Foto: instagram Isis Valverde
A tentativa de Isis Valverde de ter o segundo filho trouxe novamente à discussão uma questão que ainda gera dúvidas dentro e fora dos consultórios: qual é a relação entre doença celíaca e fertilidade feminina?
Aos 39 anos, a atriz contou em entrevista ao jornal O Globo que ela e o marido, Marcus Buaiz, estão tentando aumentar a família. Depois de sucessivos exames e resultados frustrantes, Isis relatou que chegou a considerar a possibilidade de menopausa precoce, posteriormente descartada, e que a investigação mostrou alterações que ela relacionou à doença celíaca.
Outros veículos que repercutiram a entrevista informaram ainda que a atriz apresentou baixa reserva ovariana e voltou a ter ciclos menstruais regulares após tratamento.
O relato chama atenção porque a doença celíaca realmente está relacionada, em alguns estudos, a alterações menstruais e reprodutivas. Mas existe uma diferença importante entre uma associação observada em populações e afirmar que a doença celíaca foi responsável pela dificuldade de uma mulher específica engravidar.
No caso de Isis, não é possível determinar publicamente quanto cada fator contribuiu para as dificuldades relatadas. Idade, reserva ovariana, características individuais e outras condições também interferem na fertilidade.
E a própria ciência sobre doença celíaca e infertilidade é mais complexa do que muitas manchetes sugerem.
Doença celíaca pode dificultar uma gravidez?
A doença celíaca pode estar associada a alterações menstruais e a problemas reprodutivos, principalmente quando não foi diagnosticada ou permanece ativa. Alguns estudos encontraram maior frequência de doença celíaca entre mulheres com infertilidade inexplicada, enquanto pesquisas posteriores encontraram prevalência semelhante à da população geral.
Em mulheres que já têm doença celíaca diagnosticada, a evidência não demonstra de forma consistente uma redução importante da fertilidade.Isso significa que doença celíaca não é sinônimo de infertilidade.
A maioria das mulheres com doença celíaca pode engravidar.
Mas, em determinadas pacientes, especialmente quando existem doença ativa, má absorção, alterações menstruais ou deficiências nutricionais, a doença celíaca pode fazer parte de uma investigação mais ampla da saúde reprodutiva.
O que Isis Valverde contou sobre as tentativas de engravidar?
Segundo a entrevista publicada pelo O Globo, a decisão de tentar um segundo filho surgiu depois de um pedido de Rael, filho da atriz.
Isis contou que o processo inicialmente veio acompanhado de expectativa e depois de sucessivas frustrações com os exames.
“Fazia exames numa alegria. Aí vinha a frustração. Minha e do meu marido.”
A possibilidade de menopausa precoce chegou a ser considerada, mas foi descartada durante a investigação.
De acordo com as reportagens que repercutiram a entrevista, Isis afirmou que a doença celíaca havia “desorganizado” seu organismo. Também foi noticiada a identificação de baixa reserva ovariana. Depois do tratamento, os ciclos menstruais teriam voltado a ficar regulares e a atriz segue tentando engravidar naturalmente.
Essa história é um bom ponto de partida para discutir a ciência, mas não deve ser utilizada para fazer um diagnóstico à distância.
Não sabemos quais exames foram realizados, qual era a atividade da doença celíaca, quais tratamentos foram instituídos ou qual é a avaliação completa de fertilidade da atriz.
Por isso, não é possível concluir que a doença celíaca tenha causado sua dificuldade para engravidar ou sua baixa reserva ovariana.
O que os estudos dizem sobre doença celíaca e infertilidade?
Aqui a resposta exige contexto porque pesquisas importantes chegaram a resultados diferentes.
Uma meta-análise publicada em 2014 encontrou que mulheres com infertilidade apresentavam maior frequência de doença celíaca ainda não diagnosticada. Quando os pesquisadores analisaram especificamente mulheres que já tinham diagnóstico de doença celíaca, entretanto, o risco de infertilidade não foi maior do que entre os controles (grupo de comparação sem doença celíaca): OR de 0,99.
OR significa odds ratio, uma medida estatística que compara a chance de um evento entre dois grupos.
Outra meta-análise, publicada em 2016, encontrou uma associação mais forte. Mulheres com infertilidade apresentaram odds 3,5 vezes maiores de ter doença celíaca do que os controles (grupo de comparação sem infertilidade). Entre aquelas com infertilidade inexplicada, as odds chegaram a seis vezes as dos controles.
