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Doença celíaca aumenta o risco de câncer e mortalidade? O que dizem os estudos

doença celíaca e câncer

Estudos populacionais identificam uma pequena elevação da mortalidade e maior ocorrência de alguns cânceres raros em pessoas com doença celíaca. Entenda quais são os riscos, por que o intestino delgado merece atenção e como a dieta sem glúten e o acompanhamento médico entram nessa história.

A doença celíaca não transforma a maioria das pessoas em pacientes oncológicos. Ainda assim, pesquisas de grande porte mostram uma elevação discreta da mortalidade por todas as causas e maior risco de alguns tumores raros, principalmente no intestino delgado e no sistema linfático.

A palavra-chave é perspectiva. Em uma coorte nacional da Suécia, 29 entre mais de 48 mil pessoas com doença celíaca desenvolveram adenocarcinoma do intestino delgado após o primeiro ano do diagnóstico: 0,06%. Entre pessoas sem doença celíaca usadas como grupo de comparação, foram 45 casos entre mais de 239 mil participantes: 0,02%.

Em outras palavras, o risco relativo foi cerca de três vezes maior entre celíacos, mas o tumor continuou raro nos dois grupos. Os autores estimaram aproximadamente um caso adicional de adenocarcinoma do intestino delgado a cada 2.944 pessoas com doença celíaca acompanhadas por dez anos.

Esses dados não justificam pânico, nem rastreamento oncológico indiscriminado. Eles reforçam a importância do diagnóstico oportuno, da dieta sem glúten rigorosa, da prevenção de contaminação cruzada e da reavaliação médica quando a recuperação não ocorre como esperado.

 

 

O que significa “grupo de comparação” nos estudos?

Em estudos científicos, o termo “controle” ou “grupo de comparação” não se refere a alguém em tratamento. São pessoas sem a condição investigada, acompanhadas para que os pesquisadores possam verificar se determinado desfecho ocorre com frequência maior, menor ou semelhante em quem tem a doença.

No estudo sueco sobre tumores do intestino delgado, cada pessoa com doença celíaca foi comparada a pessoas semelhantes da população geral, mas sem diagnóstico de doença celíaca. Os grupos foram pareados por fatores como idade, sexo e região de residência.

Assim, dizer que o adenocarcinoma ocorreu em 0,06% dos celíacos e em 0,02% do grupo de comparação não significa que 0,02% de toda a população sem doença celíaca terá esse tumor. É a frequência observada naquela população e naquele período de acompanhamento.

Essa explicação é essencial porque risco relativo e risco absoluto são diferentes. Um risco três vezes maior pode parecer muito elevado, mas, se o evento de partida é muito raro, o número de casos continua baixo.

 

 

A doença celíaca aumenta o risco de morte?

Sim, mas o aumento observado é pequeno em números absolutos. A maior coorte disponível reuniu 49.829 pessoas com doença celíaca na Suécia e 246.426 pessoas sem a doença no grupo de comparação. Durante mediana de 12,5 anos de acompanhamento, 6.596 pessoas celíacas morreram.

A mortalidade foi de 9,7 mortes por 1.000 pessoas-ano entre celíacos, ante 8,6 mortes por 1.000 pessoas-ano no grupo sem doença celíaca. A diferença absoluta foi de 1,2 morte a mais por 1.000 pessoas-ano; o risco relativo foi 21% maior, com HR de 1,21.

Para traduzir isso: se mil pessoas com doença celíaca e mil pessoas semelhantes sem a doença fossem acompanhadas por um ano, haveria, em média, cerca de uma morte adicional no primeiro grupo. Esse dado descreve uma associação populacional e não prevê o destino de cada paciente.

A pesquisa encontrou aumento de mortes por câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias, entre outras causas. Mas os pesquisadores não concluíram que a doença celíaca, isoladamente, explicasse cada morte adicional. Idade ao diagnóstico, duração da doença antes de ser reconhecida, gravidade inicial, deficiências nutricionais, doenças associadas e fatores de saúde individuais também podem contribuir.

Uma meta-análise de 2024 que reuniu 25 estudos também encontrou aumento modesto da mortalidade por todas as causas, com HR de 1,16, e da mortalidade por câncer, com HR de 1,21. A mortalidade por linfoma não Hodgkin teve aumento relativo importante, mas esse resultado se refere a um desfecho raro e apresentou grande variação entre os estudos incluídos. 

