Pesquisa com adultos que já tinham doença celíaca confirmada por biópsia encontrou pelo menos uma deficiência nutricional em 93,1% dos participantes. Vitamina D foi a alteração mais frequente, seguida por folato, ferro e vitamina B12. O resultado reforça uma mensagem positiva e prática: além de retirar o glúten, acompanhar a saúde nutricional permite identificar e corrigir alterações que podem permanecer mesmo anos depois do diagnóstico.
Retirar o glúten é o tratamento da doença celíaca, mas isso não significa automaticamente que todas as vitaminas e minerais estejam em níveis adequados.
Um estudo prospectivo publicado em outubro de 2026 na revista Medicine encontrou pelo menos uma deficiência de micronutrientes em 93,1% de 102 adultos com doença celíaca confirmada por biópsia.
Mais da metade apresentava duas ou mais deficiências simultaneamente.
O dado chama atenção, mas há uma informação que torna a pesquisa ainda mais interessante: essas pessoas não estavam recebendo o diagnóstico naquele momento. Em média, conviviam havia 6,3 anos com o diagnóstico e seguiam uma dieta sem glúten havia 5,2 anos.
Portanto, o trabalho não mostra apenas o que pode acontecer antes do tratamento, mas reforça a importância de continuar olhando para o estado nutricional durante o acompanhamento de longo prazo.
A boa notícia é justamente essa. Deficiências de vitaminas e minerais podem ser investigadas por exames laboratoriais, acompanhadas e, quando necessário, corrigidas de maneira individualizada. Em vez de interpretar os números como motivo para preocupação, eles ajudam a entender melhor o que vale a pena monitorar depois do diagnóstico da doença celíaca.
Quais foram as deficiências mais encontradas?
A pesquisa acompanhou 102 adultos com doença celíaca previamente diagnosticada e confirmada por biópsia, atendidos em um ambulatório na Turquia. A idade média era de 36,3 anos e 80,4% dos participantes eram mulheres. Os pesquisadores avaliaram vitamina D, folato, vitamina B12, ferro, cálcio, albumina e outros parâmetros laboratoriais. O resultado foi este:
| Alteração nutricional | Participantes afetados |
| Deficiência de vitamina D | 90,2% |
| Deficiência de folato (vitamina B9) | 33,3% |
| Deficiência de ferro | 29,4% |
| Deficiência de vitamina B12 | 17,6% |
| Anemia por deficiência de ferro | 17,6% |
| Hipocalcemia | 10,8% |
| Hipoalbuminemia | 6,9% |
No conjunto, 95 dos 102 participantes, ou 93,1%, apresentavam pelo menos uma deficiência de micronutrientes.
Além disso, 54,9% tinham duas ou mais deficiências e 22,5% apresentavam três ou mais ao mesmo tempo.
As alterações também apareciam em conjunto. A combinação mais frequente foi vitamina D + folato, presente em 30,4% dos participantes. Em seguida vieram vitamina D + ferro, em 26,5%, e vitamina D + vitamina B12, em 16,7%. Leia o estudo completo na revista Medicine
Vitamina D: a alteração mais frequente, mas com uma ressalva importante
A deficiência de vitamina D foi encontrada em 92 dos 102 participantes, o equivalente a 90,2%. Para o estudo, deficiência significava concentração de 25-hidroxivitamina D abaixo de 20 ng/mL. A vitamina D participa da absorção de cálcio e da manutenção da saúde dos ossos.
Quando uma deficiência importante persiste, pode contribuir para alterações da mineralização óssea, como osteomalácia, e entrar no conjunto de fatores relacionados à perda de massa óssea. Em pessoas com doença celíaca, esse cuidado é particularmente relevante porque a própria doença pode comprometer a absorção de nutrientes.
No entanto, não seria correto concluir que 90% das pessoas com doença celíaca têm deficiência de vitamina D. Esse percentual pertence à população específica estudada.
Os próprios autores chamam atenção para uma característica importante: os participantes foram avaliados entre dezembro e março, predominantemente durante o inverno na Turquia. A menor exposição solar pode ter contribuído para o resultado excepcionalmente alto.
Como comparação, uma grande análise internacional com dados de aproximadamente 7,9 milhões de pessoas estimou que 47,9% da população apresentava vitamina D abaixo de 20 ng/mL, exatamente o limite utilizado no estudo de pacientes celíacos. Por isso, os pesquisadores destacam que o resultado observado não deve ser atribuído exclusivamente à má absorção provocada pela doença celíaca.
