é usado ocasionalmente, principalmente nos dias de treino menos intenso e menor carga física.

A dieta de Dani Olmo é pobre em carboidratos?

Não. O creme de arroz é uma fonte de carboidrato. A estratégia parece reduzir fontes com glúten, não eliminar o principal combustível necessário para o futebol.

Retirar glúten melhora a performance?

Para pessoas com doença celíaca, retirar o glúten permite tratar a doença e recuperar o estado nutricional. Em atletas sem doença celíaca, ensaios disponíveis não demonstram melhora automática de performance apenas pela exclusão.

Uma pessoa celíaca pode consumir creme de arroz?

Pode, desde que o produto e os demais ingredientes sejam seguros contra glúten e contaminação cruzada. O arroz é naturalmente sem glúten, mas produtos industrializados precisam ser avaliados individualmente.

 

 

Conclusão

Menos glúten. Jejum apenas nos dias certos. Carboidrato quando o corpo precisa de energia. Proteína para apoiar os músculos. Creme de arroz à noite quando o calendário exige recuperação rápida.

A dieta de Dani Olmo chama a atenção pelos elementos curiosos, mas sua força está na forma como eles foram organizados.

Nada foi feito isoladamente.

A alimentação foi planejada a partir de exames, alinhada aos treinos, ajustada à intensidade dos dias e construída com a participação do nutricionista, do preparador físico e da família.

O creme de arroz não é mágico. O jejum não é obrigatório. A redução do glúten não constitui uma fórmula universal para todo atleta.

Mas, dentro de um protocolo individualizado, cada uma dessas escolhas pode cumprir uma função.É o mesmo movimento que aparece nas dietas de Messi, Cristiano Ronaldo e Canobbio: o futebol de elite passou a tratar a alimentação com o mesmo rigor aplicado à técnica, à preparação física e à análise de desempenho.

Para a pessoa celíaca, fica uma distinção essencial: atletas sem diagnóstico podem reduzir o glúten como estratégia. Quem tem doença celíaca precisa eliminá-lo completamente, com controle de contaminação cruzada.

O verdadeiro segredo de Dani Olmo não está apenas no que ele deixou de comer.

Está na precisão com que tudo o que permanece no prato foi pensado para ajudá-lo a correr, criar, recuperar e voltar ao campo pronto para decidir.  

 

 

Referências científicas e fontes

  1. Tavero FS. La dieta “secreta” de Olmo: gluten, ayuno, papillas de bebé. Diario AS. 17 jul. 2026.
  2. Collins J, Maughan RJ, Gleeson M, et al. UEFA expert group statement on nutrition in elite football: current evidence to inform practical recommendations and guide future research. Br J Sports Med. 2021;55(8):416-442. PMID: 33097528.
  3. Pueyo M, Llodio I, Cámara J, Castillo D, Granados C. Influence of carbohydrate intake on different parameters of soccer players’ performance: systematic review. Nutrients. 2024;16(21):3731. doi:10.3390/nu16213731. PMID: 39519564.
  4. Ranchordas MK, Dawson JT, Russell M. Practical nutritional recovery strategies for elite soccer players when limited time separates repeated matches. J Int Soc Sports Nutr. 2017;14:35. doi:10.1186/s12970-017-0193-8. PMID: 28919844.
  5. Conde-Pipó J, Mora-Fernández A, Martínez-Bebiá M, et al. Intermittent fasting: does it affect sports performance? A systematic review. Nutrients. 2024;16(1):168. doi:10.3390/nu16010168. PMID: 38201996.
  6. Lis D, Stellingwerff T, Kitic CM, Ahuja KDK, Fell J. No effects of a short-term gluten-free diet on performance in nonceliac athletes. Med Sci Sports Exerc. 2015;47(12):2563-2570. doi:10.1249/MSS.0000000000000699. PMID: 25970665.
  7. Zdzieblik D, Zierke A, Waldvogel T, Gollhofer A, König D. A gluten-free diet does not alter performance outcomes in nonceliac athletes undergoing sprint interval training: a pilot trial. Front Sports Act Living. 2025. PMID: 41210267.

 

 Este conteúdo tem finalidade exclusivamente educativa e informativa. Não substitui avaliação, diagnóstico, prescrição ou acompanhamento individualizado com médico e nutricionista. Eu Celíaca©. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original.

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