 

 

Quais cânceres têm associação mais consistente?

A doença celíaca não se associa da mesma forma a todos os tipos de câncer. O padrão mais consistente envolve tumores raros do intestino delgado e alguns linfomas. Já o câncer colorretal — cólon e reto — não apresenta aumento consistente nas grandes coortes e meta-análises.

Adenocarcinoma do intestino delgado

O intestino delgado é o órgão diretamente afetado pela doença celíaca. É nele que a resposta imune ao glúten pode causar inflamação e atrofia das vilosidades, pequenas estruturas responsáveis pela absorção de nutrientes.

Na coorte sueca, 0,06% das pessoas com doença celíaca desenvolveram adenocarcinoma do intestino delgado, contra 0,02% das pessoas do grupo de comparação. O risco relativo foi pouco mais de três vezes maior: HR 3,05, com intervalo de confiança de 95% de 1,86 a 4,99.

O dado que melhor ajuda a dimensionar o risco é o absoluto: aproximadamente um caso adicional para cada 2.944 pessoas celíacas acompanhadas por dez anos. Portanto, há uma associação que merece atenção clínica, mas o adenocarcinoma do intestino delgado continua sendo incomum.

Linfoma T associado à enteropatia

O linfoma T associado à enteropatia, conhecido pela sigla EATL, é um tipo raro e agressivo de linfoma que geralmente surge no intestino delgado. Ele é fortemente associado à doença celíaca, sobretudo quando há doença celíaca refratária — em especial a do tipo II.

Na população geral, o EATL é excepcionalmente raro: estimativas indicam cerca de 0,2 a 1 caso por milhão de pessoas por ano.

Esse número precisa ser comunicado com cuidado. O diagnóstico de doença celíaca, por si só, não significa que a pessoa esteja em alto risco individual de linfoma. O maior alerta é para uma parcela muito pequena dos pacientes que desenvolve doença celíaca refratária.

A doença celíaca refratária ocorre quando persistem ou voltam sintomas de má absorção e atrofia das vilosidades, apesar de dieta sem glúten comprovadamente rigorosa e depois de excluídas outras causas, incluindo ingestão involuntária de glúten. Fontes recentes indicam que ela afeta menos de 1% das pessoas com doença celíaca. Em uma investigação populacional, a prevalência foi de 0,31%, o equivalente a aproximadamente três casos a cada mil pessoas diagnosticadas.

Para aprofundar esse tema, leia: Doença celíaca refratária: quando a dieta sem glúten não é suficiente

Linfomas e outros tumores

Estudos de coorte também mostram maior risco de doenças linfoproliferativas e de alguns cânceres gastrointestinais. Na coorte sueca que avaliou 47.241 pessoas com doença celíaca, o risco de câncer em geral foi discretamente maior, com HR de 1,11.

Mas há uma informação decisiva: o excesso se concentrou no primeiro ano após o diagnóstico da doença celíaca. Nesse período, o HR para câncer foi 2,47. Depois do primeiro ano, o risco deixou de ser estatisticamente elevado, com HR de 1,01.

Uma explicação possível é o viés de detecção. O processo de investigação que leva ao diagnóstico de doença celíaca pode identificar, naquele mesmo período, doenças que já estavam presentes, inclusive tumores. A gravidade e a duração da doença não diagnosticada também podem contribuir para esse excesso inicial.

Por isso, seria incorreto escrever que a doença celíaca “causa câncer” de forma geral. A formulação mais precisa é que ela está associada a risco aumentado de tumores específicos e raros, especialmente no intestino delgado e no sistema linfático.

E o câncer colorretal?

É fundamental diferenciar câncer do intestino delgado de câncer colorretal, que envolve cólon e reto e é o tipo geralmente chamado pelo público de “câncer de intestino”.

Na doença celíaca, a associação mais consistente é com cânceres raros do intestino delgado e linfomas, não com câncer colorretal. A coorte sueca de 47.241 pessoas não identificou aumento relevante de câncer colorretal depois do primeiro ano de diagnóstico, e revisões sistemáticas sobre adenomas colorretais — lesões que podem preceder parte desses tumores — não encontraram prevalência maior em pessoas celíacas.

Isso não dispensa o rastreamento de câncer colorretal recomendado conforme idade, histórico familiar e outros fatores individuais. Mas a doença celíaca isoladamente não é motivo para antecipar esse rastreamento.

