Caça aos Doces acontece gratuitamente em 31 de outubro, na Zona Sul de São Paulo. Além de brincadeiras, personagens e um circuito pelo shopping, haverá opções de guloseimas sem glúten e sem lactose, permitindo que mais crianças participem de uma das tradições mais divertidas do Halloween.
O Halloween inclusivo no SP Market volta em 31 de outubro com uma proposta que merece destaque: fazer com que crianças com restrições alimentares também possam participar da tradicional caça aos doces. A atividade será gratuita, das 14h às 20h, e terá opções de guloseimas sem glúten e sem lactose.
A brincadeira começa próxima à loja Nike. As crianças recebem um mapa, percorrem diferentes etapas do shopping, completam desafios e colecionam carimbos. No final do percurso, quem concluir a aventura recebe uma sacolinha com doces e guloseimas.
Pode parecer apenas um detalhe adaptar os doces. Para uma criança celíaca, porém, a diferença é muito maior: em vez de assistir aos amigos participarem ou receber algo separado depois, ela pode viver a experiência junto com todo mundo.E essa sensação de pertencimento importa.
Quando a criança pode participar da brincadeira inteira
Festas infantis, aniversários, passeios escolares e comemorações são alguns dos momentos em que a alimentação se torna parte importante da convivência. Para crianças que precisam seguir uma dieta sem glúten permanentemente, esses mesmos momentos podem exigir planejamento, comida levada de casa e explicações repetidas sobre por que elas não podem comer determinadas coisas.
Uma revisão sistemática publicada em 2026, que reuniu 13 estudos sobre crianças e adolescentes com doença celíaca, encontrou impactos da condição e da dieta especialmente nas dimensões emocional, social e escolar da qualidade de vida. Em outras palavras, tratar a doença celíaca na infância não significa apenas retirar o glúten. A maneira como a criança consegue participar da vida ao redor dela também importa.
Outro estudo com crianças celíacas mostrou como as festas podem se tornar particularmente difíceis. Entre os participantes avaliados, 43,2% relataram dificuldade em manter a dieta em festas, 40,9% disseram sentir-se deixados de lado na escola ou na casa de amigos e 54,6% sentiam vergonha de levar alimentos sem glúten para festas.
É justamente aí que iniciativas como a do SP Market ganham outro significado. O evento não está pedindo para a criança “se adaptar” à brincadeira. Ele está adaptando parte da experiência para que mais crianças consigam brincar.
“Eu quero comer igual aos outros”
Essa situação é tão comum que o Eu Celíaca publicou recentemente a matéria “Meu filho quer comer igual aos outros”, sobre como conversar com crianças pequenas depois do diagnóstico da doença celíaca.
A frase pode surgir diante do bolo da festa, de um biscoito oferecido por um colega ou de qualquer situação em que todas as outras crianças recebem algo que ela não pode comer. O desafio dos responsáveis é manter a segurança da dieta sem transformar cada encontro social em uma sucessão de proibições.
Como mostramos naquela matéria, uma revisão recente sobre qualidade de vida pediátrica reforça que o impacto da doença celíaca ultrapassa a alimentação e chega às relações sociais, à escola e ao bem-estar emocional.
Por isso, talvez a parte mais interessante de uma caça aos doces inclusiva não esteja apenas no conteúdo da sacolinha. Está no fato de a criança conseguir seguir o mapa junto com os amigos, encontrar os personagens, cumprir os desafios e chegar ao final fazendo parte da mesma história.
A iniciativa do SP Market começou em 2024
A preocupação do SP Market com um Halloween mais inclusivo não surgiu nesta edição.Segundo o case apresentado pelo shopping ao Prêmio Abrasce, a primeira edição desse modelo aconteceu em 2024, inspirada no conceito internacional da Teal Pumpkin, ou Abóbora Teal, que o projeto brasileiro passou a chamar de Abóbora Azul. A iniciativa teve curadoria da ONG Conexão Alimentar.
