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Negócios sem glúten ganham prêmios e destaque na gastronomia brasileira

negócios sem glúten

Negócios sem glúten estão conquistando espaço em premiações de gastronomia e empreendedorismo pelo Brasil. Confeitarias, padarias e outros estabelecimentos especializados vêm acumulando títulos e chegando ao pódio em diferentes regiões do país.

Em São Paulo, uma confeitaria 100% sem glúten acumulou três títulos consecutivos e voltou ao pódio em 2026. Em Curitiba, estabelecimentos aptos para celíacos ganharam uma categoria própria no Prêmio Bom Gourmet. No Rio Grande do Norte e no interior paulista, empreendedoras ligadas à alimentação inclusiva também chegaram ao pódio do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.

Os reconhecimentos têm naturezas diferentes, mas ajudam a contar uma mesma história: a gastronomia sem glúten está sendo reconhecida por sabor, técnica, criatividade, qualidade e capacidade de empreender.

Mais do que atender pessoas com restrições alimentares, esses negócios mostram que a gastronomia sem glúten pode competir em qualidade e sabor com a gastronomia convencional. Alguns disputam premiações gerais ao lado de estabelecimentos que trabalham com produtos com glúten e, ainda assim, conquistam o primeiro lugar ou chegam ao pódio.

É o caso da Amay Patisserie, eleita por três anos consecutivos a Melhor Doceria de São Paulo pela VEJA São Paulo Comer & Beber e novamente premiada em 2026.

Nesta reportagem, o Eu Celíaca reúne negócios brasileiros que vêm se destacando em diferentes premiações, conta suas histórias, apresenta produtos que chamam a atenção de clientes e jurados e mostra como o sem glúten vem ocupando um novo lugar na gastronomia brasileira.

 

 

Do nicho ao reconhecimento: o sem glúten ganha espaço entre os premiados

Negócios especializados em alimentos sem glúten vêm aparecendo entre vencedores e finalistas de importantes premiações brasileiras. Alguns são avaliados em categorias específicas, enquanto outros concorrem diretamente com estabelecimentos convencionais.

A Amay Patisserie, por exemplo, foi eleita Melhor Doceria pela VEJA São Paulo Comer & Beber por três anos consecutivos e ficou em 2º lugar entre as melhores confeitarias do Prêmio SP Gastronomia 2026.

No empreendedorismo, Flor do Campo e Elas Vida Leve também chegaram ao pódio do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios.

Negócio Cidade Reconhecimento
Amay Patisserie São Paulo (SP) Melhor Doceria da VEJA São Paulo Comer & Beber em 2023, 2024 e 2025; 2º lugar em Melhor Confeitaria no Prêmio SP Gastronomia 2026
Casa di Pão Curitiba (PR) Vencedora da categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco do Prêmio Bom Gourmet 2026
Suli Confeitaria Curitiba (PR) Vencedora da categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco em 2025 e novamente finalista em 2026
Flor do Campo Cozinha Saudável Olímpia (SP) 2º lugar na categoria MEI da etapa paulista do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026
Elas Vida Leve Currais Novos (RN) 3º lugar nacional na categoria Pequenos Negócios do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025
Christine Valente Sem Glúten Curitiba (PR) Finalista da categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco do Bom Gourmet em 2025 e 2026
Donana Confeitaria Artesanal Curitiba (PR) Finalista da categoria em 2025 e 2026
A Fada dos Bolos Curitiba (PR) Finalista da categoria em 2025 e 2026

O próprio Prêmio Bom Gourmet explica que sua premiação anual reconhece estabelecimentos, comidas, menus, chefs, iniciativas, negócios e histórias ligados à gastronomia. Em 2026, cinco negócios disputaram a categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco: Casa di Pão, Suli Confeitaria, A Fada dos Bolos, Christine Valente Sem Glúten e Donana Confeitaria Artesanal. A vencedora foi a Casa di Pão.

