Dificuldade de concentração, lapsos de memória, exaustão mental e a sensação de estar com o “cérebro lento” são queixas relatadas por parte das pessoas com doença celíaca, especialmente antes do diagnóstico ou quando os sintomas persistem apesar da dieta sem glúten. A chamada névoa mental, porém, não é um diagnóstico médico e não tem uma única causa: pode envolver doença celíaca ativa, contaminação cruzada, anemia, deficiências nutricionais, sono insuficiente, saúde mental, condições autoimunes associadas e, mais raramente, manifestações neurológicas que precisam de investigação específica.
A doença celíaca é uma condição autoimune crônica em que a ingestão de glúten — proteína presente no trigo, na cevada e no centeio — desencadeia uma resposta imunológica em pessoas geneticamente predispostas. Essa reação pode lesar a mucosa do intestino delgado, diminuir a absorção de nutrientes e provocar repercussões que vão além do sistema digestivo.
Este artigo discute a relação entre doença celíaca, cognição, nutrientes e suplementos. Para um aprofundamento específico sobre diagnóstico nutricional e seguimento, leia também: Deficiências nutricionais na doença celíaca: o que monitorar no diagnóstico e no seguimento.
O que é névoa mental?
“Névoa mental” é um termo popular usado para descrever uma sensação de menor clareza de pensamento. Não é uma doença por si só e não substitui avaliação médica. Pode envolver:
- Dificuldade de manter a atenção.
- Sensação de pensamento lento ou “embaçado”.
- Esquecimentos cotidianos mais frequentes.
- Dificuldade para planejar, organizar ou terminar tarefas.
- Cansaço mental fora do habitual.
- Dificuldade para encontrar palavras ou acompanhar uma conversa.
- Menor rendimento no trabalho, nos estudos ou em atividades domésticas.Esses sintomas podem surgir por diferentes razões.
Na doença celíaca, é comum que o leitor associe qualquer alteração cognitiva ao glúten, mas a investigação precisa ser mais ampla. Fadiga, alterações de humor, sono ruim, anemia, baixa ingestão energética, uso de medicamentos, hipotireoidismo, menopausa, ansiedade e depressão podem provocar sintomas parecidos.
Como a doença celíaca pode repercutir no cérebro
A doença celíaca pode afetar o bem-estar cognitivo e neurológico por vários caminhos. Em uma mesma pessoa, mais de um fator pode estar presente ao mesmo tempo.
| Possível fator | Como pode repercutir |
| Doença celíaca ativa | Inflamação intestinal, dor, distensão, diarreia, constipação, perda de peso e fadiga podem prejudicar disposição, atenção e qualidade de vida. |
| Má absorção e deficiências nutricionais | Carências de ferro, folato, vitamina B12, vitamina D e outros nutrientes podem contribuir para anemia, fadiga, alterações neuromusculares e dificuldade de concentração. |
| Exposição involuntária ao glúten | Contaminação cruzada, erros na leitura de rótulos ou ingestão acidental podem manter sintomas e dificultar a recuperação intestinal. |
| Manifestações neurológicas associadas | Neuropatia periférica, cefaleia, ataxia, epilepsia e alterações cognitivas são descritas na doença celíaca, mas têm mecanismos e frequências variados. |
| Saúde mental e rotina alimentar | Ansiedade, depressão, medo de comer fora, isolamento social e vigilância constante com a dieta podem piorar a percepção de fadiga e a atenção. |
| Condições coexistentes | Tireoidite autoimune, gastrite autoimune, diabetes, apneia do sono, uso de medicamentos e outras condições podem explicar ou agravar os sintomas. |
A doença celíaca deve ser entendida como uma condição sistêmica, e não apenas intestinal. Revisões descrevem manifestações neurológicas e psiquiátricas associadas, embora não seja possível atribuir todos os sintomas a uma única via ou concluir que todo quadro de névoa mental decorra da doença celíaca.
Má absorção e nutrientes importantes
Na doença celíaca ativa, a inflamação pode provocar atrofia das vilosidades intestinais. Essas estruturas ampliam a superfície de absorção do intestino delgado; quando estão lesionadas, o aproveitamento de nutrientes pode ser prejudicado.
