Comprar pão fresco, escolher um salgado ou levar um bolo da padaria enquanto se faz a compra do mês parece uma experiência banal. Para quem tem doença celíaca, não é.
Padarias convencionais estão entre os ambientes que mais exigem atenção por causa do uso constante de farinha de trigo, que pode se espalhar pelo ambiente e alcançar superfícies, equipamentos, utensílios e preparações originalmente sem glúten.
Curitiba começa a apresentar um cenário diferente.
No dia 29 de outubro de 2026, o supermercado Ítalo Portão será reinaugurado após uma ampla revitalização e passará a contar com uma padaria 100% sem glúten. As divulgações da reinauguração também destacam a nova padaria sem glúten como uma das principais novidades da loja e informam que o espaço é voltado ao público celíaco e a consumidores com outras restrições.
É a segunda padaria 100% sem glúten da rede dentro de um supermercado em Curitiba em menos de três meses. A primeira foi inaugurada em 12 de agosto, no Ítalo Barigui, com estrutura exclusiva destinada à prevenção da contaminação cruzada. O Eu Celíaca esteve pessoalmente na unidade depois da abertura e encontrou pães, salgados e doces produzidos na operação dedicada.
A expansão ganha ainda mais significado quando observada ao lado dos números do setor. Um levantamento atualizado da Grand View Research estima que o mercado brasileiro de produtos sem glúten tenha movimentado US$ 432,8 milhões em 2025 e possa chegar a US$ 844,5 milhões em 2033. E há um dado especialmente importante para esta notícia: produtos de panificação representaram 39,56% da receita desse mercado em 2025, sendo a maior categoria e também a de crescimento mais rápido na projeção da consultoria.
A oportunidade não se restringe aos aproximadamente 1% da população com doença celíaca. Quando se considera também o universo da sensibilidade ao glúten ou trigo não celíaca e da alergia ao trigo, o público potencial relacionado ao mercado sem glúten pode superar 10% da população. No Brasil de 2026, isso representa mais de 21 milhões de pessoas.
O que muda com a nova padaria sem glúten do Ítalo Portão?
O Ítalo Portão será reinaugurado em 29 de outubro, às 8h, na Rua João Bettega, 1040, em Curitiba, e terá uma padaria 100% sem glúten. Será a segunda unidade da rede na capital paranaense com uma operação de panificação totalmente dedicada ao segmento, depois do Ítalo Barigui, inaugurado em agosto. A expansão mostra que o formato deixou de aparecer apenas em uma loja-conceito e começa a ser reproduzido em outra unidade do varejo.
O supermercado está instalado no bairro Portão desde 2020. Segundo a empresa, a revitalização acompanha mudanças no bairro e nos hábitos dos consumidores. A loja ganhou novos ambientes, uma seleção ampliada de produtos, adega renovada e a nova padaria sem glúten.
Serviço
| Informação | Detalhes |
| Supermercado | Ítalo Portão |
| Reinauguração | 29 de outubro de 2026 |
| Horário da reinauguração | 8h |
| Endereço | Rua João Bettega, 1040, Portão, Curitiba |
| Principal novidade para celíacos | Padaria 100% sem glúten |
| Outras mudanças | Adega revitalizada, novos ambientes e ampliação da seleção de produtos |
As matérias públicas consultadas até o momento descrevem o espaço como padaria sem glúten e voltada ao público celíaco, mas ainda não apresentam o mesmo nível de detalhamento sobre equipamentos, fluxos e protocolos que foi divulgado na inauguração do Ítalo Barigui.
De uma para duas padarias em pouco mais de dois meses
A velocidade dessa expansão é talvez o ponto mais interessante da notícia.
Em 12 de agosto de 2026, Curitiba recebeu a primeira padaria anunciada como 100% sem glúten dentro de um supermercado da cidade, no Ítalo Barigui. A unidade recebeu investimento de R$ 50 milhões e foi construída como supermercado-conceito.
Na ocasião, o Grupo Ítalo informou que a padaria teria estrutura exclusiva, equipamentos independentes e processos voltados à prevenção da contaminação cruzada. Depois da abertura, a Prefeitura de Curitiba também destacou a estrutura exclusiva.
O Eu Celíaca visitou o supermercado em setembro e encontrou uma operação que já funcionava na prática, com diferentes tipos de pães, doces e salgados. Entre os produtos experimentados pela reportagem estavam coxinha e empadinha de palmito.
Agora, cerca de dois meses e meio depois, o conceito chega ao Portão.
Isso muda a leitura empresarial da iniciativa. Uma operação isolada em uma loja-conceito poderia ser entendida apenas como um diferencial específico daquele empreendimento. Quando a mesma rede leva a padaria 100% sem glúten para uma segunda unidade, aparece um sinal de replicação do modelo.