Para saber mais sobre a função da vitamina D e sua relação com os ossos, há informações detalhadas no Office of Dietary Supplements dos National Institutes of Health.
Folato: um em cada três participantes apresentava deficiência
A segunda alteração mais frequente foi a deficiência de folato, encontrada em 33,3% dos participantes. O estudo considerou deficiência valores sanguíneos abaixo de 4 ng/mL. Folato é a forma natural da vitamina B9, nutriente fundamental para a síntese do DNA e para a produção e divisão das células. Uma deficiência persistente pode prejudicar a formação adequada das células do sangue e contribuir para anemia megaloblástica.
O nutriente também tem especial importância durante a gestação porque níveis adequados de folato são essenciais para o desenvolvimento inicial do sistema nervoso do bebê. É por isso que o ácido fólico, forma utilizada em suplementos e alimentos fortificados, é tão conhecido no acompanhamento pré-concepcional e gestacional.
Para quem tem doença celíaca, esse resultado também lembra que uma dieta “sem glúten” não é necessariamente sinônimo de uma alimentação completa em micronutrientes. A qualidade e a variedade da alimentação continuam importantes. Informações sobre folato – NIH
Ferro: deficiência pode existir antes de aparecer anemia
A deficiência de ferro apareceu em 29,4% dos participantes, enquanto 17,6% apresentavam anemia por deficiência de ferro.
Essa diferença é importante porque deficiência de ferro e anemia ferropriva não significam exatamente a mesma coisa.
Os estoques de ferro podem começar a diminuir antes que a hemoglobina caia o suficiente para caracterizar anemia. Assim, uma pessoa pode apresentar deficiência de ferro em exames laboratoriais sem ainda estar anêmica.
No estudo, deficiência foi definida como ferritina abaixo de 15 ng/mL e/ou saturação de transferrina abaixo de 20%. Para caracterizar anemia ferropriva, também era necessário haver redução da hemoglobina.
Quando a falta de ferro progride para anemia, podem surgir manifestações como cansaço, fraqueza, palidez, falta de ar aos esforços e dificuldade de concentração. Por isso, investigar ferro significa olhar não apenas para a hemoglobina, mas também para os estoques. Informações sobre ferro – NIH
Vitamina B12: uma deficiência que também pode afetar o sistema nervoso
A deficiência de vitamina B12 apareceu em 17,6% dos adultos estudados. Os pesquisadores utilizaram como critério concentração inferior a 200 pg/mL.
A vitamina B12 participa da formação das células sanguíneas, da síntese do DNA e do funcionamento adequado do sistema nervoso. Uma deficiência importante e prolongada pode provocar anemia megaloblástica e manifestações neurológicas, como formigamentos, alterações de sensibilidade e dificuldades relacionadas ao equilíbrio ou à cognição.
Por isso, B12 é um nutriente que merece atenção mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas digestivos.
E existe uma razão adicional para não esperar necessariamente por sinais evidentes: alterações nutricionais podem ser silenciosas durante bastante tempo. Informações sobre vitamina B12 – NIH
Cálcio também merece atenção na doença celíaca
A pesquisa encontrou hipocalcemia em 10,8% dos participantes, definida como cálcio total abaixo de 8,5 mg/dL.
O cálcio é essencial para a mineralização dos ossos, contração muscular, transmissão de sinais nervosos e várias outras funções. Como sua absorção está relacionada à vitamina D, faz sentido avaliar esses nutrientes dentro de um mesmo contexto, principalmente quando existem preocupações com saúde óssea.
Isso não significa que todo paciente celíaco precise tomar cálcio ou vitamina D por conta própria. Significa que exames laboratoriais e avaliação clínica podem ajudar a identificar quem realmente apresenta uma deficiência e necessita de correção. Informações sobre cálcio – NIH
Seguir bem a dieta sem glúten fez diferença
Um dos resultados mais positivos do estudo aparece quando os pesquisadores separaram os participantes de acordo com a adesão à dieta sem glúten.