Naquela primeira edição, o shopping informou ter registrado mais de 5 mil inscrições pelo aplicativo, além de aumento de 19% nos downloads do app e crescimento de 18% no fluxo de visitantes em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado fez com que a proposta passasse a integrar o calendário do empreendimento.
A ação também ganhou reconhecimento no próprio setor de shopping centers. Em 2026, o case “SP Market adota selo (Abóbora Azul) inédito no Brasil para Halloween inclusivo” apareceu entre os finalistas do Prêmio Abrasce na categoria Inovação.
Assim, o que começou como uma adaptação de uma festa acabou se transformando em uma iniciativa recorrente.
A ideia da abóbora teal nasceu justamente para não excluir crianças no Halloween
A inspiração internacional também ajuda a entender por que o tema ganhou tanta força.
O Teal Pumpkin Project, mantido pela organização norte-americana Food Allergy Research & Education, a FARE, começou a partir da iniciativa de uma família do Tennessee. Em 2012, Becky Basalone colocou uma abóbora pintada de azul-esverdeado diante de casa para indicar que havia opções para crianças com alergias alimentares. A FARE incorporou a iniciativa nacionalmente em 2014.
No projeto original, a principal recomendação é disponibilizar brinquedos e pequenas lembranças não alimentares, separados dos doces, para que crianças com diferentes alergias também possam participar do “doces ou travessuras”. A FARE continua realizando a campanha em 2026 e destaca exatamente a questão da inclusão: muitas crianças com alergias alimentares acabam separadas dos amigos ou precisam explicar sua condição repetidamente durante o Halloween.
O modelo adotado pelo SP Market é uma adaptação dessa ideia. Em vez de limitar a ação às lembranças não alimentares, o shopping passou a incluir na própria caça aos doces alternativas destinadas a crianças com restrições alimentares.
No Brasil, a Conexão Alimentar também mantém um projeto de Halloween Inclusivo inspirado na Teal Pumpkin, com materiais para conscientização de famílias, escolas e comunidades.
Inclusão também ajuda a construir autonomia sem colocar todo o peso na criança
Há outro aspecto importante nessa experiência.
Crianças com doença celíaca precisam, aos poucos, aprender a reconhecer sua condição, comunicar que necessitam de alimentos sem glúten e participar das escolhas alimentares. Entretanto, essa autonomia deve crescer gradualmente. Não é razoável transformar uma criança pequena na única responsável por descobrir o que pode ou não pode comer em uma festa.
Quando os próprios organizadores pensam previamente na inclusão, parte desse peso deixa de estar exclusivamente sobre a família e sobre a criança.
Ela não precisa ser lembrada o tempo todo como “a que trouxe o próprio doce” ou “a que não pode comer”. Há uma alternativa prevista dentro da própria programação.A literatura sobre doença celíaca infantil ajuda a entender o valor disso. Uma revisão de 43 estudos encontrou que o funcionamento social é uma das áreas de dificuldade entre crianças e adolescentes com doença celíaca, embora os resultados variem entre os trabalhos.
Um estudo brasileiro realizado com crianças de 5 a 12 anos também encontrou pior resultado justamente na dimensão de lazer entre crianças com doença celíaca, enquanto seus pais apresentaram pior pontuação no domínio social em comparação aos controles.
Portanto, inclusão em atividades de lazer não é um detalhe periférico da vida da criança. É parte da infância.
Experiências inclusivas podem deixar lembranças muito diferentes da restrição
Há pesquisas interessantes mostrando o que acontece quando crianças e adolescentes celíacos entram em ambientes onde a alimentação deixa de colocá-los à parte.
Em um estudo com um acampamento totalmente sem glúten, 77 crianças e adolescentes com doença celíaca foram avaliados antes e depois de uma semana de atividades. Os participantes apresentaram melhora em indicadores de bem-estar, percepção sobre si mesmos e estado emocional. Os pesquisadores observaram que um ambiente em que os alimentos podiam ser consumidos sem a preocupação habitual reduziu, pelo menos temporariamente, o estresse ligado à comida e às interações sociais.