Nesse trabalho, a prevalência agrupada foi de 2,3% entre mulheres com infertilidade e 3,2% na infertilidade inexplicada.
Mas uma revisão sistemática e meta-análise posterior, publicada em 2021, encontrou resultados diferentes.Ao analisar 11 estudos e exigir doença celíaca confirmada por biópsia, os pesquisadores encontraram prevalência de apenas 0,7% entre 1.617 mulheres com infertilidade. Entre mulheres com infertilidade inexplicada, a prevalência foi de 0,6%.
Os autores concluíram que a doença celíaca não parecia mais frequente entre mulheres inférteis do que na população geral.
O que os principais estudos encontraram?
| Pesquisa | Principal resultado | Como interpretar |
| Meta-análise, 2014 | Doença celíaca não diagnosticada associada à infertilidade; mulheres já diagnosticadas não apresentaram maior infertilidade | A doença ativa e ainda desconhecida pode ser mais relevante do que simplesmente ter o diagnóstico |
| Meta-análise, 2016 | OR 3,5 para doença celíaca em infertilidade e OR 6 na infertilidade inexplicada | Encontrou associação importante, mas não prova causalidade |
| Meta-análise, 2021 | Prevalência de doença celíaca confirmada por biópsia de 0,7% na infertilidade e 0,6% na infertilidade inexplicada | Não encontrou prevalência maior do que a esperada na população |
| Coorte prospectiva em FIV | Resultados de fertilização e implantação semelhantes entre mulheres com e sem sorologia celíaca positiva | Não demonstrou pior desempenho reprodutivo nesse grupo |
| Meta-análise hormonal, 2026 | Mais amenorreia e sangramento uterino anormal, mas sem diferenças significativas de AMH, FSH, LH, estradiol ou prolactina | Alterações menstruais podem ocorrer, mas redução hormonal da reserva ovariana não foi demonstrada de forma consistente |
Então doença celíaca causa infertilidade ou não?
A evidência disponível não permite responder simplesmente “sim”.
O que ela sugere com mais consistência é que doença celíaca não diagnosticada ou ativa pode estar associada a problemas reprodutivos em algumas mulheres, enquanto o diagnóstico e o tratamento parecem reduzir parte dessa diferença.
Isso é diferente de dizer que toda mulher com doença celíaca terá dificuldade para engravidar.
Também é diferente de afirmar que toda infertilidade inexplicada seja causada pela doença celíaca.
A fertilidade feminina depende de muitos fatores, entre eles idade, reserva ovariana, ovulação, anatomia uterina e das trompas, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, alterações tireoidianas, fatores genéticos, condições metabólicas, saúde do parceiro e outras causas que podem permanecer inexplicadas mesmo depois de investigação extensa.
A doença celíaca pode ser uma peça desse quebra-cabeça, mas raramente deveria ser tratada como a única peça.
Doença celíaca pode afetar os hormônios e o ciclo menstrual?
Essa pergunta ganhou novos dados em 2026. Uma revisão sistemática e meta-análise analisou a relação entre doença celíaca, menstruação e marcadores hormonais femininos.
Os pesquisadores encontraram:
- menarca, em média, 0,64 ano mais tardia;
- odds aproximadamente duas vezes maiores de sangramento uterino anormal;
- odds aproximadamente quatro vezes maiores de amenorreia.
Por outro lado, não encontraram menopausa significativamente mais precoce.E há um resultado especialmente relevante diante das discussões sobre fertilidade: FSH, LH, estradiol, prolactina e AMH não apresentaram diferenças significativas entre mulheres celíacas e controles.
AMH significa hormônio anti-mülleriano, um dos marcadores usados na avaliação da reserva ovariana.
Portanto, a melhor síntese disponível atualmente não demonstra que mulheres com doença celíaca tenham, de forma geral, AMH mais baixo ou menor reserva ovariana.
Isso também significa que não podemos olhar para o relato de baixa reserva ovariana de Isis Valverde e concluir que ela ocorreu por causa da doença celíaca.
As duas condições podem coexistir sem que uma necessariamente tenha causado a outra.
E a idade? Por que ela também precisa entrar nessa conversa?
Isis tem 39 anos.