 

 

O que a dieta sem glúten tem a ver com esses riscos?

A dieta totalmente sem glúten é o único tratamento comprovado para a doença celíaca. Ela busca interromper a resposta imune desencadeada pelo glúten, favorecer a recuperação da mucosa intestinal, reduzir sintomas e corrigir deficiências nutricionais.

Uma coorte de adultos acompanhados em centros especializados ajuda a entender por que a dieta e o seguimento importam. Entre pessoas com atrofia vilositária persistente, a exposição continuada ao glúten — por adesão incompleta à dieta ou contaminação involuntária — foi apontada como causa de cerca de 80% dos casos. Os demais casos exigiram investigação para doença celíaca refratária e complicações pré-malignas ou malignas.

Esse dado exige contexto. Ele não significa que 20% das pessoas com doença celíaca tenham câncer, nem que 80% dos celíacos sigam a dieta de forma inadequada. A pesquisa foi feita em população de centros de referência, formada por adultos que precisaram de avaliação especializada por persistência de lesão intestinal ou sintomas.

Também não é correto culpar automaticamente a pessoa celíaca quando há persistência de sintomas ou de atrofia das vilosidades. A exposição ao glúten pode ser involuntária, ocorrer por contaminação cruzada ou estar relacionada a produtos e contextos difíceis de identificar: refeições fora de casa, utensílios e superfícies compartilhados, rótulos, medicamentos, suplementos e alimentos naturalmente sem glúten preparados em ambiente contaminado.

Leia mais: Contaminação cruzada com glúten: o perigo invisível para quem tem doença celíaca

A relação entre dieta sem glúten e risco oncológico também não deve ser simplificada. A manutenção da inflamação e da lesão intestinal tem plausibilidade biológica como parte do processo que, em uma minoria de casos, pode se relacionar a complicações graves. No entanto, os estudos observacionais não permitem afirmar que uma exposição isolada ao glúten ou uma falha alimentar específica cause câncer em uma pessoa determinada.

 

 

Riscos de não seguir a dieta e de não acompanhar a doença

Quando a pessoa com doença celíaca continua exposta ao glúten, a resposta imune pode permanecer ativa e manter a lesão no intestino delgado. Isso pode dificultar a recuperação das vilosidades, prolongar sintomas e comprometer a absorção de nutrientes.

Os problemas mais frequentes relacionados à doença celíaca ativa ou não adequadamente controlada não são cânceres. Em geral, estão ligados à má absorção, à inflamação persistente, a manifestações extraintestinais e à coexistência de outras doenças.

Possível consequência Como pode se relacionar à doença celíaca Leia mais
Anemia e deficiência de ferro A lesão do intestino delgado pode prejudicar a absorção de ferro e de outros nutrientes. A anemia também pode ser uma apresentação da doença celíaca ainda não diagnosticada. Doença celíaca e anemia
Outras deficiências nutricionais Ferro, folato, vitamina B12, vitamina D, cálcio e outros micronutrientes podem precisar de avaliação individual. Deficiências nutricionais na doença celíaca
Osteopenia, osteoporose e fraturas Má absorção, inflamação, baixa disponibilidade de cálcio e vitamina D e outros fatores podem afetar a massa óssea. Osteoporose como manifestação extraintestinal da doença celíaca
Alterações reprodutivas Doença ativa e deficiências nutricionais podem coexistir com irregularidades menstruais, infertilidade e complicações gestacionais, que exigem avaliação individual. Doença celíaca pode causar infertilidade? 
Doenças autoimunes associadas Pessoas celíacas podem apresentar outras doenças autoimunes, como tireoidite autoimune e diabetes tipo 1. Isso não significa que uma condição necessariamente cause a outra. Doenças autoimunes: o que são, quais são e as mais comuns
Complicações raras do intestino delgado Doença celíaca refratária, jejunoileíte ulcerativa, EATL e adenocarcinoma do intestino delgado exigem investigação especializada, mas são incomuns. Doença celíaca refratária: quando a dieta sem glúten não é suficiente

A presença de uma comorbidade não permite concluir que a pessoa “não fez a dieta direito”, nem que a doença celíaca seja a única causa do problema. O acompanhamento precisa ser individualizado e considerar sintomas, idade, exames, histórico familiar, padrão alimentar, medicamentos, saúde mental e outras condições clínicas.