Outro estudo, com 165 adolescentes e jovens com doença celíaca, encontrou associação entre participação em acampamentos voltados ao público celíaco, maior suporte social, maior aceitação da doença, melhor qualidade de vida relacionada à condição e menor ansiedade. Como se trata de uma associação, não é possível afirmar que o acampamento sozinho tenha causado esses resultados, mas o trabalho reforça o potencial das experiências sociais inclusivas.
Uma caça aos doces de algumas horas, naturalmente, não é equivalente a um acampamento de vários dias. Ainda assim, os trabalhos ajudam a mostrar algo importante: poder participar sem que a alimentação seja constantemente um obstáculo tem valor para crianças que convivem com uma dieta restritiva.
A inclusão não precisa transformar a criança no centro das atenções
Talvez uma das melhores características da iniciativa seja justamente sua simplicidade.
A criança celíaca não precisa receber uma programação especial em outra sala. Ela não precisa assistir enquanto os amigos fazem a caça aos doces. Também não precisa ser apresentada a todos como “a criança que não pode comer”.
- Ela recebe um mapa.
- Procura os personagens.
- Completa os desafios.
- Coleciona os carimbos.
- E recebe sua sacolinha.
É uma mudança pequena na organização do evento, mas enorme na experiência de quem normalmente precisa perguntar antes se poderá participar.
Essa lógica também vale para escolas, festas de aniversário, hotéis, buffets infantis, parques e qualquer ambiente que trabalhe com crianças. Inclusão alimentar funciona melhor quando é pensada antes da criança chegar, e não apenas quando uma família aparece pedindo uma solução.
Bullying e alimentação também podem se encontrar na infância
O Eu Celíaca publicou em julho uma pesquisa que mostrou outro lado desse problema: crianças com doença celíaca podem estar mais expostas ao bullying.
O estudo avaliou 124 pacientes pediátricos com doença celíaca e 139 crianças sem a condição. A proporção de vítimas de bullying foi maior entre os pacientes celíacos, e o trabalho também encontrou relação entre sofrimento emocional e dificuldade de adesão à dieta.
Na prática, a alimentação pode virar motivo de comentários, pressão para “experimentar só um pouco”, vergonha do lanche diferente ou exclusão de atividades que envolvem comida.
Quanto mais natural for a presença de alternativas inclusivas, menos a criança precisa ser apontada como uma exceção.
Um evento que oferece doces sem glúten ao lado da programação convencional também transmite uma mensagem para as outras crianças: pessoas diferentes podem precisar de alimentos diferentes, e isso não impede ninguém de brincar junto.
Halloween será gratuito, mas é preciso reservar vaga
A Caça aos Doces de Halloween do SP Market acontece no sábado, 31 de outubro de 2026, das 14h às 20h.
A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas. O cadastro deve ser feito pelos responsáveis exclusivamente pelo aplicativo do Shopping SP Market. As inscrições foram abertas em 16 de outubro.
O aplicativo oficial pode ser acessado pela própria página do shopping e reúne eventos, promoções e outras funcionalidades.
A brincadeira começa próxima à loja Nike. Depois de receber o mapa, a criança percorre as etapas, reúne os carimbos e, ao completar o circuito, recebe sua sacolinha de Halloween.
O SP Market fica na Avenida das Nações Unidas, 22.540, Jurubatuba, Zona Sul de São Paulo, próximo à estação Jurubatuba. O site oficial informa atualmente o telefone (11) 5026-8777 e o e-mail sac@shoppingspmarket.com.br para contato.
Página oficial do aplicativo SP Market
Por que iniciativas assim merecem ser replicadas
Uma criança não deveria precisar escolher entre cuidar da saúde e participar da infância.