 

 

Amay: sem glúten e três vezes eleita a melhor doceria de São Paulo

A trajetória da Amay Patisserie, da chef Aya Tamaki, talvez seja o exemplo mais emblemático dessa mudança.Em 2023, 2024 e 2025, a confeitaria foi eleita Melhor Doceria de São Paulo pela VEJA São Paulo Comer & Beber. O detalhe que torna o feito especialmente relevante para esta reportagem é que não se tratava de uma categoria destinada a produtos sem glúten. A Amay concorreu no universo da confeitaria paulistana e venceu por três anos consecutivos.

Em 2026, veio outro reconhecimento. No Prêmio SP Gastronomia, a Amay conquistou o 2º lugar na categoria Melhor Confeitaria, atrás da Luiza Lafer Confeitaria e à frente da Confeitaria Marilia Zylbersztajn. A seleção foi feita por jurados da área gastronômica.

A Amay trabalha com confeitaria de inspiração japonesa e francesa, com doces delicados e pouco açucarados. A VEJA São Paulo destaca, entre as criações, o choux cream, com creme légère de baunilha, e o entremet vegano de chocolate com abacaxi, shissô e geleia de mirtilo.

Em 2026, guias gastronômicos também destacaram opções como tiramisu de matchá e tortinha de chocolate com shissô. Todos os doces são 100% sem glúten.

A recepção dos consumidores acompanha os prêmios. Em consulta realizada em setembro de 2026, a Amay aparecia com nota 4,7 de 5 no Google, com mais de 950 avaliações. Entre os itens frequentemente elogiados estão bolo de morango, choux, tiramisu e doces de influência franco-japonesa.

Para pessoas com doença celíaca, há outro diferencial: fontes especializadas descrevem a confeitaria como 100% sem glúten, com cozinha dedicada e sem entrada de farinha de trigo, centeio ou cevada no estabelecimento. Instagram: @amay.doces

 

 

Casa di Pão: fermentação natural sem glúten chega ao primeiro lugar

Em Curitiba, a Casa di Pão conquistou em 2026 o primeiro lugar da categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco do Prêmio Bom Gourmet. A padaria já havia sido indicada na mesma categoria em 2025.

A história começou depois que Michelle Ambos recebeu diagnóstico de sensibilidade não celíaca ao glúten e passou a preparar os próprios pães. Durante a pandemia, após ficar desempregada, começou a vender para vizinhos. A produção cresceu até dar origem, segundo o Bom Gourmet, à primeira padaria de fermentação natural sem glúten de Curitiba.

A fermentação natural é justamente o coração da casa. Além dos pães, o cardápio inclui massa artesanal para pizza e o tradicional sonho de padaria, produtos que remetem à experiência das padarias convencionais, mas produzidos sem glúten.

Nas avaliações dos consumidores, aparecem também pizzas, biscoitos, brownies e bolos. Em setembro de 2026, a Casa di Pão tinha nota 4,8 de 5 no Google, segundo agregador de avaliações. Os comentários destacam principalmente os pães, a pizza, o atendimento e a possibilidade de encontrar produtos de padaria sem glúten.

A conquista no Bom Gourmet tem um significado adicional para os celíacos: a Casa di Pão venceu justamente a categoria “Locais sem Glúten com Selo Celíaco” do Prêmio Bom Gourmet. Instagram: @casadipao

 

 

Suli: campeã em 2025 e novamente finalista em 2026

A Suli Confeitaria e Padaria Funcional, de Curitiba, conquistou a categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco do Prêmio Bom Gourmet em 2025. No ano seguinte, voltou a figurar entre as cinco finalistas.

Segundo o Bom Gourmet, a Suli nasceu da necessidade de uma família excluir glúten e leite animal da alimentação por motivos de saúde. Hoje, o estabelecimento informa que todo o cardápio é isento desses componentes e de contaminação cruzada, permitindo o atendimento de pessoas com doença celíaca, APLV e intolerância à lactose.

A proposta vai além de doces. Há pães, salgados, refeições, bolos e tortas. Entre as avaliações de consumidores aparecem elogios à Marta Rocha sem glúten e sem lactose, torta de pecã, torta de limão, brownie e pão de gergelim. Clientes também destacam a amplitude do cardápio para quem possui restrições alimentares.