A avaliação nutricional deve ser individualizada, mas diretrizes recomendam investigar possíveis deficiências no diagnóstico, com atenção especial a ferro, folato, vitamina B12 e vitamina D. Cálcio, zinco, cobre, vitaminas lipossolúveis e outros marcadores podem ser incluídos de acordo com sintomas, gravidade da má absorção, padrão alimentar e resultados iniciais.
| Nutriente ou composto | Possível relação com doença celíaca | Função relevante para cérebro e sistema nervoso | Fontes naturalmente sem glúten | Ponto de atenção |
| Ferro | Sua absorção ocorre sobretudo no intestino proximal, área frequentemente afetada na doença celíaca. Deficiência e anemia são achados comuns. | Participa do transporte de oxigênio e do metabolismo energético; anemia pode causar fadiga e piora da atenção. | Carnes, aves, peixes, feijões, lentilhas, grão-de-bico, tofu e sementes. | Ferro não deve ser suplementado apenas com base em cansaço ou queda de cabelo; é preciso confirmar a deficiência e investigar sua causa. |
| Folato (B9) | É absorvido em região intestinal que pode ser comprometida. | Necessário à formação de hemácias, síntese de DNA e metabolismo neurológico. | Folhas verde-escuras, feijão, lentilha, grão-de-bico, abacate e brócolis. | Pode se associar a anemia e coexistir com outras carências. |
| Vitamina B12 | Pode estar baixa em doença intestinal extensa, dieta restritiva ou gastrite autoimune associada. | É essencial para nervos e células sanguíneas; deficiência prolongada pode causar neuropatia e alterações de sensibilidade. | Carnes, peixes, ovos, leite e derivados; alimentos fortificados ou suplementação orientada em dietas veganas. | Formigamentos, perda de sensibilidade ou alterações de marcha exigem avaliação sem demora. |
| Vitamina D | Pode estar baixa por má absorção de gorduras, baixa ingestão, exposição solar reduzida ou outros fatores. | Atua principalmente em saúde óssea e muscular; sua relação com cognição ainda é investigada. | Peixes gordurosos, gema de ovo e alimentos fortificados. | Não há base para usar vitamina D como suplemento universal de memória. |
| Zinco e magnésio | Podem ser afetados pela má absorção e por dieta sem glúten pouco variada. | Participam de metabolismo energético, função neuromuscular e imunidade. | Carnes, leguminosas, sementes, castanhas, cacau e vegetais verdes. | Sintomas de deficiência são inespecíficos; doses elevadas sem indicação podem causar desequilíbrios. |
| Cobre | Pode estar baixo em má absorção; excesso de zinco suplementar também reduz sua disponibilidade. | Atua no metabolismo do ferro e na função neurológica. | Cacau, castanhas, sementes, frutos do mar e leguminosas. | Deficiência importante pode causar anemia, neuropatia e alteração de marcha. |
| Vitamina E | Pode ser afetada em casos de má absorção de gorduras mais importante. | Participa da proteção antioxidante de membranas; deficiência grave pode se associar a neuropatia e ataxia. | Azeite, abacate, sementes, amêndoas e castanhas. | Não é deficiência universal, mas pode ser investigada em quadros de má absorção acentuada. |
| Colina | Não é uma deficiência clássica da doença celíaca, mas a ingestão pode ser baixa em dietas muito restritivas. | É precursora da acetilcolina e participa das membranas celulares. | Ovos, carnes, peixes, laticínios, soja, feijões, brócolis e couve-flor. | É nutriente essencial, mas suplementos não demonstraram benefício cognitivo universal. |
| Creatina | Não é deficiência típica de má absorção; a ingestão tende a ser menor em vegetarianos e veganos. | Participa do sistema de energia celular do cérebro e dos músculos. | Carnes, peixes e frutos do mar; o organismo também a produz a partir de aminoácidos. | Pode ter efeito em alguns desfechos cognitivos, mas não é tratamento comprovado para névoa mental. |
Selênio |
Pode estar baixo em casos selecionados de má absorção ou alimentação muito limitada. | Participa de sistemas antioxidantes e da função tireoidiana. | Peixes, ovos, carnes, aves, leguminosas e castanha-do-pará. | O excesso pode causar toxicidade; não deve ser suplementado “por via das dúvidas”. |
| Ômega-3, EPA e DHA | Baixa ingestão é possível em dietas pouco variadas, mas não é uma deficiência universal por má absorção. | DHA integra membranas neuronais; EPA e DHA participam de sinalização celular e modulação de vias inflamatórias. | Sardinha, salmão, cavalinha, anchova e arenque. Chia, linhaça e nozes oferecem ALA. | Chia e linhaça são saudáveis, mas a conversão de ALA em DHA é limitada; cápsulas não previnem demência de forma comprovada. |
Exames de sangue para investigar deficiências
A presença de deficiência nutricional não pode ser confirmada apenas por sintomas. Fadiga, queda de cabelo, lapsos de memória, humor deprimido e dificuldade de concentração são sinais inespecíficos e podem ocorrer em muitas condições.