Uma evolução que já começou antes em Cascavel
Curitiba, entretanto, não inaugura a história da panificação sem glúten dentro de supermercados no Paraná.
Em Cascavel, o Super Beal já possui uma longa experiência nesse formato.
Há registro publicado em 2014 de uma parceria entre o supermercado e a Acelbra Cascavel para a realização de um rodízio de pizzas sem glúten. A reportagem da época informava que o Super Beal possuía panificadora exclusiva para o preparo de produtos sem glúten e sem lactose. As pizzas servidas no evento foram produzidas pela própria equipe da panificadora do supermercado.
A estrutura continua em funcionamento atualmente, segundo confirmação obtida pelo Eu Celíaca.
Isso coloca a evolução paranaense em uma perspectiva interessante:
| Ano | Cidade | Evolução |
| 2014 | Cascavel | Super Beal já era documentado com panificadora exclusiva para produtos sem glúten e sem lactose |
| Agosto de 2026 | Curitiba | Ítalo Barigui inaugura padaria 100% sem glúten com estrutura exclusiva |
| Outubro de 2026 | Curitiba | Ítalo Portão passa a ser a segunda unidade da rede na capital com padaria 100% sem glúten |
Portanto, não se trata de dizer que o Paraná descobriu agora esse mercado. Cascavel já tinha uma experiência pioneira há mais de uma década. O que chama atenção em 2026 é a escala que o modelo começa a ganhar em Curitiba.
Por que ter uma padaria sem glúten dentro do supermercado faz tanta diferença?
Supermercados há anos comercializam pães, massas, biscoitos e bolos industrializados sem glúten.
Uma padaria dedicada dentro da própria loja é outra proposta.
Ela permite que o consumidor encontre produtos frescos e preparados para esse segmento no mesmo local onde faz as compras habituais da família.
Para pessoas com doença celíaca, há ainda uma questão de segurança.
Produzir um pão com ingredientes sem glúten dentro de uma padaria convencional não torna automaticamente esse pão apropriado para celíacos. Farinha de trigo pode alcançar o produto durante pesagem, preparo, fermentação, forneamento, resfriamento, exposição ou embalagem.
Na matéria publicada antes da inauguração do Ítalo Barigui, o Eu Celíaca já destacava justamente essa diferença: uma operação realmente dedicada precisa pensar não só na receita, mas também em equipamentos, armazenamento, utensílios, fluxo de produção e prevenção da contaminação cruzada.
É por isso que a expansão de padarias próprias sem glúten dentro de supermercados representa um estágio diferente de desenvolvimento desse mercado.
Panificação já é a maior categoria do mercado sem glúten no Brasil
Os números ajudam a entender por que uma rede de supermercados começa a investir justamente em padarias.
Dados atualizados pela Grand View Research estimam que o mercado brasileiro de produtos sem glúten tenha gerado US$ 432,8 milhões em receitas em 2025. A projeção é atingir US$ 844,5 milhões em 2033, com crescimento médio anual de 8,7% entre 2026 e 2033.
Mais importante para esta notícia: a consultoria aponta os produtos de panificação como a maior categoria brasileira de gluten free em 2025, com 39,56% da receita, além de classificá-los como o segmento de crescimento mais rápido no período projetado.
Outras consultorias chegam a números diferentes porque usam definições, bases e metodologias próprias, mas a direção é semelhante
| Fonte | Mercado brasileiro / global | Projeção |
| Grand View Research | Brasil: US$ 432,8 milhões em 2025 | US$ 844,5 milhões em 2033; CAGR de 8,7% |
| IMARC Group | Brasil: US$ 296,2 milhões em 2025 | US$ 555,2 milhões em 2034; CAGR de 7,23% |
| Mordor Intelligence | Brasil | CAGR projetado de 10,7% entre 2025 e 2030 |
| MarketsandMarkets | Global: US$ 8,34 bilhões em 2025 | US$ 11,78 bilhões em 2030; CAGR de 7,2% |
O Eu Celíaca já havia analisado essas diferenças ao mostrar que não existe um único número universal para medir o setor. As empresas incluem categorias e canais diferentes em seus cálculos. Ainda assim, todas apontam expansão do mercado.
Há ainda outro dado particularmente interessante para supermercados: segundo a MarketsandMarkets, lojas convencionais, incluindo supermercados e hipermercados, responderam por cerca de 71,7% da distribuição global de produtos sem glúten em 2025.
Ou seja, a expansão do gluten free não depende mais apenas de lojas especializadas. O supermercado tradicional está se tornando um dos principais lugares onde esse consumidor é disputado.