A adesão foi avaliada por um questionário validado chamado Celiac Dietary Adherence Test, ou CDAT. Dos 102 participantes, 67, equivalentes a 65,7%, foram classificados como tendo boa adesão à dieta; 35 apresentavam pior adesão. A diferença entre os grupos foi relevante:
| Deficiência | Boa adesão | Pior adesão |
| 2 ou mais deficiências | 46,3% | 71,4% |
| 3 ou mais deficiências | 14,9% | 37,1% |
| Folato | 25,4% | 48,6% |
| Ferro | 22,4% | 42,9% |
| Vitamina B12 | 11,9% | 28,6% |
| Anemia ferropriva | 11,9% | 28,6% |
Essas diferenças foram estatisticamente significativas.Isso reforça algo bastante encorajador: uma boa adesão à dieta sem glúten esteve associada a uma carga menor de várias deficiências nutricionais.
Ao mesmo tempo, ela não resolveu tudo.
Mesmo entre quem seguia bem a dieta, as deficiências continuavam aparecendo
Entre os participantes classificados como tendo boa adesão, 89,6% ainda apresentavam pelo menos uma deficiência e 46,3% tinham duas ou mais.
Para vitamina D, por exemplo, a deficiência apareceu em 86,6% do grupo com boa adesão e 97,1% daquele com pior adesão. A diferença entre esses dois grupos não foi estatisticamente significativa. Esse resultado ajuda a corrigir uma ideia comum: seguir corretamente a dieta sem glúten é indispensável, mas adesão à dieta e qualidade nutricional não são exatamente a mesma coisa.
O próprio CDAT avalia principalmente se a pessoa consegue evitar o glúten. Ele não mede se a alimentação fornece quantidade adequada de ferro, B12, folato, vitamina D e outros nutrientes.
Uma pessoa pode, por exemplo, seguir rigorosamente uma dieta sem glúten baseada em poucos alimentos e apresentar inadequações nutricionais. Por outro lado, outra pessoa pode organizar uma dieta sem glúten variada, com frutas, verduras, legumes, leguminosas, carnes ou outras fontes proteicas e alimentos naturalmente nutritivos.
Esse é um dos motivos pelos quais o acompanhamento nutricional continua fazendo sentido mesmo depois que a dieta está bem estabelecida.
E há outro detalhe fundamental: eram celíacos já diagnosticados
Esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes da pesquisa.
Os 102 adultos já tinham doença celíaca confirmada por biópsia e estavam em acompanhamento ambulatorial. Em média, haviam recebido o diagnóstico 6,3 anos antes e seguiam dieta sem glúten havia aproximadamente 5,2 anos.
Portanto, não se trata de um levantamento feito apenas no momento em que a doença ainda estava ativa e desconhecida.
As deficiências foram encontradas em pessoas que já sabiam que tinham doença celíaca.
Isso reforça a importância de pensar no acompanhamento como algo contínuo. A recuperação intestinal, a qualidade da alimentação, a absorção de nutrientes, outras condições de saúde, medicamentos, idade e hábitos de vida podem mudar ao longo dos anos.
Nesse sentido, um exame alterado não representa uma falha do paciente. Ele representa uma informação que pode ser usada para melhorar o cuidado.
Por que as deficiências podem continuar mesmo depois de retirar o glúten?
Não existe uma única explicação.Antes do diagnóstico, a inflamação e a lesão do intestino delgado podem comprometer a absorção de nutrientes. Depois que o glúten é retirado, a mucosa tende a se recuperar, mas o processo varia de pessoa para pessoa e pode levar tempo.
Além disso, a composição da própria dieta sem glúten pode influenciar o estado nutricional. Alguns produtos industrializados substitutos do trigo não necessariamente oferecem os mesmos níveis de vitaminas, minerais ou fibras de uma alimentação variada baseada em alimentos naturalmente sem glúten.
O Eu Celíaca já abordou esse ponto na matéria Dieta sem glúten: o intestino do celíaco pode não voltar completamente ao normal.
Também vale lembrar que nem toda deficiência encontrada em uma pessoa celíaca foi necessariamente causada pela doença celíaca. Vitamina D, por exemplo, depende de fatores como exposição solar, estação do ano, idade e outras características individuais.
O acompanhamento serve justamente para distinguir essas situações.
Deficiência nutricional não significa que uma complicação irá acontecer
Aqui vale uma distinção importante.
