Agência explica como consultar a regularização de suplementos, verificar rótulos e identificar produtos irregulares. Após o encerramento do prazo de adequação em setembro de 2026, fabricantes também precisam apresentar documentação técnica que inclui estudos de estabilidade. Para pessoas com doença celíaca, a escolha exige cuidados adicionais com o glúten e as necessidades nutricionais.
Vitaminas, minerais, probióticos e outros suplementos alimentares são encontrados facilmente em farmácias, lojas especializadas e plataformas de comércio eletrônico. Muitos produtos prometem melhorar a disposição, fortalecer o organismo ou compensar deficiências nutricionais. Entretanto, nem sempre o consumidor sabe como verificar se o suplemento está regularizado, se sua composição é adequada ou se realmente precisa utilizá-lo.
Para pessoas com doença celíaca, essa preocupação ganha uma dimensão adicional. A doença pode comprometer a absorção de nutrientes e provocar deficiências de ferro, folato, vitamina B12, vitamina D e outros micronutrientes. Em determinadas situações, a suplementação faz parte do acompanhamento médico e nutricional, mas isso não significa que todos os celíacos precisem utilizar os mesmos produtos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reuniu orientações oficiais sobre o uso seguro de suplementos alimentares, incluindo informações sobre regularização, composição, rotulagem e riscos associados ao consumo inadequado.
Os cuidados ganharam ainda mais importância após o encerramento, em 1º de setembro de 2026, do prazo de transição estabelecido pela Agência para a notificação de determinados suplementos. A documentação exigida inclui estudos de estabilidade, que devem demonstrar a manutenção das características do produto durante o prazo de validade.
Para quem tem doença celíaca, escolher um suplemento envolve três questões fundamentais: confirmar sua regularidade sanitária, verificar se é seguro para uma dieta sem glúten e avaliar se existe necessidade real de suplementação.
Como saber se um suplemento alimentar é seguro e regularizado pela Anvisa?
Para verificar se um suplemento alimentar está regularizado, o consumidor deve conferir as informações da embalagem e pesquisar o produto no sistema oficial de consultas da Anvisa.
Suplementos notificados apresentam um número de processo, enquanto produtos registrados possuem número de registro. O status ativo indica regularização sanitária, mas não significa necessariamente que a Agência tenha avaliado previamente cada produto.
Também é necessário verificar a composição, as advertências, a declaração de glúten, o prazo de validade e a orientação profissional sobre seu uso.
O que a Anvisa exige dos suplementos alimentares comercializados no Brasil?
Os suplementos alimentares são produtos destinados a complementar a alimentação com nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos.
Eles podem ser comercializados em cápsulas, comprimidos, pós, soluções líquidas e outras apresentações autorizadas.
Segundo a Anvisa, as formulações devem utilizar ingredientes permitidos pela regulamentação brasileira e respeitar condições específicas de composição, rotulagem e uso.
Uma das diferenças mais importantes está na finalidade desses produtos.
Suplementos alimentares não são medicamentos. Por isso, não podem apresentar alegações de prevenção, tratamento ou cura de doenças.
Isso não impede que um médico ou nutricionista indique suplementação para uma pessoa com necessidades nutricionais específicas. Entretanto, quando existe uma deficiência diagnosticada que exige tratamento, a conduta deve considerar sua gravidade e a forma de reposição necessária.
Em algumas situações, pode ser indicada a utilização de um suplemento alimentar. Em outras, são necessários medicamentos ou formas específicas de reposição de nutrientes.
Suplementos não substituem uma alimentação equilibrada
A Anvisa ressalta que nenhum suplemento substitui uma alimentação saudável, variada e equilibrada.
O fato de um produto conter ferro, vitamina B12, cálcio ou vitamina D não significa que sua utilização seja necessária para todas as pessoas.
Também não é correto considerar que doses mais elevadas produzam automaticamente benefícios superiores.
A regulamentação brasileira estabelece limites de composição e condições de uso para diferentes ingredientes, considerando grupos populacionais e faixas etárias.
Para pessoas com doença celíaca, o primeiro passo deve ser identificar quais nutrientes realmente precisam de acompanhamento ou reposição.