Uma das unidades da marca aparecia em setembro de 2026 com nota 4,9 de 5 no Google e quase 300 avaliações, segundo agregador consultado. Coxinhas, brownies e outros itens aparecem entre os produtos mencionados pelos consumidores.

O próprio perfil oficial da Suli resume sua proposta em três características: sem glúten, sem leite animal e sem contaminação cruzada.  Instagram: @suliconfeitaria

 

 

Flor do Campo: da alimentação inclusiva ao pódio do Sebrae em São Paulo

Em Olímpia, no interior paulista, o reconhecimento veio pelo empreendedorismo.

A Flor do Campo Cozinha Saudável, comandada por Iolanda Feitosa, conquistou em 10 de setembro, ontem, o 2º lugar na categoria Microempreendedora Individual (MEI) da etapa paulista do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026, resultado divulgado pela própria empresa após a cerimônia.

A história da Flor do Campo começou a partir da experiência pessoal de Iolanda. Segundo o Sebrae-SP, uma restrição alimentar severa levou a empreendedora a retirar glúten, lácteos, açúcar e ultraprocessados da alimentação. A busca por alternativas que preservassem memórias afetivas ligadas à comida resultou nas primeiras receitas inclusivas compartilhadas nas redes sociais.

O caminho até o negócio atual teve dificuldades. Depois de enfrentar um golpe financeiro durante a estruturação da empresa, Iolanda participou, em 2024, de capacitação em gestão do programa Olímpia Empreendedora. A Flor do Campo cresceu, representou o município no Taste São Paulo Festival e criou o Flor do Campo Encontro Vegano, voltado à conexão de produtores da região.

Em 2026, o restaurante também participou do primeiro Festival Gastronômico Sabores de Olímpia. Para o evento, apresentou o Raízes do Brasil, um escondidinho de mandioca com ragu de jaca, em uma competição que reuniu 16 estabelecimentos da cidade.

Para o público celíaco, há uma informação particularmente importante: de acordo com o Sebrae-SP, a cafeteria opera com cozinha exclusiva sem contaminação cruzada, destinada a garantir a segurança das pessoas com restrições alimentares.

O reconhecimento estadual coloca a Flor do Campo entre os exemplos de negócios que transformaram a alimentação inclusiva não apenas em produto, mas em projeto empreendedor. Instagram: @flordocampo_cozinhasaudavel

 

 

Elas Vida Leve: pães sem glúten chegam ao pódio nacional

O reconhecimento da alimentação sem glúten no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios não começou em 2026.

Um ano antes, Lua Andrade Alcântara de Carvalho, da Elas Vida Leve, de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, conquistou o 3º lugar nacional na categoria Pequenos Negócios. A final de 2025 reuniu 35 empreendedoras selecionadas entre mais de 5 mil inscritas no país.

A Elas Vida Leve, comandada por Lua e pela sócia-fundadora Aby Quirino, é especializada em pães artesanais sem glúten, sem lactose e sem açúcar, produzidos com fermentação natural. A empresa mantém linhas vegana, fit e gourmet.

Segundo o Sebrae-RN, a produção acontece em Currais Novos e chega a pontos de venda no Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. A empresa utiliza 90% de fornecedores locais ligados à agricultura familiar e orgânica e tem 87% da mão de obra formada por mulheres.

É um caso particularmente interessante porque leva a panificação artesanal sem glúten para além da discussão gastronômica: o negócio chegou ao pódio nacional de uma das principais premiações de empreendedorismo feminino do país. Instagram: @elasvidaleve

 

 

Curitiba reúne outros três finalistas na categoria do Bom Gourmet

A categoria do Prêmio Bom Gourmet mostra que os casos da Casa di Pão e da Suli não estão isolados. Em 2026, outros três negócios de Curitiba chegaram à final: Christine Valente Sem Glúten, Donana Confeitaria Artesanal e A Fada dos Bolos.