Esse dado é relevante porque a fertilidade feminina diminui progressivamente com a idade, especialmente depois dos 35 anos, devido principalmente à redução na quantidade e na qualidade dos óvulos.
Isso não significa que uma mulher aos 39 anos não possa engravidar naturalmente.Muitas engravidam.
Mas significa que qualquer análise sobre dificuldade de concepção nessa faixa etária precisa considerar a idade juntamente com todos os demais fatores clínicos.
Quando existem simultaneamente doença celíaca, alterações menstruais, baixa reserva ovariana ou outros achados, é especialmente importante evitar explicações únicas.
A doença celíaca pode alterar a reserva ovariana?
Essa questão continua sendo investigada.
Existem estudos que compararam marcadores de reserva ovariana entre mulheres celíacas e controles, mas os resultados ainda não são suficientes para concluir que a doença celíaca cause perda acelerada da reserva ovariana.
Um estudo caso-controle recente, por exemplo, avaliou AMH e outros hormônios em mulheres com doença celíaca, mas envolveu apenas 27 pacientes e 27 controles.
Quando esses resultados individuais são colocados ao lado da meta-análise de 2026, a mensagem mais prudente é: até o momento, não há demonstração consistente de que a doença celíaca reduza diretamente a reserva ovariana.
Uma mulher celíaca com AMH baixo precisa de avaliação ginecológica ou reprodutiva da mesma forma que qualquer outra mulher.
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Como uma doença intestinal poderia interferir na saúde reprodutiva?
Existem algumas hipóteses.
Má absorção e deficiências nutricionais
Na doença celíaca ativa, a lesão intestinal pode comprometer a absorção de nutrientes importantes.
Ferro, folato, vitamina B12, vitamina D, zinco e outros micronutrientes participam de diferentes funções fisiológicas relacionadas à saúde da mulher e à gestação.
Historicamente, a má absorção foi uma das primeiras explicações propostas para alterações menstruais e reprodutivas na doença celíaca. Mas ela provavelmente não explica tudo.
Inflamação e mecanismos imunológicos
A doença celíaca é uma doença autoimune.
Pesquisas também investigam se processos inflamatórios e imunológicos poderiam interferir no endométrio, na implantação embrionária ou na placenta.
Revisões científicas discutem má absorção, alterações imunológicas, coagulação e inflamação endometrial entre os possíveis mecanismos.
São hipóteses biologicamente plausíveis, mas não permitem concluir que todos esses mecanismos ocorram em todas as mulheres.
Alterações menstruais
Amenorreia e ciclos anormais podem interferir diretamente na possibilidade de engravidar quando estão associados à ausência ou irregularidade da ovulação.
A meta-análise de 2026 reforçou justamente a associação entre doença celíaca e alterações menstruais.
Por isso, uma mulher celíaca com ciclos muito irregulares ou ausência de menstruação merece avaliação médica em vez de assumir que se trata simplesmente de uma característica da doença.
A dieta sem glúten pode melhorar a fertilidade?
Essa é uma das perguntas mais frequentes e também uma das que exigem mais cuidado.
Para toda pessoa com doença celíaca, a dieta rigorosamente sem glúten é o tratamento necessário, independentemente de estar ou não tentando engravidar.
Em mulheres com doença ativa, o tratamento pode permitir recuperação da mucosa intestinal, correção de deficiências nutricionais e melhora de alterações clínicas associadas.
Estudos observacionais antigos relatam normalização de ciclos menstruais e gestações após o início da dieta em algumas pacientes.
Mas não existe evidência suficiente para prometer que começar uma dieta sem glúten vá “restaurar a fertilidade” de qualquer mulher celíaca.
E há um dado importante: em mulheres submetidas à fertilização in vitro, um estudo prospectivo com cerca de mil participantes não encontrou diferenças em número de óvulos maduros, fertilização, formação de blastocistos, implantação ou perda gestacional entre mulheres com e sem sorologia positiva para doença celíaca.
A dieta trata a doença celíaca. Ela não substitui uma investigação de fertilidade.
E depois que a mulher engravida?
Fertilidade e evolução da gestação são questões diferentes.
Uma meta-análise de 2023 reuniu 18 estudos e encontrou associação entre doença celíaca e alguns desfechos obstétricos adversos, incluindo aborto espontâneo, restrição de crescimento fetal, natimortalidade, parto prematuro e menor peso ao nascer.