Como consultar se um suplemento está regularizado na Anvisa?

Uma das orientações mais importantes para o consumidor é verificar a situação sanitária do produto antes da compra.A Anvisa disponibiliza uma ferramenta pública de consulta, que permite pesquisar suplementos registrados ou notificados.
O procedimento depende das informações apresentadas na embalagem.
Suplementos notificados
Quando o rótulo apresentar a expressão “Alimento notificado na Anvisa”, seguida do número do processo, o consumidor deve:
- 1. Acessar o Portal de Consultas da Anvisa.
- 2. Selecionar a opção “Busca avançada”.
- 3. Informar o número indicado na embalagem no campo “Número do processo”.
- 4. Clicar em “Consultar”.
- 5. Conferir a identificação e a situação do produto.
Se o resultado estiver ativo, significa que o suplemento apresenta regularização sanitária nessa modalidade.
Suplementos registrados
Alguns suplementos regularizados conforme regras anteriores podem apresentar a expressão “Alimento registrado na Anvisa”, acompanhada do número de registro.
Nesse caso, o consumidor deve utilizar o campo “Número da regularização”, disponível na busca avançada.
O resultado permite verificar se o registro está ativo e se corresponde ao produto consultado.
O que significam os resultados ativo e inativo?
Segundo a orientação oficial da Anvisa, o status ativo indica que o produto está regularizado.
Já o status inativo significa que não existe uma regularização ativa para aquele produto na modalidade consultada.Entretanto, essa informação precisa ser interpretada considerando as regras aplicáveis e os períodos de transição.
A Agência também esclarece que podem existir suplementos regularizados anteriormente perante as vigilâncias sanitárias estaduais ou municipais. Esses produtos nem sempre aparecem na mesma base nacional de consultas.
Por isso, a ausência de resultado na pesquisa não deve ser interpretada automaticamente como prova de irregularidade, especialmente quando existem lotes abrangidos pelas disposições transitórias.
Notificação na Anvisa não significa aprovação prévia de cada suplemento
Existe uma diferença importante entre registro sanitário e notificação.
No sistema de notificação, a regularização ocorre mediante a apresentação das informações e da documentação exigidas pela legislação, sem necessidade de análise prévia individual da Agência.
A própria Anvisa esclarece, em suas orientações ao setor regulado, que a notificação é automática e não depende de aprovação antecipada.Isso significa que um produto pode aparecer como ativo no sistema sem que todos os seus documentos técnicos tenham sido individualmente examinados antes da comercialização.
Os fabricantes continuam responsáveis pelo cumprimento dos requisitos sanitários, e a Anvisa pode avaliar posteriormente a documentação, realizar ações de fiscalização e determinar medidas quando forem identificadas irregularidades.
Portanto, suplemento notificado não significa suplemento clinicamente recomendado, nem representa garantia de que sua eficácia para determinada finalidade tenha sido comprovada.
A consulta pública confirma uma etapa importante da regularização, mas não substitui a avaliação do produto e de sua necessidade de utilização.
Prazo para regularização dos suplementos terminou em setembro de 2026
Uma mudança importante ocorreu com a publicação da RDC nº 843/2024.
As normas estabeleceram novas regras para a regularização de diferentes categorias de alimentos, incluindo suplementos alimentares, e entraram em vigor em 1º de setembro de 2024.
Foi definido um período de transição para que determinados produtos já comercializados pudessem se adequar às novas exigências.
Esse prazo terminou em 1º de setembro de 2026.
Em comunicado oficial publicado naquela data, a Anvisa esclareceu que suplementos comunicados à Vigilância Sanitária local até 31 de agosto de 2024 deveriam ser notificados à Agência até o encerramento do período de transição.
A notificação passou a ser necessária para a manutenção da regularização sanitária dos produtos abrangidos pelas novas regras.
Produtos fabricados antes de setembro de 2026 ainda podem ser vendidos?
Em determinadas situações, sim.
A Anvisa explicou que suplementos devidamente comunicados à Vigilância Sanitária local até 31 de agosto de 2024 e fabricados até 1º de setembro de 2026 podem continuar sendo comercializados até o término de sua validade, mesmo sem notificação na base nacional.