Christine Valente Sem Glúten: da experiência como celíaca às pizzas premiadas

Chef de cozinha, nutricionista e confeiteira, Christine Valente Kunze convive com a doença celíaca há mais de duas décadas. A própria experiência com a restrição alimentar contribuiu para a criação de uma fábrica especializada em pizzas e massas sem glúten.

Além das pizzas, a loja reúne massas, lasanhas, sopas e produtos como pães, salgados, doces e biscoitos. Em 2026, as pizzas da marca também chegaram às geladeiras de unidades do supermercado Festval, em Curitiba.

Segundo a Tribuna do Paraná, os produtos são certificados pela Associação dos Celíacos do Paraná (Acelpar) e a produção segue critérios destinados a evitar contaminação cruzada.

Nas avaliações online, a marca aparece com notas próximas de 4,8 de 5, e pizza e pão de queijo estão entre os itens elogiados pelos consumidores.  Instagram: @cvksemgluten

Donana: confeitaria sem glúten que nasceu entre mãe e filha

A Donana Confeitaria Artesanal nasceu da relação de mãe e filha com a cozinha. Ana Carolina cresceu acompanhando a mãe e a avó preparando receitas para a família e levou essa memória para a confeitaria. A intolerância da mãe ao leite também influenciou a proposta do negócio, cujo cardápio é sem glúten e sem leite animal.

Entre os produtos apontados pelo Bom Gourmet como sucessos da casa estão a Torta Trèschic, o bombom de morango vegano e os Almendrados, biscoitos de inspiração portuguesa. A confeitaria também produz bolos, tortas, salgados e doces.

Em setembro de 2026, a Donana aparecia com nota 4,9 de 5 no Google e cerca de 250 avaliações, segundo agregador consultado. Os consumidores destacam bolos, doces, café e o ambiente da confeitaria.

A própria Donana informa possuir selo da ACELPAR. Instagram: @donanadoces

A Fada dos Bolos: confeitaria 100% apta para celíacos

Criada em 2020, A Fada dos Bolos também chegou à final do Bom Gourmet em 2026. Segundo o guia da própria premiação, a confeitaria é 100% apta para celíacos e trabalha com opções sem glúten, sem lactose, sem proteína do leite e veganas.

Sob o comando da chef pâtissier Daiana Giselli Domingues, um dos destaques da casa é o Bolo Trufado de Ninho com Morango, apontado pelo Bom Gourmet como um dos sucessos entre os clientes.

A presença entre os finalistas completa um cenário particularmente interessante em Curitiba: cinco estabelecimentos especializados em alimentação sem glúten disputando uma categoria própria do Prêmio Bom Gourmet voltada a locais com certificação para atendimento de pessoas com doença celíaca.  Instagram: @afadadosbolos

 

 

Por que fazer um bom pão ou bolo sem glúten exige tanta técnica?

O reconhecimento desses estabelecimentos também ajuda a mostrar quanto conhecimento existe por trás de um bom produto sem glúten.

Na panificação convencional, o glúten forma uma rede proteica que contribui para elasticidade, estrutura e retenção dos gases produzidos durante a fermentação. Quando trigo, centeio e cevada são retirados, essas propriedades precisam ser obtidas por outras combinações de ingredientes e processos.

Uma revisão sistemática sobre formulações de pão sem glúten identificou inicialmente 259 estudos e selecionou 43 que atendiam ao critério de volume específico definido pelos pesquisadores. Entre as formulações estudadas estavam diferentes combinações de farinhas, amidos, proteínas, enzimas e hidrocoloides. Os autores destacaram, porém, que apenas três dos 43 trabalhos apresentavam baixo risco de viés e que volume sozinho não define um bom pão: textura, aparência, propriedades sensoriais e vida útil também são importantes.

Outras revisões mostram que ingredientes como psyllium, goma xantana, goma guar e hidroxipropilmetilcelulose (HPMC), além de proteínas, enzimas e diferentes técnicas de fermentação, podem contribuir para características como volume, retenção de água, maciez e estrutura.

Isso ajuda a entender por que uma boa confeitaria ou panificação sem glúten não consiste simplesmente em retirar a farinha de trigo de uma receita tradicional. Há formulação, conhecimento técnico, escolha de ingredientes e domínio de processos.