No diagnóstico da doença celíaca — e também quando há sintomas persistentes, perda de peso, anemia, diarreia crônica, dieta muito restritiva ou suspeita de má absorção — o médico pode solicitar exames direcionados. O painel não precisa ser idêntico para todas as pessoas.
| O que investigar | Exames de sangue mais usados | Quando pode ser especialmente útil |
| Anemia e padrão das hemácias | Hemograma completo, com hemoglobina, hematócrito, VCM, HCM e RDW. | No diagnóstico, em fadiga, palidez, queda de cabelo, falta de ar ao esforço, tontura ou suspeita de deficiência de ferro, B12 ou folato. |
| Estoque e disponibilidade de ferro | Ferritina, ferro sérico, transferrina ou capacidade total de ligação do ferro — TIBC/CTLF — e índice de saturação da transferrina. | Em anemia, ferritina baixa, menstruação intensa, perda de peso, fadiga persistente ou deficiência anterior. |
| Folato | Folato sérico; testes complementares podem ser definidos conforme o caso. | Em anemia macrocítica, alimentação insuficiente, má absorção ou resultado alterado no hemograma. |
| Vitamina B12 | Vitamina B12 sérica; em resultados limítrofes ou sintomas compatíveis, ácido metilmalônico — MMA — e homocisteína podem complementar a avaliação. | Formigamentos, ardor, perda de sensibilidade, alteração de equilíbrio, anemia macrocítica ou queixas cognitivas persistentes. |
| Vitamina D | 25-hidroxivitamina D — 25(OH)D. | No diagnóstico, em baixa exposição solar, risco ósseo, osteopenia, osteoporose, dores musculares ou má absorção importante. |
| Cálcio e metabolismo ósseo | Cálcio total, albumina, fósforo, fosfatase alcalina e paratormônio — PTH — quando indicado. | Quando há baixa vitamina D, fraturas por fragilidade, osteopenia, osteoporose, dor óssea ou suspeita de alteração do metabolismo mineral. |
| Zinco | Zinco sérico ou plasmático. | Em diarreia persistente, queda de cabelo, alteração de paladar, dieta restritiva, baixa ingestão ou má absorção importante. |
| Cobre | Cobre sérico e ceruloplasmina | Em anemia inexplicada, neutropenia, neuropatia, dificuldade para andar ou uso prolongado de zinco em altas doses. |
| Vitaminas A e E | Retinol sérico; alfa-tocoferol sérico. | Em esteatorreia, perda de peso importante, má absorção de gorduras ou sintomas específicos. |
| Magnésio | Magnésio sérico; exames complementares podem ser avaliados pelo profissional. | Em diarreia prolongada, baixa ingestão, desnutrição, câimbras ou outros achados clínicos compatíveis. |
| Vitamina B1 (tiamina) | Tiamina em sangue total ou atividade de transcetolase eritrocitária, conforme disponibilidade. | Em desnutrição, perda de peso acentuada, vômitos persistentes, consumo elevado de álcool ou sinais neurológicos sugestivos. |
| Vitamina B6 | Piridoxal-5-fosfato — PLP. | Exame selecionado para situações clínicas específicas; não é exame de rotina para todas as pessoas com doença celíaca. |
| Selênio | Selênio sérico ou plasmático. | Em dieta muito restrita, má absorção relevante, suspeita de baixa ingestão ou avaliação nutricional especializada. |
| Colina | Não há dosagem sanguínea de rotina validada para rastrear “deficiência de colina” na prática clínica. | A avaliação costuma ser feita por padrão alimentar e contexto clínico. |
| Creatina | Não há exame de rotina para diagnosticar “deficiência de creatina”. Creatinina não mede creatina cerebral nem indica necessidade de suplemento. | A creatinina é usada principalmente na avaliação da função renal e deve ser interpretada por profissional de saúde. |
| Ômega-3 / DHA | Índice de ômega-3 em hemácias ou perfil de ácidos graxos, quando disponível. | Não é rotina na doença celíaca; pode ser usado em contexto nutricional especializado, mas não define sozinho necessidade de suplemento. |
Em geral, hemograma, ferritina e avaliação de ferro, folato, vitamina B12 e 25(OH) vitamina D formam um núcleo inicial frequente no diagnóstico da doença celíaca. A inclusão de cálcio, fósforo, PTH, zinco, cobre, magnésio e vitaminas A e E deve ser individualizada.