Essa possibilidade depende do cumprimento das condições estabelecidas na regulamentação e da situação de cada produto.
A Agência orienta que sejam considerados a data de comunicação à vigilância sanitária, a fabricação do lote, o prazo de validade e as informações de rastreabilidade.
Portanto, encontrar um suplemento sem número de notificação não significa necessariamente que ele esteja irregular. É preciso verificar seu enquadramento e as regras aplicáveis.
Fabricantes precisam apresentar estudos que comprovem a estabilidade dos suplementos
Além da regularização sanitária, existe outra exigência importante para a segurança dos suplementos alimentares: a comprovação de que o produto mantém suas características de composição, qualidade e segurança durante o prazo de validade declarado.Essas informações são obtidas por meio de estudos de estabilidade.
A RDC nº 243/2018 já estabelecia a obrigação de comprovar a estabilidade dos suplementos.
Posteriormente, a IN nº 281/2024, atualizada pela IN nº 368/2025, passou a incluir expressamente o relatório desses estudos entre os documentos necessários para a notificação dos suplementos alimentares.
O Anexo X da norma exige um relatório capaz de demonstrar a manutenção das características do produto, incluindo suas propriedades nutricionais, durante todo o prazo de validade.
Para produtos destinados à diluição, também são previstos estudos após a reconstituição, conforme as características da preparação.
O que os estudos de estabilidade avaliam?
Os estudos procuram demonstrar se o produto mantém as características exigidas durante o armazenamento e pelo período de validade proposto.
No caso dos suplementos alimentares, isso é importante porque determinados componentes podem apresentar alterações conforme as condições de conservação, a formulação e o tempo de armazenamento.
Vitaminas, por exemplo, podem sofrer degradação em determinadas condições.
Os estudos de estabilidade ajudam a fundamentar o prazo de validade e a demonstrar que a composição do produto permanece dentro dos requisitos aplicáveis.
Isso é particularmente relevante quando a pessoa utiliza um suplemento para complementar a ingestão de determinado nutriente.
A quantidade declarada no rótulo precisa corresponder às características exigidas do produto ao longo do período de validade, nas condições de armazenamento estabelecidas.
Setembro de 2026 também foi o prazo para os relatórios de estabilidade?
Aqui existe uma distinção importante.
O prazo encerrado em 1º de setembro de 2026 dizia respeito à notificação dos suplementos abrangidos pelas regras de transição.
Entretanto, o processo de notificação exige documentação técnica que inclui o relatório de estabilidade.
Assim, as empresas que precisavam notificar seus suplementos até setembro de 2026 também precisavam atender às exigências documentais aplicáveis, incluindo a comprovação da estabilidade.
Isso não significa que os estudos de estabilidade tenham se tornado obrigatórios apenas em setembro de 2026.
No comunicado oficial publicado em 1º de setembro, a Anvisa esclareceu que a transição não criou um novo prazo para o cumprimento das demais exigências sanitárias, incluindo os estudos de estabilidade previstos desde 2018.
Portanto, os dois fatos precisam ser considerados conjuntamente: a obrigação de comprovar a estabilidade já existia, e o relatório integra a documentação exigida na notificação.
Consumidores conseguem consultar os testes de estabilidade?
A consulta pública à regularização do suplemento não significa que o consumidor tenha acesso aos relatórios técnicos completos de estabilidade.
Esses documentos fazem parte das obrigações regulatórias dos fabricantes e podem ser avaliados pela autoridade sanitária.
Por isso, não é correto interpretar o status ativo na consulta da Anvisa como confirmação de que todos os estudos já foram individualmente analisados e aprovados.
A regularização é importante, mas a fiscalização e a responsabilidade técnica dos fabricantes continuam sendo fundamentais.
Anvisa determinou recolhimento de suplementos por falta de comprovação de estabilidade
Um exemplo concreto da importância dessas exigências ocorreu em setembro de 2026.
Em comunicado publicado em 21 de setembro, a Anvisa informou que havia determinado o recolhimento de todos os suplementos alimentares de uma determinada marca comercializados pelo site indicado na medida sanitária.