E os estabelecimentos premiados nesta reportagem mostram o que pode acontecer quando essa técnica encontra criatividade gastronômica.

 

 

Premiações ajudam a mudar a percepção sobre o sabor dos alimentos sem glúten

O estigma de que comida sem glúten é seca, quebradiça ou menos saborosa não surgiu sem motivo.Em um estudo brasileiro com 91 pessoas com doença celíaca, publicado em 2014, 71% dos participantes relataram dificuldade moderada ou alta para encontrar produtos sem glúten. Textura e variedade estavam relacionadas à insatisfação, e as características sensoriais figuravam entre os fatores importantes na escolha dos alimentos.

Estudos mais recentes mostram um cenário com nuances. Em uma pesquisa com 89 consumidores sem doença celíaca, que avaliaram 12 cookies comerciais, sete sem glúten e cinco com glúten, os produtos sem glúten avaliados receberam notas menores, em média, para sabor, textura e aceitação geral.

Outro estudo de 2025, com 84 participantes sem doença celíaca, encontrou algo importante: o desempenho variou de acordo com o produto e alguns cookies sem glúten conseguiram competir sensorialmente com versões contendo glúten.Esses estudos não permitem dizer que todo produto sem glúten alcançou a mesma qualidade sensorial dos convencionais. Mas mostram por que formulação, técnica e execução fazem diferença.

É justamente nesse ponto que as premiações reunidas nesta reportagem chamam atenção.

A Amay não recebeu três títulos consecutivos porque era a melhor doceria “sem glúten”. Foi escolhida como Melhor Doceria. Em 2026, voltou a disputar uma categoria geral e terminou em segundo lugar entre as melhores confeitarias do Prêmio SP Gastronomia.

Casa di Pão e Suli conquistaram o público em uma categoria voltada a estabelecimentos com Selo Celíaco. Flor do Campo e Elas Vida Leve levaram negócios ligados à alimentação inclusiva ao pódio do empreendedorismo estadual e nacional.São reconhecimentos diferentes, mas que ajudam a enfraquecer uma ideia antiga: sem glúten não precisa significar sem sabor.

 

 

Atenção, celíacos

Há mais um motivo para comemorar. Vários dos negócios reunidos nesta reportagem não se destacam apenas pelo sabor ou pelos prêmios: também trabalham especificamente para atender pessoas com doença celíaca.

Suli informa produção sem contaminação cruzada; Casa di Pão, Christine Valente, Donana e A Fada dos Bolos aparecem na categoria do Bom Gourmet destinada a locais com Selo Celíaco; a Flor do Campo mantém, segundo o Sebrae-SP, cozinha exclusiva contra contaminação cruzada; e a Amay é descrita como confeitaria 100% sem glúten e com cozinha dedicada.

No caso da Elas Vida Leve, as fontes consultadas confirmam a produção de pães artesanais sem glúten, mas o Eu Celíaca não encontrou, até a publicação desta reportagem, documentação suficiente para classificar o ambiente de produção segundo nossos critérios de segurança para celíacos.

 

 

Quando o sem glúten deixa de ser substituição e vira gastronomia

Talvez esse seja o aspecto mais interessante de todos esses reconhecimentos.

Durante muito tempo, o produto sem glúten foi apresentado principalmente como substituto: o pão para quem não podia comer pão de trigo, o bolo para quem não podia comer o bolo convencional, a pizza para quem precisava ficar de fora da pizza dos amigos.

Os negócios reunidos nesta reportagem ajudam a contar outra história.

confeitaria franco-japonesa, fermentação natural, choux cream, tiramisu de matchá, torta Marta Rocha, pizza artesanal, doces finos, bolos de festa, massas, produtos veganos e receitas autorais.

E alguns desses alimentos estão sendo avaliados lado a lado com produtos que contêm glúten.

Quando uma confeitaria 100% sem glúten é escolhida por três anos consecutivos como a melhor doceria de São Paulo, o reconhecimento deixa de ser apenas sobre inclusão alimentar. Passa a ser também sobre gastronomia.