Além do painel nutricional, o seguimento pode incluir marcadores da própria doença celíaca, como o anticorpo anti-transglutaminase tecidual IgA — tTG-IgA. Esse exame não identifica deficiências vitamínicas, mas ajuda a acompanhar a resposta ao tratamento e a adesão à dieta sem glúten, sempre em conjunto com sintomas, histórico e orientação da equipe médica.
Atenção à interpretação dos exames
Resultados isolados não são suficientes para autodiagnóstico ou para iniciar suplementos em altas doses.
- A ferritina pode se elevar em processos inflamatórios, por isso pode ser interpretada junto com hemograma, saturação de transferrina e, quando necessário, marcadores de inflamação.
- A vitamina B12 sérica pode estar em faixa normal em algumas situações de deficiência funcional; MMA e homocisteína podem ajudar quando há dúvida clínica.
- O cálcio total depende da albumina e nem sempre representa a fração biologicamente ativa.
- O magnésio sérico pode não refletir perfeitamente os estoques do organismo.
- Os níveis de zinco, cobre e selênio podem variar conforme inflamação, estado nutricional, albumina, jejum e técnica laboratorial.
Colina, creatina, selênio e ômega-3: o que a ciência diz
A função de um nutriente no cérebro não equivale, necessariamente, à indicação de seu suplemento. Essa diferenciação é especialmente importante em conteúdos sobre névoa mental, memória e envelhecimento cerebral.
Colina
A colina é precursora da acetilcolina, neurotransmissor relacionado à memória, atenção e controle muscular. Também participa da estrutura das membranas celulares e do metabolismo de lipídios.
Uma alimentação sem glúten variada pode fornecer colina com ovos, peixes, carnes, laticínios, leguminosas, brócolis e couve-flor. Porém, estudos observacionais que associam maior ingestão de colina a desempenho cognitivo melhor não demonstram que suplementos melhorem a cognição em todas as pessoas. O NIH aponta que ensaios clínicos não confirmaram benefício cognitivo de suplementos de colina em adultos saudáveis ou em pessoas com doença de Alzheimer.
Creatina
A creatina participa do sistema creatina-fosfocreatina, importante para fornecer energia rapidamente a tecidos com alta demanda, como músculos e cérebro. Ela é obtida principalmente em carnes e peixes, mas também é sintetizada pelo organismo a partir de aminoácidos.
Uma meta-análise de 2024 reuniu 16 estudos e observou resultados favoráveis em memória, tempo de atenção e velocidade de processamento. Não houve melhora significativa para cognição global ou função executiva, e a certeza da evidência variou conforme o desfecho estudado.
Embora existam ensaios clínicos randomizados sobre creatina e cognição, eles ainda são pequenos e muito diferentes entre si; por isso, os resultados positivos em memória não comprovam benefício universal nem prevenção comprovada de doenças neurodegenerativas.
Para a pessoa com doença celíaca, creatina não trata a lesão intestinal, não corrige anemia, não substitui a recuperação nutricional e não deve ser entendida como tratamento de névoa mental. Pessoas com doença renal, gestação, lactação, uso de múltiplos medicamentos ou sintomas em investigação devem discutir a suplementação com a equipe de saúde.
Selênio
O selênio integra proteínas envolvidas na defesa antioxidante e participa do funcionamento da tireoide. Esse ponto é relevante porque doenças tireoidianas autoimunes podem coexistir com a doença celíaca e gerar sintomas que se confundem com névoa mental, como fadiga, lentificação, alterações de humor, palpitações ou mudanças de peso.
Porém, não há base para suplementar selênio em todas as pessoas com doença celíaca. Doses excessivas, especialmente se mantidas por tempo prolongado, podem causar toxicidade — chamada selenose — com sintomas gastrointestinais, fragilidade de unhas e cabelos, hálito característico, fadiga e manifestações neurológicas.