Segundo a Agência, os produtos fabricados pela empresa não apresentavam comprovação adequada de origem e regularização sanitária.
Também foram apontadas irregularidades relacionadas à garantia dos padrões de identidade e qualidade, incluindo ausência de comprovação dos estudos de estabilidade necessários para demonstrar a manutenção das características dos produtos até o vencimento.
A medida determinou a proibição de fabricação, distribuição, comercialização, divulgação e utilização dos suplementos abrangidos.
O caso demonstra que a estabilidade não é apenas uma exigência documental, mas parte dos requisitos técnicos utilizados para avaliar a qualidade e a segurança dos produtos.
Também reforça que a regularização sanitária não deve ser confundida com a simples apresentação comercial de um suplemento no mercado.
O que verificar no rótulo antes de comprar um suplemento alimentar?

A embalagem é uma das principais fontes de informação para o consumidor.
| Informação | O que conferir | Por que é importante |
| Identificação | Expressão “SUPLEMENTO ALIMENTAR” e forma de apresentação | Permite reconhecer a categoria do produto |
| Regularização | Número de processo ou registro, conforme a modalidade aplicável | Possibilita consultar a situação sanitária |
| Ingredientes | Composição completa da fórmula | Ajuda a identificar componentes incompatíveis com restrições alimentares |
| Glúten | Declaração “CONTÉM GLÚTEN” ou “NÃO CONTÉM GLÚTEN” | Essencial para pessoas celíacas |
| Tabela nutricional | Quantidade de nutrientes e outras substâncias por porção | Permite conferir o conteúdo e comparar com a orientação recebida |
| Modo de uso | Quantidade e frequência recomendadas | Ajuda a evitar consumo inadequado |
| Advertências | Restrições e cuidados específicos | Identifica grupos para os quais o produto pode não ser indicado |
| Fabricante | Nome, identificação e procedência | Permite localizar o responsável pelo produto |
| Lote e validade | Identificação do lote e prazo de vencimento | Importante para rastreabilidade e conservação |
Fonte: Anvisa, orientações sobre rotulagem de suplementos alimentares.
Também é necessário observar se o produto faz promessas incompatíveis com sua categoria.
Alegações de cura, tratamento de doenças ou resultados garantidos não são permitidas para suplementos alimentares.
Pessoas com doença celíaca precisam verificar a presença de glúten nos suplementos
Para pessoas celíacas, um suplemento regularizado não é necessariamente um suplemento adequado à dieta sem glúten.
A segurança depende também de sua composição. No Brasil, a Lei nº 10.674/2003 determina que produtos alimentícios industrializados informem a presença ou ausência de glúten na rotulagem.
Essa obrigação também se aplica aos suplementos alimentares.
A própria Anvisa confirma, em suas orientações sobre rotulagem, que devem ser apresentadas informações sobre glúten, lactose e alergênicos.
Por isso, antes de comprar um suplemento, é necessário verificar a declaração “NÃO CONTÉM GLÚTEN” na embalagem.
Também é importante conferir a lista completa de ingredientes, especialmente em produtos que possuem aromas, corantes, espessantes, excipientes ou outros componentes utilizados na formulação.
Uma cápsula de vitamina D, por exemplo, não deve ser considerada automaticamente segura para celíacos apenas porque o nutriente principal não contém glúten.
O produto precisa ser avaliado em sua composição completa.
Suplemento regularizado na Anvisa é automaticamente sem glúten?
Não.
São informações diferentes.
A regularização sanitária está relacionada ao enquadramento do produto nas exigências estabelecidas pela regulamentação.
Já a declaração de glúten informa se o produto apresenta essa característica relevante para pessoas com doença celíaca.
Um suplemento pode estar regularmente comercializado e conter glúten, desde que cumpra a legislação aplicável.
Da mesma maneira, a declaração “NÃO CONTÉM GLÚTEN” não substitui a verificação da regularização sanitária. Para o consumidor celíaco, as duas condições precisam ser observadas.
Quais vitaminas e minerais podem exigir suplementação na doença celíaca?
A doença celíaca pode comprometer a absorção de micronutrientes, principalmente quando existe inflamação ativa da mucosa intestinal.