 

 

Sintomas persistentes não significam automaticamente câncer

Persistência de diarreia, dor abdominal, distensão, fadiga, anemia ou perda de peso após o diagnóstico merece investigação. Mas esses sintomas não significam automaticamente câncer, doença celíaca refratária ou falha grave da dieta.

A doença celíaca não responsiva — quando os sintomas continuam mesmo após iniciar a alimentação sem glúten — é mais comum do que a doença celíaca refratária. As causas incluem consumo inadvertido de glúten, contaminação cruzada, diagnóstico inicial incorreto, intolerâncias alimentares, síndrome do intestino irritável, supercrescimento bacteriano, colite microscópica, insuficiência pancreática e outras doenças gastrointestinais.

A DCR é rara. Revisões descrevem prevalência entre 0,3% e 4%, uma faixa ampla que reflete diferenças de critérios diagnósticos e de populações estudadas. As atualizações clínicas mais recentes ressaltam que, na prática, a condição ocorre em menos de 1% das pessoas com doença celíaca.

Sinais que exigem reavaliação médica

Os sinais abaixo não confirmam câncer. No entanto, devem ser investigados por gastroenterologista, principalmente quando persistem, pioram ou surgem depois de um período de melhora:

  • Perda de peso não intencional.
  • Anemia por deficiência de ferro recorrente, persistente ou sem explicação.
  • Diarreia persistente, retorno de sintomas importantes ou sinais de má absorção.
  • Dor abdominal contínua, intensa ou progressiva.
  • Náuseas e vômitos persistentes.
  • Sangramento digestivo, fezes pretas ou presença de sangue nas fezes.
  • Febre sem causa definida, suor noturno ou fadiga intensa.
  • Distensão importante, sinais de obstrução intestinal ou piora rápida do estado geral.

A avaliação pode incluir revisão detalhada da dieta, sorologia, exames de sangue para deficiências nutricionais, endoscopia com biópsias e, se houver indicação clínica, exames de imagem ou avaliação em centro especializado.

Leia mais:

 

 

Como reduzir riscos e acompanhar a doença celíaca

Não existe uma medida única capaz de eliminar todos os riscos. O cuidado efetivo combina tratamento, prevenção de contaminação, correção de deficiências e acompanhamento individualizado.

  • Manter dieta sem glúten rigorosa e permanente.
  • Prevenir contaminação cruzada em casa, no trabalho, em restaurantes, escolas e viagens.
  • Ter acompanhamento regular com gastroenterologista e nutricionista com experiência em doença celíaca.
  • Monitorar sintomas, peso, anemia, deficiências nutricionais e saúde óssea conforme indicação médica.
  • Não normalizar anemia persistente, perda de peso não intencional ou sintomas digestivos que não melhoram.
  • Seguir os rastreamentos recomendados para idade, sexo, histórico familiar e demais fatores de risco.
  • Não iniciar nem suspender dieta sem glúten antes da investigação diagnóstica sem orientação profissional, pois isso pode alterar os resultados dos exames.

O seguimento após o diagnóstico deve ser definido de acordo com o quadro clínico. Nem toda pessoa precisa repetir endoscopia de rotina, mas sintomas persistentes, alterações laboratoriais, suspeita de exposição contínua ao glúten ou perda de resposta ao tratamento podem mudar a conduta.

 

 

Conclusão

A doença celíaca está associada, em estudos populacionais, a uma pequena elevação da mortalidade e a maior risco de alguns cânceres raros. Os tumores com associação mais consistente são o adenocarcinoma do intestino delgado e determinados linfomas, especialmente em contextos de doença persistente ou refratária.

Isso não significa que câncer seja uma evolução esperada da doença celíaca. No maior estudo sobre adenocarcinoma do intestino delgado, o tumor ocorreu em 0,06% das pessoas celíacas acompanhadas, em comparação com 0,02% das pessoas semelhantes sem doença celíaca.

A principal mensagem é prática: tratar a doença de forma segura, excluir o glúten, prevenir contaminação cruzada, corrigir deficiências nutricionais e investigar sintomas que persistem. Em vez de pânico, os dados pedem informação precisa, acompanhamento e atenção aos sinais que fogem do esperado.

 

 

FAQ – Perguntas frequentes

A doença celíaca pode causar câncer?

A doença celíaca está associada a maior risco de alguns cânceres raros, principalmente adenocarcinoma do intestino delgado e determinados linfomas. Isso não quer dizer que câncer seja uma consequência comum da doença celíaca, nem que todas as pessoas celíacas terão esse diagnóstico.