Para quem tem doença celíaca, a dieta sem glúten continuará sendo necessária no Halloween, no aniversário, na escola, nas férias e em qualquer outro dia. O que pode mudar é o ambiente ao redor dela.
Quando uma escola prepara uma alternativa segura, quando uma festa pensa previamente nas restrições alimentares ou quando um shopping inclui doces sem glúten em uma brincadeira tradicional, a mensagem deixa de ser “vamos encontrar alguma coisa para você” e passa a ser “nós já pensamos em você”.
Para uma criança, essa diferença pode ser enorme.
O Halloween do SP Market é uma iniciativa comercial e de lazer, mas também oferece um exemplo prático de algo que pode ser reproduzido em muitos outros lugares: planejar para incluir desde o começo.
Porque, no fim, nenhuma criança quer ser lembrada apenas pelo alimento que não pode comer.
Ela quer colocar a fantasia, pegar o mapa, correr atrás dos carimbos, encontrar os amigos e voltar para casa contando como foi a brincadeira.
E é exatamente assim que deveria ser.
Serviço
- Caça aos Doces de Halloween – Shopping SP Market
- Data: 31 de outubro de 2026, sábado
- Horário: 14h às 20h
- Local: Shopping SP Market
- Endereço: Av. das Nações Unidas, 22.540, Jurubatuba, São Paulo (SP)
- Ponto de partida: próximo à loja Nike
- Participação: gratuita
- Vagas: limitadas
- Inscrição: exclusivamente pelo aplicativo do SP Market
- Inclusão alimentar: a organização informa que haverá opções de doces sem glúten e sem lactose.
FAQ – Perguntas Frequentes
A Caça aos Doces terá opções sem glúten?
Sim. A divulgação oficial informa que a edição de 2026 terá opções de doces sem glúten e sem lactose para ampliar a participação de crianças com restrições alimentares.
O evento é gratuito?
Sim. A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas e exigem cadastro antecipado no aplicativo do SP Market.
Quando acontece?
No sábado, 31 de outubro, das 14h às 20h.
Como funciona a caça aos doces?
As crianças começam o percurso próximo à loja Nike, recebem um mapa e passam pelas etapas indicadas, realizando atividades e coletando carimbos. Ao completar o circuito, recebem uma sacolinha com doces.
Onde fazer a inscrição?
O cadastro é feito exclusivamente pelo aplicativo oficial do Shopping SP Market. As inscrições começaram em 16 de outubro.
A iniciativa é nova?
Não. Segundo o case apresentado pelo SP Market ao Prêmio Abrasce, a primeira edição inclusiva foi realizada em 2024 e teve mais de 5 mil inscrições. A experiência passou a fazer parte do calendário do shopping e, em 2026, tornou-se finalista do Prêmio Abrasce na categoria Inovação.
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Fontes
- Associação Brasileira de Shopping Centers. Caça aos Doces de Halloween no SP Market garante doces sem glúten e sem lactose. 16 out. 2026. ABRASCE
- Prêmio Abrasce. SP Market adota selo (Abóbora Azul) inédito no Brasil para Halloween inclusivo. Prêmio Abrasce 2026.
- Food Allergy Research & Education. Teal Pumpkin Project.
- Food Allergy Research & Education. FARE’s Teal Pumpkin Project Returns This Halloween Season. 22 set. 2026.
- Conexão Alimentar. Halloween Inclusivo.
- Singh P, et al. Effect of gluten-free diet and compliance on quality of life in pediatric celiac disease patients. JGH Open. 2019. PubMed
- Meyer S, Rosenblum S. Activities, Participation and Quality of Life Concepts in Children and Adolescents with Celiac Disease: A Scoping Review. Nutrients. 2017;9(9):929. PubMed
- Shani M, Kraft L, Müller M, Boehnke K. The potential benefits of camps for children and adolescents with celiac disease on social support, illness acceptance, and health-related quality of life. J Health Psychol. 2022;27(7):1635-1645. PubMed
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