Entre os nutrientes que merecem acompanhamento estão ferro, folato, vitamina B12, vitamina D e cálcio.
As diretrizes da British Society of Gastroenterology, atualizadas em 2026, recomendam investigar e monitorar essas deficiências no diagnóstico e durante o acompanhamento de adultos com doença celíaca.
Entretanto, as recomendações não indicam suplementação preventiva indiscriminada acima das orientações nutricionais gerais.A reposição deve considerar a necessidade identificada.
Estudo de 2026 encontrou deficiências nutricionais em 93,1% dos celíacos avaliados
Uma pesquisa publicada em outubro de 2026 na revista Medicine avaliou 102 adultos com doença celíaca confirmada por biópsia intestinal.
Os pesquisadores encontraram pelo menos uma deficiência de micronutrientes em 93,1% dos participantes.
A vitamina D apresentou a maior frequência de deficiência, com 90,2%, seguida por folato, ferro e vitamina B12.
Esses resultados já foram analisados pelo Eu Celíaca na reportagem Quais vitaminas e minerais apresentam mais deficiência em pessoas com doença celíaca? Estudo traz números.
Os percentuais pertencem à população estudada e não devem ser interpretados como estimativas universais para todas as pessoas celíacas.
O principal ensinamento é que as necessidades nutricionais podem variar bastante, inclusive entre pacientes que já seguem a dieta sem glúten há vários anos.
Nutrientes que merecem acompanhamento
| Nutriente | Por que merece atenção | Cuidado ao suplementar |
| Ferro | A deficiência pode causar anemia e fadiga | A reposição depende da avaliação dos estoques e da presença de anemia |
| Vitamina B12 | Importante para o sistema nervoso e a formação de células sanguíneas | Dose e via de reposição dependem da gravidade da deficiência |
| Folato (B9) | Participa da síntese de DNA e da formação das células | Deve ser avaliado considerando também outras possíveis deficiências |
| Vitamina D | Participa da saúde óssea e do metabolismo do cálcio | Doses excessivas podem provocar efeitos adversos |
| Cálcio | Fundamental para a mineralização dos ossos e outras funções | A necessidade depende da alimentação e da avaliação clínica |
| Zinco | Participa de processos imunológicos, crescimento e reparação dos tecidos | Investigação e reposição podem ser necessárias em situações selecionadas de má absorção |
Fontes: Diretrizes britânicas de 2026 e estudo publicado na revista Medicine em 2026. A tabela não significa que todos os celíacos precisam tomar esses suplementos.
Ela apresenta nutrientes que podem exigir investigação e, quando necessário, reposição individualizada.
Tomar várias vitaminas ao mesmo tempo pode provocar riscos?
Sim. O uso simultâneo de diferentes suplementos pode aumentar a ingestão de determinados nutrientes acima do necessário.
Isso acontece, por exemplo, quando uma pessoa utiliza um multivitamínico associado a suplementos individuais que fornecem as mesmas vitaminas ou minerais.
Segundo a Anvisa, até produtos regularizados podem oferecer riscos quando consumidos em quantidades superiores às recomendadas ou por grupos para os quais não são indicados.
O excesso de determinados nutrientes pode provocar efeitos adversos. Também existem suplementos que podem interagir com medicamentos ou interferir no aproveitamento de outros nutrientes.
Por isso, é importante informar ao médico e ao nutricionista todos os produtos utilizados, incluindo multivitamínicos e suplementos comprados sem prescrição.
Esse cuidado é especialmente relevante para pessoas celíacas que realizam reposição de mais de um micronutriente.
Como identificar suplementos irregulares e propagandas enganosas?

O consumidor também precisa avaliar onde compra seus suplementos e quais benefícios estão sendo prometidos.
Em um alerta publicado em julho de 2026, a Anvisa chamou atenção para a divulgação de produtos por influenciadores e para conteúdos manipulados por inteligência artificial que utilizam indevidamente imagens e vozes de pessoas conhecidas.
A Agência alertou sobre o risco de produtos clandestinos, falsificados ou comercializados com alegações enganosas.
Entre os sinais que merecem desconfiança estão promessas de cura, afirmações de resultados garantidos, ausência de procedência e divulgação de produtos supostamente livres de qualquer risco.