Para quem tem doença celíaca, há algo especialmente simbólico nisso: poder entrar em um estabelecimento seguro não apenas porque ali existe “algo que pode comer”, mas porque aquele lugar também é conhecido por produzir comida que outras pessoas querem comer.

 

 

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FAQ – Perguntas frequentes

Comida sem glúten pode ser tão saborosa quanto comida com glúten?

Pode. A ausência do glúten cria desafios tecnológicos, especialmente em pães e produtos de confeitaria, mas técnicas de formulação, diferentes farinhas e amidos, fibras, proteínas, hidrocoloides e fermentação permitem desenvolver produtos com características sensoriais de alta qualidade. Estudos mostram grande variação entre produtos, e alguns sem glúten conseguem competir sensorialmente com versões convencionais.

Existem confeitarias sem glúten premiadas no Brasil?

Sim. A Amay Patisserie, de São Paulo, foi eleita Melhor Doceria pela VEJA São Paulo Comer & Beber em 2023, 2024 e 2025. Em 2026, ficou em 2º lugar na categoria Melhor Confeitaria do Prêmio SP Gastronomia. Em Curitiba, Suli, Casa di Pão, Christine Valente Sem Glúten, Donana e A Fada dos Bolos também foram reconhecidas pelo Prêmio Bom Gourmet.

A Amay concorreu apenas com confeitarias sem glúten?

Não. Esse é justamente um dos aspectos mais relevantes de sua trajetória. Os títulos de Melhor Doceria da VEJA São Paulo Comer & Beber e o 2º lugar em Melhor Confeitaria do Prêmio SP Gastronomia são de categorias gastronômicas gerais, nas quais a Amay concorre com estabelecimentos que também trabalham com produtos contendo glúten.

Qual estabelecimento venceu a categoria sem glúten do Bom Gourmet em 2026?

A Casa di Pão, de Curitiba, foi a vencedora da categoria Locais sem Glúten com Selo Celíaco do Prêmio Bom Gourmet 2026. A Suli havia conquistado o primeiro lugar em 2025.

Esses estabelecimentos são aptos para pessoas com doença celíaca?

Nos estabelecimentos em que foi possível documentar essa informação, sim. Suli, Casa di Pão, Christine Valente, Donana, A Fada dos Bolos, Flor do Campo e Amay possuem informações documentadas sobre produção dedicada, prevenção de contaminação cruzada e/ou certificação voltada ao atendimento seguro de pessoas com doença celíaca. Para a Elas Vida Leve, o Eu Celíaca confirmou a produção sem glúten, mas não encontrou documentação suficiente sobre o ambiente de produção para classificá-la segundo seus critérios de segurança.

Por que é difícil fazer pão sem glúten?

Porque o glúten participa da estrutura e elasticidade da massa e ajuda a reter os gases produzidos durante a fermentação. Na panificação sem glúten, essas propriedades precisam ser reconstruídas por meio de combinações de farinhas, amidos, fibras, proteínas, hidrocoloides e técnicas de fermentação.

É possível fazer pão sem glúten com fermentação natural?

Sim. A fermentação natural também pode ser utilizada na panificação sem glúten. A Casa di Pão, vencedora do Bom Gourmet 2026, e a Elas Vida Leve, 3º lugar nacional no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2025, estão entre os negócios brasileiros que trabalham com pães sem glúten de fermentação natural.

Existem negócios sem glúten premiados fora das grandes capitais?

Sim. A Flor do Campo fica em Olímpia, no interior de São Paulo, e conquistou o 2º lugar estadual na categoria MEI do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026. A Elas Vida Leve nasceu em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, e chegou ao 3º lugar nacional da premiação em 2025.

 

 

Conclusão

São Paulo, Curitiba, Olímpia e Currais Novos. Confeitarias, padarias, restaurantes e fabricantes. Prêmios de gastronomia e de empreendedorismo. Os negócios reunidos nesta reportagem têm histórias e propostas diferentes, mas compartilham algo importante: estão ajudando a ampliar o lugar ocupado pela alimentação sem glúten no Brasil.