Mas a análise por subgrupos trouxe uma informação fundamental: o aumento de risco para restrição de crescimento fetal, natimortalidade, parto prematuro e menor peso ao nascer apareceu principalmente em mulheres com doença celíaca ainda não diagnosticada.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado não estiveram associados aos mesmos aumentos nesses desfechos.Isso reforça uma mensagem importante para mulheres celíacas que desejam engravidar: ter doença celíaca diagnosticada não significa esperar uma gestação problemática.
O controle adequado da doença importa.
O que uma mulher celíaca que deseja engravidar deve avaliar?
Uma consulta pré-concepcional pode ser especialmente útil.
| O que avaliar | Por quê |
| Adesão à dieta sem glúten | Controlar a doença celíaca e reduzir exposição ao glúten |
| Sorologia celíaca, quando indicada | Ajudar a avaliar controle da doença |
| Hemograma e ferro/ferritina | Anemia e deficiência de ferro são frequentes na doença celíaca |
| Folato e vitamina B12 | Importantes antes e durante a gestação |
| Vitamina D e outros nutrientes, quando necessário | Deficiências devem ser corrigidas individualmente |
| Função tireoidiana | Doenças autoimunes da tireoide podem coexistir com doença celíaca |
| Regularidade menstrual | Alterações importantes podem sugerir necessidade de investigação |
| Reserva ovariana, quando clinicamente indicada | Avaliada especialmente conforme idade e histórico reprodutivo |
| Saúde do parceiro | Infertilidade não é uma questão exclusivamente feminina |
| Idade e tempo de tentativas | Influenciam quando procurar especialista em reprodução |
A investigação deve ser individualizada pelo ginecologista, gastroenterologista e, quando necessário, especialista em reprodução humana.
Atenção, celíacas
Doença celíaca não significa infertilidade. Também não há evidência suficiente para afirmar que toda mulher celíaca tenha menor reserva ovariana ou alterações hormonais capazes de impedir uma gravidez.
Por outro lado, alterações menstruais e alguns problemas reprodutivos aparecem com maior frequência em determinados estudos, principalmente quando a doença ainda não foi diagnosticada ou está ativa.Se você está tentando engravidar, não abandone ou flexibilize a dieta sem glúten.
E se está investigando infertilidade sem diagnóstico de doença celíaca, não retire o glúten por conta própria para “testar se melhora”. A exclusão do glúten antes dos exames pode dificultar o diagnóstico correto.
Quando procurar um especialista em fertilidade?
A orientação tradicional é procurar avaliação quando não ocorre gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção em mulheres com menos de 35 anos.
A partir dos 35 anos, costuma-se recomendar investigação após seis meses de tentativas, porque o tempo reprodutivo ganha maior importância.
A avaliação pode ser antecipada quando existem fatores conhecidos, como ciclos muito irregulares ou ausência de menstruação, suspeita de baixa reserva ovariana, endometriose, histórico de cirurgias pélvicas, abortos recorrentes, alterações importantes no espermograma do parceiro ou outras condições clínicas relevantes.
Uma mulher com doença celíaca deve informar o diagnóstico ao ginecologista ou especialista em reprodução e manter acompanhamento da própria doença.
O caso de Isis traz uma mensagem importante, mas não uma resposta universal
Quando uma pessoa conhecida fala sobre uma dificuldade de saúde, sua experiência ajuda a tornar visível um tema que muitas outras pessoas vivem em silêncio.
O relato de Isis Valverde faz isso com a fertilidade. Mas a conclusão não deveria ser que “doença celíaca impede engravidar”.
A ciência aponta para uma história mais complexa.
A doença celíaca pode afetar a saúde reprodutiva de determinadas mulheres, especialmente quando permanece não diagnosticada ou ativa. Alterações menstruais parecem ser mais frequentes. Algumas pesquisas encontraram associação com infertilidade inexplicada, enquanto outras revisões mais amplas não encontraram doença celíaca mais prevalente entre mulheres inférteis.
E, quando a doença já está diagnosticada e tratada, vários estudos apresentam resultados mais tranquilizadores.
Por isso, mais importante do que atribuir toda dificuldade reprodutiva à doença celíaca é garantir que ela esteja diagnosticada, tratada e acompanhada, enquanto os demais fatores de fertilidade são investigados adequadamente.