Quando falamos que falta de vitamina D e cálcio pode prejudicar a saúde óssea, que deficiência de ferro pode evoluir para anemia ou que falta prolongada de B12 pode produzir manifestações neurológicas, estamos falando de possíveis consequências de deficiências persistentes.
Isso não significa que todas as pessoas com um exame abaixo do valor de referência desenvolverão essas complicações.Ao contrário, a principal vantagem de detectar uma deficiência é poder agir antes que ela cause repercussões maiores.
É justamente por isso que uma matéria sobre esses números pode ter um tom positivo: ferro, vitamina D, folato, B12 e cálcio são parâmetros conhecidos, investigáveis e, quando necessário, corrigíveis.
O estudo também mostra que a doença celíaca precisa ser acompanhada além do intestino
O trabalho originalmente não tinha como objetivo analisar apenas vitaminas e minerais. Os pesquisadores também investigaram outras doenças autoimunes e síndromes poliglandulares.
Entre os 102 adultos, 25,5% apresentavam pelo menos outra doença autoimune, sendo a tireoidite autoimune a mais frequente, encontrada em 12,7%. Síndrome poliglandular autoimune foi identificada em 15,7%. Esses resultados reforçam a visão atual da doença celíaca como uma condição sistêmica, e não exclusivamente intestinal.
O Eu Celíaca já discutiu essa relação na matéria Idade do diagnóstico da doença celíaca e o risco de doenças autoimunes.
Ainda assim, nesta pesquisa, os micronutrientes contam uma história própria: cuidar bem da doença celíaca envolve também acompanhar aquilo que o organismo está conseguindo absorver e utilizar.
Preciso pedir todos esses exames?
A pesquisa não significa que todas as pessoas com doença celíaca devam solicitar uma bateria de exames por conta própria em intervalos fixos.
As diretrizes do American College of Gastroenterology para doença celíaca recomendam avaliar deficiências nutricionais no diagnóstico e corrigir aquelas identificadas. O acompanhamento posterior deve considerar a situação clínica, histórico do paciente, resultados prévios e qualidade da dieta.
Em uma consulta, podem ser discutidos exames como hemograma, ferro e ferritina, vitamina B12, folato, vitamina D e outros parâmetros quando houver indicação.
O ponto central é não encerrar o cuidado no momento em que os anticorpos normalizam ou os sintomas desaparecem.
Suplementar por conta própria não é a melhor solução
Ver percentuais altos de deficiência pode dar vontade de começar imediatamente vitamina D, ferro, B12 ou outros suplementos.
Mas o estudo não está recomendando suplementação indiscriminada.
O ideal é identificar se existe deficiência, qual sua intensidade, qual pode ser a causa e qual dose realmente é necessária. Ferro em excesso, por exemplo, não é inofensivo. O mesmo raciocínio vale para vitaminas e minerais utilizados em doses elevadas.
Além disso, corrigir o resultado do exame sem avaliar a alimentação pode resolver apenas uma parte do problema.Em muitos casos, a melhor estratégia combina correção da deficiência, melhora da qualidade alimentar e acompanhamento para verificar se os níveis se mantêm adequados.
O que podemos aprender com estes números?
A principal mensagem do estudo não é que pessoas com doença celíaca inevitavelmente terão falta de vitaminas.
É justamente o contrário: essas alterações podem ser procuradas, identificadas e tratadas.
Também há um sinal positivo na comparação entre os grupos. Pessoas com melhor adesão à dieta sem glúten apresentaram menos deficiência de ferro, folato e B12, menos anemia ferropriva e menor frequência de múltiplas deficiências.
Ao mesmo tempo, a persistência de alterações mesmo no grupo que seguia bem a dieta mostra que a consulta de acompanhamento continua tendo valor.
Para quem recebeu o diagnóstico há vários anos e acredita que “está tudo resolvido porque não come mais glúten”, talvez a pesquisa deixe uma pergunta útil para a próxima consulta: como estão minhas vitaminas e minerais hoje?
Limitações: os números não representam todos os celíacos
O estudo tem pontos fortes, como desenho prospectivo, diagnóstico confirmado por biópsia e avaliação laboratorial padronizada. No entanto, foi realizado em um único centro e incluiu somente 102 adultos, o que limita a possibilidade de aplicar os percentuais diretamente a todas as pessoas com doença celíaca.