O risco absoluto permanece baixo. Na grande coorte sueca, o adenocarcinoma do intestino delgado ocorreu em 0,06% das pessoas com doença celíaca, contra 0,02% das pessoas semelhantes sem a doença.

Quem tem doença celíaca tem mais câncer de intestino?

Depende do que se chama de “câncer de intestino”. Há evidência de aumento de risco para adenocarcinoma raro do intestino delgado, que é o órgão diretamente afetado pela doença celíaca.

Já para câncer colorretal — cólon e reto — grandes coortes e revisões sistemáticas não demonstram aumento consistente do risco entre pessoas celíacas.

O que acontece se a doença celíaca não for tratada?

A exposição contínua ao glúten mantém ativa a resposta imune e pode perpetuar inflamação, atrofia das vilosidades e má absorção. As consequências mais comuns incluem sintomas gastrointestinais, anemia, deficiência de ferro e outros nutrientes, fadiga e alterações da saúde óssea.

Complicações graves, como doença celíaca refratária, linfoma T associado à enteropatia e adenocarcinoma do intestino delgado, são incomuns. Ainda assim, sintomas persistentes devem ser investigados em vez de serem considerados “normais”.

Não seguir a dieta sem glúten aumenta o risco de câncer?

A exposição continuada ao glúten pode manter a inflamação e o dano da mucosa intestinal. Em uma coorte de adultos atendidos em centros especializados, ela foi apontada como causa de cerca de 80% dos casos de atrofia vilositária persistente.

No entanto, os estudos disponíveis não permitem afirmar que uma exposição específica, ou uma falha pontual na dieta, cause câncer em uma pessoa determinada. A relação entre inflamação intestinal persistente, doença celíaca refratária e complicações malignas é complexa e envolve outros fatores clínicos.

Qual é o risco de doença celíaca refratária?

A doença celíaca refratária é rara e, em geral, afeta menos de 1% das pessoas com doença celíaca. Em um estudo populacional, sua prevalência foi de 0,31%, o equivalente a cerca de três pessoas a cada mil diagnosticadas.

Ela não deve ser confundida com sintomas persistentes após começar a dieta sem glúten. Antes desse diagnóstico, é necessário investigar exposição involuntária ao glúten, contaminação cruzada, outras intolerâncias, diagnósticos alternativos e comorbidades.

Qual órgão é afetado pela doença celíaca?

A doença celíaca afeta principalmente o intestino delgado. Em pessoas geneticamente predispostas, o glúten desencadeia uma resposta imune que pode causar inflamação e atrofia das vilosidades intestinais, comprometendo a absorção de nutrientes.

Porém, a doença pode se manifestar além do aparelho digestivo. Anemia, fadiga, osteopenia, osteoporose, alterações neurológicas, lesões de pele e alterações reprodutivas estão entre as possíveis manifestações extraintestinais.

Como saber se sintomas persistentes indicam contaminação, DCR ou outra doença?

Não é possível saber apenas pelos sintomas. A investigação costuma começar pela revisão detalhada da dieta e de possíveis fontes de contaminação cruzada. Também pode incluir sorologia, avaliação de deficiências nutricionais, endoscopia com biópsias e exames de imagem, quando houver indicação clínica.

A doença celíaca refratária só deve ser considerada depois de confirmar que a dieta está de fato livre de glúten e de excluir outras causas de lesão intestinal ou sintomas persistentes.

Doença celíaca é grave?

A doença celíaca é uma condição autoimune crônica que exige tratamento permanente, mas a maioria das pessoas pode ter boa qualidade de vida com uma dieta sem glúten segura e acompanhamento adequado.

Ela se torna mais preocupante quando permanece sem diagnóstico, quando há ingestão contínua de glúten, deficiências nutricionais não tratadas ou sintomas persistentes que não são avaliados. A existência de complicações raras não deve gerar medo, mas reforçar a necessidade de cuidado consistente.

 

 

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Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. As informações apresentadas não substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada. Esta matéria foi elaborada com base em artigos científicos indexados no PubMed e outros artigos científicos, além de diretrizes internacionais e revisões de alto nível de evidência. Pessoas com perda de peso não intencional, anemia persistente, sangramento digestivo, dor intensa, febre recorrente, suor noturno ou piora rápida do estado geral devem procurar atendimento médico. O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Eu Celíaca©. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original.

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