Ômega-3, EPA e DHA
O DHA é componente estrutural das membranas das células nervosas e da retina. EPA e DHA também participam de processos de sinalização celular e modulação de vias inflamatórias. Por isso, faz sentido valorizar alimentos fonte de ômega-3 no contexto de uma alimentação sem glúten equilibrada.
Mas o papel biológico do DHA não comprova que cápsulas de ômega-3 previnam ou tratem névoa mental, depressão, perda de memória ou demência. Revisões e documentos institucionais apontam resultados heterogêneos em estudos de cognição: alguns achados podem ser favoráveis em grupos ou desfechos específicos, mas não existe benefício consistente que sustente recomendação universal.
Chia, linhaça e nozes oferecem ALA, outro tipo de ômega-3, e são escolhas nutricionalmente interessantes. No entanto, sua conversão em DHA é limitada; portanto, não são equivalentes diretos a fontes de DHA e EPA, como sardinha, cavalinha, anchova, arenque e salmão.
Neuroinflamação: relevante, mas não uma solução de prateleira
A neuroinflamação está presente em várias doenças neurodegenerativas. Ela envolve, entre outros mecanismos, a ativação da micróglia — células de defesa residentes no cérebro — e a produção de substâncias inflamatórias.
Essa resposta pode começar de forma protetora, ajudando a reconhecer sinais de dano e a remover resíduos celulares. Quando é prolongada ou desregulada, pode favorecer estresse oxidativo, alteração das sinapses e dano neuronal.
Lesões celulares, proteínas anormais ou alterações nos vasos sanguíneos podem ativar a resposta imune do cérebro e desencadear neuroinflamação. Quando esse processo persiste, a inflamação crônica pode prejudicar as conexões entre neurônios, favorecer dano neuronal e gerar novos sinais de lesão, mantendo um ciclo de retroalimentação.
Essa relação ajuda a explicar por que a neuroinflamação é estudada em Alzheimer, Parkinson e outras condições. Porém, essas doenças não têm uma causa única. Genética, envelhecimento, saúde vascular, sono, metabolismo, fatores ambientais e proteínas anormais também influenciam o risco e a evolução.
Quando procurar avaliação
A procura por atendimento é especialmente importante quando houver:
- Dificuldade de concentração, memória ou organização que persiste, piora ou afeta trabalho, estudo e autocuidado.
- Formigamentos persistentes, dor em queimação, perda de força, perda de sensibilidade ou alterações de marcha.
- Quedas, desequilíbrio, tremores, visão dupla ou dificuldade de coordenação.
- Cefaleia nova, muito intensa ou mudança importante no padrão habitual.
- Fadiga incapacitante, perda de peso, diarreia persistente ou retorno de sintomas digestivos.
- Suspeita de ingestão involuntária de glúten.
- Ansiedade intensa, depressão, isolamento social ou pensamentos de morte e autolesão.
Em situação de risco imediato, procure um serviço de urgência.
Conclusão
A névoa mental na doença celíaca merece investigação, mas raramente tem uma explicação única. Doença ativa, contaminação cruzada, anemia, baixa disponibilidade de ferro, folato ou vitamina B12, outras deficiências nutricionais, sono ruim, estresse, saúde mental e condições autoimunes associadas podem atuar ao mesmo tempo.
A dieta sem glúten estrita e segura é o tratamento que interrompe o estímulo imunológico responsável pela lesão intestinal. Mas ela precisa ser acompanhada de qualidade nutricional, seguimento clínico e investigação de sintomas persistentes. Hemograma, ferritina e perfil de ferro, folato, vitamina B12 e vitamina D costumam formar o núcleo inicial da avaliação; outros exames são definidos conforme a situação clínica.
Colina, creatina, selênio, EPA e DHA têm funções relevantes para o sistema nervoso. Ainda assim, não substituem diagnóstico, recuperação intestinal, sono adequado, cuidado com a saúde mental e uma alimentação sem glúten variada. Suplementos podem ser úteis quando há indicação individual, mas não devem ser tratados como atalho para tratar sintomas complexos ou prevenir doenças neurodegenerativas.
Leia também
Para aprofundar a investigação nutricional, veja o guia: Deficiências nutricionais na doença celíaca: o que monitorar no diagnóstico e no seguimento.
Veja também a editoria de Saúde Mental do Eu Celíaca, com conteúdos sobre névoa mental, ansiedade, depressão, medo de comer fora, transtornos alimentares e os impactos emocionais, sociais e cognitivos da doença celíaca.
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