Para pessoas com doença celíaca, isso também se aplica aos suplementos anunciados como capazes de proteger o intestino contra o glúten, reparar automaticamente a mucosa ou permitir o consumo de alimentos com trigo.
Nenhuma dessas promessas substitui o tratamento recomendado para a doença celíaca.
Onde consultar produtos irregulares?
A Anvisa mantém uma área de consulta de suplementos alimentares irregulares.
O consumidor pode pesquisar medidas sanitárias adotadas contra determinados produtos.
Entre as irregularidades identificadas estão:
- Utilização de ingredientes não autorizados;
- Problemas de qualidade;
- Alegações de benefícios não permitidas;
- Propaganda enganosa;
- Fabricantes ou origem desconhecidos.
A ausência de determinado suplemento na lista de produtos irregulares não representa garantia de que ele tenha sido fiscalizado individualmente.
Por isso, a consulta deve ser utilizada em conjunto com a verificação da regularização sanitária, da embalagem e da procedência.
Atenção, celíacos: suplemento seguro não significa suplemento necessário
A doença celíaca exige dieta rigorosamente sem glúten durante toda a vida. O acompanhamento nutricional também é importante para identificar deficiências que possam surgir antes ou depois do diagnóstico.
Entretanto, não existe um conjunto fixo de suplementos que toda pessoa celíaca precise utilizar.
O primeiro passo é avaliar se existe deficiência nutricional e qual reposição realmente é necessária.
Depois, é preciso verificar a regularização do produto, a composição, a declaração de glúten, a validade, as condições de armazenamento e a dose indicada.
Também é importante não substituir medicamentos prescritos por suplementos alimentares apenas porque determinado produto parece mais natural ou apresenta uma publicidade atraente.
Quando houver reação inesperada ou suspeita de problema de qualidade, procure orientação profissional e mantenha a embalagem, o número do lote e outras informações que permitam identificar o produto.
A Anvisa disponibiliza canais oficiais para comunicação de problemas e eventos adversos.
A suplementação deve complementar o cuidado nutricional quando necessária, nunca substituir o tratamento da doença celíaca.
FAQ: dúvidas sobre suplementos alimentares e Anvisa
Como saber se um suplemento alimentar está regularizado na Anvisa?
A regularização pode ser consultada no Portal de Consultas da Anvisa, utilizando o número do processo ou registro apresentado na embalagem. O status ativo indica regularização sanitária na modalidade consultada, mas não significa necessariamente aprovação prévia individual da fórmula.
Todos os suplementos precisam ter estudos de estabilidade?
Os suplementos devem atender aos requisitos de estabilidade previstos na legislação. A RDC nº 243/2018 exige comprovação da manutenção das características dos produtos até o vencimento. O relatório também integra a documentação exigida para notificação pela IN nº 281/2024, atualizada em 2025.
O que mudou para os suplementos em setembro de 2026?
Terminou o prazo de transição para notificação de determinados suplementos que já estavam no mercado. A documentação exigida inclui estudos de estabilidade. Entretanto, esses estudos já eram obrigatórios anteriormente. A Anvisa esclareceu a diferença em setembro de 2026.
Suplemento com número de notificação é totalmente seguro?
O número permite consultar a regularização sanitária, mas a notificação não significa que todos os documentos técnicos tenham sido previamente avaliados pela Agência. A segurança também depende da composição, da qualidade, da procedência, do armazenamento e da utilização correta.
Como saber se um suplemento é seguro para pessoas celíacas?
Verifique a declaração “NÃO CONTÉM GLÚTEN”, a lista completa de ingredientes e a regularização sanitária. Em caso de dúvida sobre a composição ou a rotulagem, procure esclarecimentos junto ao fabricante antes de consumir.
Pessoas celíacas precisam tomar vitaminas permanentemente?
Não necessariamente. A necessidade de suplementação depende das deficiências identificadas, da alimentação, da recuperação intestinal e de fatores clínicos individuais. As diretrizes de 2026 recomendam acompanhamento dos micronutrientes e reposição quando indicada.
Suplementos naturais são sempre seguros?