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FAQ sobre doença celíaca e fertilidade feminina
Mulher com doença celíaca pode engravidar normalmente?
Sim. Ter doença celíaca não significa ser infértil. Muitas mulheres celíacas engravidam naturalmente e têm gestações saudáveis. O controle adequado da doença e o acompanhamento pré-concepcional são importantes.
Doença celíaca diminui a reserva ovariana?
Até o momento, não existe evidência consistente de que mulheres com doença celíaca tenham menor reserva ovariana. Uma meta-análise de 2026 não encontrou diferenças significativas no AMH ou em outros marcadores hormonais entre mulheres celíacas e controles.
Doença celíaca pode causar menstruação irregular?
Pode estar associada a alterações menstruais. Uma meta-análise de 2026 encontrou maior frequência de amenorreia e sangramento uterino anormal entre mulheres com doença celíaca.
A dieta sem glúten aumenta as chances de engravidar?
A dieta sem glúten é obrigatória para tratar a doença celíaca e pode corrigir doença ativa, má absorção e deficiências nutricionais. Algumas mulheres apresentam melhora de alterações reprodutivas depois do tratamento, mas não existe garantia de que a dieta, isoladamente, resolva infertilidade.
Mulheres com infertilidade precisam fazer exame para doença celíaca?
A evidência é controversa. Algumas meta-análises encontraram maior prevalência de doença celíaca na infertilidade inexplicada, enquanto uma revisão sistemática de 2021 encontrou prevalência semelhante à população geral. A decisão de investigar deve considerar sintomas, histórico familiar, deficiências nutricionais e outros sinais clínicos.
A doença celíaca aumenta o risco de aborto?
Algumas meta-análises encontraram associação com aborto espontâneo, especialmente em doença não diagnosticada. O tratamento adequado parece reduzir parte dos riscos obstétricos associados.
Quem tem doença celíaca pode fazer fertilização in vitro?
Sim. Um estudo prospectivo com mulheres submetidas a FIV não encontrou diferenças importantes nos resultados de estimulação ovariana, fertilização e implantação entre participantes com e sem sorologia celíaca positiva.
Isis Valverde teve dificuldade para engravidar por causa da doença celíaca?
Não é possível afirmar. Isis relatou que a doença celíaca fez parte da investigação e que seu organismo estava desregulado, além de ter sido noticiada baixa reserva ovariana. Não há informações clínicas suficientes para estabelecer qual fator foi responsável pelas dificuldades de concepção.
Conclusão
O relato de Isis Valverde coloca em evidência uma dúvida importante para milhares de mulheres: ter doença celíaca pode dificultar o sonho de engravidar?
Pode haver uma relação, mas ela não é simples.
Alguns estudos encontraram doença celíaca com maior frequência entre mulheres com infertilidade inexplicada. Outros, utilizando critérios mais rigorosos de diagnóstico, encontraram prevalência semelhante à da população geral.
Há evidência mais consistente de que mulheres celíacas possam apresentar determinadas alterações menstruais. Por outro lado, a melhor síntese disponível não encontrou diferenças significativas em importantes marcadores hormonais, incluindo o AMH.
E existe talvez a informação mais importante de todas: mulheres com doença celíaca já diagnosticada e tratada não apresentam, de forma consistente, o mesmo aumento de problemas reprodutivos observado em alguns grupos com doença ainda não diagnosticada. Isso muda a perspectiva.
A doença celíaca não deve ser ignorada em uma investigação reprodutiva, principalmente quando há sintomas, anemia, alterações menstruais, histórico familiar ou infertilidade sem explicação.
Mas também não deveria ser transformada automaticamente na explicação para toda dificuldade de engravidar.
No caso de Isis, a doença celíaca faz parte de uma história clínica que pertence a ela e à sua equipe médica.
Para outras mulheres, o aprendizado é mais amplo: conhecer e tratar adequadamente a doença celíaca é uma parte importante da saúde da mulher, inclusive durante os anos reprodutivos. Mas fertilidade é multifatorial e merece uma investigação igualmente completa.
Referências Científicas e Fontes
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- Di Simone N, et al. Celiac disease and reproductive failures: an update on pathogenic mechanisms. Am J Reprod Immunol. 2021.
- O Globo. Isis Valverde prepara musical sobre Hilda Furacão e fala de planos para o segundo filho. 30 ago. 2026.
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