Além disso, os pacientes já estavam em acompanhamento médico, o que pode diferenciar essa população de pessoas recém-diagnosticadas ou de celíacos que não recebem acompanhamento regular.
A adesão à dieta também foi medida por questionário, não por biomarcadores de exposição ao glúten. E, no caso da vitamina D, a coleta predominante durante o inverno provavelmente contribuiu para a prevalência elevada.
Portanto, o estudo é muito útil para mostrar quais alterações merecem atenção, mas não deve ser usado para dizer que determinado percentual ocorrerá em qualquer pessoa celíaca.
FAQ – Perguntas frequentes sobre vitaminas na doença celíaca
Quais vitaminas apresentaram mais deficiência entre os celíacos do estudo?
A vitamina D foi a mais frequente, com 90,2%, seguida pelo folato, ou vitamina B9, com 33,3%, e pela vitamina B12, com 17,6%. Ferro, que é um mineral, apresentou deficiência em 29,4% dos participantes.
Todo celíaco tem deficiência de vitamina D?
Não. Os 90,2% correspondem especificamente aos 102 participantes desta pesquisa. Além disso, a coleta ocorreu principalmente durante o inverno na Turquia, fator que pode ter contribuído para a alta frequência.
Seguir corretamente a dieta sem glúten evita todas as deficiências?
Não necessariamente. Boa adesão esteve associada a menor frequência de várias alterações, mas 89,6% das pessoas classificadas como aderentes ainda apresentavam pelo menos uma deficiência no estudo.
Qual a diferença entre falta de ferro e anemia?
A deficiência de ferro pode surgir antes da anemia. No estudo, 29,4% apresentavam deficiência de ferro, enquanto 17,6% já tinham anemia ferropriva.
Posso tomar vitaminas preventivamente porque tenho doença celíaca?
Não é recomendável decidir suplementação apenas com base no diagnóstico ou nesses percentuais. O mais adequado é avaliar alimentação, exames laboratoriais e necessidades individuais com o profissional que acompanha o caso.
Essas deficiências podem aparecer anos depois do diagnóstico?
Sim. Os participantes do estudo tinham, em média, 6,3 anos desde o diagnóstico e 5,2 anos de dieta sem glúten, o que reforça a importância do acompanhamento nutricional no longo prazo.
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Conclusão
A pesquisa oferece uma mensagem prática para quem vive com doença celíaca: o cuidado não termina quando o glúten sai do prato.
Vitamina D, folato, ferro e vitamina B12 foram as deficiências mais frequentes nessa população de adultos já diagnosticados, e mais da metade apresentou pelo menos duas alterações ao mesmo tempo.
Ao mesmo tempo, a comparação entre os grupos mostrou algo positivo. Uma melhor adesão à dieta sem glúten esteve associada a menor carga de várias deficiências nutricionais.
O passo seguinte é completar esse cuidado com uma alimentação de boa qualidade e acompanhamento adequado ao longo dos anos.Detectar uma deficiência não é uma má notícia. É uma oportunidade de corrigir algo antes que a falta daquele nutriente traga consequências maiores.
E talvez esse seja o principal recado do estudo: depois do diagnóstico, não basta perguntar apenas se o paciente continua sem comer glúten.
Também vale perguntar como está nutrido o organismo que vive sem ele.
Fontes e referências
- Kuşaksızoğlu Kara S, Basat S, Kara Ç. Autoimmune diseases and autoimmune polyglandular syndromes in adult patients with biopsy-confirmed celiac disease: a prospective study. Medicine (Baltimore). 2026;105(42):e51184.
- Rubio-Tapia A, Hill ID, Semrad C, et al. American College of Gastroenterology Guidelines Update: Diagnosis and Management of Celiac Disease. Am J Gastroenterol 2023;118(1):59-76. PubMed.
- Cui A, Zhang T, Xiao P, Fan Z, Wang H, Zhuang Y. Global and regional prevalence of vitamin D deficiency in population-based studies from 2000 to 2022: a pooled analysis of 7.9 million participants. Front Nutr. 2023;10:1070808.
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Vitamin D – Fact Sheet for Health Professionals.
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Iron – Fact Sheet for Health Professionals.
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Folate – Fact Sheet for Health Professionals.
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Vitamin B12 – Fact Sheet for Health Professionals.
- 8. National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements. Calcium – Fact Sheet for Health Professionals.
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