Não. A origem natural de um ingrediente não garante ausência de efeitos adversos ou interações. A Anvisa alerta que ingredientes extraídos de fontes naturais também podem apresentar riscos, dependendo da substância, do processamento e da quantidade consumida.
Suplementos podem substituir a dieta sem glúten?
Não. A dieta rigorosamente sem glúten continua sendo o tratamento da doença celíaca. Suplementos podem atender necessidades nutricionais específicas, mas não neutralizam os efeitos imunológicos provocados pela ingestão de glúten.
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Conclusão
As orientações da Anvisa mostram que escolher um suplemento alimentar exige mais do que observar a marca, o preço ou as promessas apresentadas na embalagem.
A regularização sanitária, a composição, a rotulagem e as condições de uso são informações essenciais para reduzir riscos.
As mudanças implementadas a partir de 2024 e o encerramento do prazo de transição em setembro de 2026 também reforçaram a importância da documentação técnica apresentada pelos fabricantes, incluindo os estudos de estabilidade que fundamentam o prazo de validade dos produtos.
Esses estudos já eram exigidos pela regulamentação brasileira, mas passaram a integrar expressamente a documentação necessária à notificação.
Para pessoas com doença celíaca, existe um cuidado adicional: verificar se o suplemento é adequado à dieta sem glúten e se sua utilização realmente corresponde a uma necessidade nutricional.
As pesquisas mostram que deficiências de ferro, folato, vitamina B12 e vitamina D podem ocorrer em pacientes celíacos, inclusive após o início do tratamento dietético. Entretanto, isso não significa que todos precisem utilizar os mesmos suplementos ou receber doses semelhantes.
O suplemento mais adequado não é necessariamente aquele que oferece mais vitaminas ou a maior concentração de nutrientes, mas aquele cuja utilização é justificada pela avaliação individual e cuja composição, regularização e qualidade podem ser verificadas.
A dieta sem glúten permanece indispensável. Quando a suplementação é necessária, sua escolha também deve fazer parte de um acompanhamento seguro e fundamentado.
Referências científicas e fontes
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Suplemento alimentar: o que você precisa saber para usar com segurança. Brasília: Anvisa.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Como saber se um suplemento alimentar é autorizado? Brasília: Anvisa.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Anvisa alerta e orienta sobre o prazo de adequação às regras de regularização de alimentos. Brasília: Anvisa; 2026 set 1. Comunicado oficial.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Resolução RDC nº 243, de 26 de julho de 2018. Dispõe sobre os requisitos sanitários dos suplementos alimentares. Brasília: Anvisa; 2018.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Resolução RDC nº 843, de 22 de fevereiro de 2024. Dispõe sobre a regularização de alimentos e embalagens sob competência do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília: Anvisa; 2024. Normas de regularização de alimentos.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Instrução Normativa nº 281, de 22 de fevereiro de 2024. Estabelece a forma de regularização das diferentes categorias de alimentos e embalagens e a documentação exigida. Atualizada pela IN nº 368/2025. Brasília: Anvisa. IN nº 281/2024, texto atualizado.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Anvisa suspende venda de suplementos da marca Eleve. Brasília: Anvisa; 2026 set 21. Comunicado de recolhimento.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Lembre-se de ler o rótulo com atenção. Brasília: Anvisa. Rotulagem de suplementos.
- Kara SK, Basat S, Kara Ç. Autoimmune diseases and autoimmune polyglandular syndromes in adult patients with biopsy-confirmed celiac disease: a prospective study. Medicine (Baltimore). 2026;105(42). doi: 10.1097/MD.0000000000051184.
- British Society of Gastroenterology. The 2026 British Society of Gastroenterology guidelines on the diagnosis and management of adult coeliac disease. Gut. 2026. doi: 10.1136/gutjnl-2025-337747.
- Brasil. Lei nº 10.674, de 16 de maio de 2003. Obriga que produtos alimentícios comercializados informem sobre a presença de glúten. Brasília: Presidência da República; 2003.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Viu alguém indicando medicamento ou suplemento alimentar? Cuidado, pode não ser seguro. Brasília: Anvisa; 2026 jul 21. Alerta oficial.
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