Alguns já não concorrem apenas entre estabelecimentos especializados em restrições alimentares. Disputam com produtos que contêm glúten e são escolhidos por jurados e consumidores como alguns dos melhores de suas cidades.

Para pessoas com doença celíaca, esse reconhecimento tem um significado que vai além do troféu.

Durante muito tempo, comer sem glúten esteve associado à ideia de abrir mão de textura, variedade e sabor. A ciência explica por que produzir determinados alimentos sem a rede de glúten é tecnicamente mais difícil. Mas a gastronomia brasileira está mostrando, na prática, o quanto técnica, conhecimento e criatividade podem transformar esse desafio.

Quando uma confeitaria 100% sem glúten é eleita três vezes consecutivas a melhor doceria de São Paulo, uma padaria de fermentação natural conquista um prêmio gastronômico, estabelecimentos aptos para celíacos chegam repetidamente às finais e empreendedoras da alimentação inclusiva sobem ao pódio estadual e nacional, o velho estigma de que comida sem glúten é comida sem sabor começa a ficar no passado.

E talvez essa seja a melhor notícia desta reportagem: o sem glúten pode ser seguro, inclusivo e, ao mesmo tempo, gastronomia digna de prêmio.

 

 

Referências científicas e fontes

  1. Nascimento AB, Fiates GMR, Anjos A, Teixeira E. Gluten-free is not enough: perception and suggestions of celiac consumers. Int J Food Sci Nutr. 2014;65(4):394-398.
  2. Romão B, Botelho RBA, Alencar ER, et al. A systematic review on gluten-free bread formulations using specific volume as a quality indicator. Foods. 2021;10(3).
  3. Salehi F. Improvement of gluten-free bread and cake properties using natural hydrocolloids: a review. Food Sci Nutr. 2019.
  4. Current status and future prospects of sensory and consumer research approaches to gluten-free bakery and pasta products. Food Res Int. 2023.
  5. Comparison analyses of consumer acceptance, evoked emotions, and purchase intent between gluten-containing versus gluten-free chocolate chip cookie products. J Food Sci. 2025.
  6. Variations in sensory and emotional responses to gluten-containing and gluten-free cookie products under blind and labeled conditions. J Food Sci. 2025.
  7. VEJA São Paulo. Amay Patisserie, a Melhor Doceria de SP, é dedicada a receitas sem glúten. 11 set 2025.
  8. Prêmio SP Gastronomia. Conheça os vencedores do Prêmio SP Gastronomia 2026.
  9. Bom Gourmet. Casa di Pão sem glúten – Curitiba. Prêmio Bom Gourmet 2026.
  10. Bom Gourmet. Suli Confeitaria – Água Verde. Prêmio Bom Gourmet 2025 e 2026.
  11. Bom Gourmet. Locais sem Glúten com Selo Celíaco – Prêmio Bom Gourmet 2026.
  12. Sebrae-SP. Empreendedoras de Rio Preto e Olímpia disputam final estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. 2026.
  13. Prefeitura de Olímpia. 1º Festival Sabores de Olímpia revela cardápio oficial com 16 receitas exclusivas com mandioca. 2026.
  14. Sebrae-RN. Empreendedora potiguar conquista terceiro lugar nacional no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios. 31 out 2025.
  15. Bom Gourmet. Christine Valente Sem Glúten.
  16. Tribuna do Paraná. Empresária produz pizzas sem glúten e conquista supermercado prime em Curitiba. 23 mar 2026.
  17. Bom Gourmet. Donana Confeitaria Artesanal.
  18. Donana Confeitaria Artesanal. Informações sobre produção e Selo Acelpar.
  19. Bom Gourmet. A Fada dos Bolos.
  20. A Systematic Review on Gluten-Free Bread Formulations Using Specific Volume as a Quality Indicator – PubMed
  21. Improvement of gluten-free bread and cake properties using natural hydrocolloids: A review – PubMed
  22. Problems and Approaches in the Improvement of Gluten-Free Bread Texture: A Comprehensive Review – PubMed

 

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. As informações apresentadas não substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada. O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Eu Celíaca©. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original. 

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