O mercado brasileiro pode praticamente dobrar
Na reportagem do Eu Celíaca sobre oportunidades profissionais ligadas ao mercado gluten free, mostramos que a estimativa da IMARC coloca o setor brasileiro em US$ 296,2 milhões em 2025, com possibilidade de chegar a US$ 555,2 milhões em 2034.
A Grand View Research, usando outra metodologia, projeta uma expansão ainda maior, de US$ 432,8 milhões para US$ 844,5 milhões entre 2025 e 2033.
Os valores absolutos variam bastante, mas em ambos os levantamentos existe uma conclusão comum: o mercado brasileiro pode chegar ao início da próxima década valendo quase o dobro do que movimentava em meados dos anos 2020.
E isso começa a ser percebido fora das estatísticas.
Restaurantes, cervejas, prêmios e agora supermercados: o gluten free ocupa novos espaços
Ao longo de 2026, o Eu Celíaca acompanhou diferentes sinais dessa transformação.
Em São Paulo, o mercado deixou de se concentrar apenas em pequenas prateleiras de produtos especiais. Restaurantes, pizzarias, hamburguerias, padarias, confeitarias, dark kitchens, congelados e operações de delivery já disputam o público gluten free.
Também mostramos que negócios 100% sem glúten passaram a conquistar premiações gastronômicas gerais, concorrendo não apenas dentro do segmento de restrições alimentares. A Amay Patisserie, por exemplo, acumulou títulos de Melhor Doceria pela VEJA São Paulo Comer & Beber, enquanto Curitiba passou a ter uma categoria específica de locais sem glúten com Selo Celíaco no Prêmio Bom Gourmet.
Até a indústria cervejeira dá sinais da mesma mudança. Dados do Anuário da Cerveja 2026 citados pelo Eu Celíaca mostram que a produção brasileira classificada como cerveja sem glúten chegou a 367,9 milhões de litros em 2025, alta de 417,6% em relação ao ano anterior.
Agora, a expansão chega a um dos pontos mais cotidianos da alimentação: a padaria do supermercado do bairro.
Talvez seja aí que a transformação fique mais visível.
O mercado sem glúten pode alcançar mais de 20 milhões de brasileiros
O crescimento não acontece apenas porque o gluten free virou tendência. Há uma demanda médica concreta por trás de parte importante desse mercado.
A doença celíaca atinge aproximadamente 1% da população mundial, embora a prevalência varie conforme o método de diagnóstico e a população estudada. Uma grande meta-análise encontrou prevalência global de 1,4% por sorologia e 0,7% quando considerados casos confirmados por biópsia.
Mas o universo de pessoas que precisam ou procuram uma alimentação sem glúten é consideravelmente maior.
Uma meta-análise recente sobre sensibilidade ao glúten ou trigo não celíaca autorrelatada reuniu 25 estudos, 49.476 participantes e 16 países. A prevalência agrupada chegou a 10,3%, com intervalo de confiança entre 7% e 14%. É importante ressaltar que esse número representa pessoas que relatam sensibilidade ao glúten ou trigo e não significa que 10,3% da população tenha diagnóstico confirmado da condição.
A alergia ao trigo constitui outro grupo. Uma meta-análise com 56 estudos estimou prevalência de aproximadamente 0,63% por autorrelato e 0,70% quando considerada alergia relatada como diagnosticada por médico. Os valores diminuem quando são empregados métodos diagnósticos mais rigorosos.
| Condição | Estimativa encontrada na literatura | Observação |
| Doença celíaca | cerca de 1% | Doença autoimune que exige dieta rigorosamente sem glúten |
| Sensibilidade ao glúten/trigo não celíaca | 10,3% no autorrelato | Estimativa internacional; não equivale a diagnóstico confirmado |
| Alergia ao trigo | cerca de 0,6% a 0,7% no autorrelato | Alergia a proteínas do trigo, não necessariamente apenas ao glúten |
Esses percentuais não devem ser simplesmente somados, porque foram obtidos por metodologias diferentes e não representam uma pesquisa epidemiológica única da população brasileira.
Ainda assim, eles mostram por que o mercado potencial de alimentos sem glúten vai muito além dos pacientes com doença celíaca.
Em uma conta conservadora de mercado, considerando apenas 10% da população brasileira como público potencial, já estaríamos falando de aproximadamente 21,4 milhões de pessoas. O Brasil tinha população estimada em 214,2 milhões de habitantes em 1º de julho de 2026, segundo o IBGE.
Esse número sequer inclui integralmente consumidores que compram alimentos sem glúten por preferência pessoal, familiares de pessoas celíacas que adaptam a alimentação da casa ou consumidores que procuram esses produtos por outras razões.
Por isso, enxergar o gluten free como um nicho destinado a poucas pessoas começa a ficar cada vez mais distante da realidade.
Mais de 21 milhões de consumidores potenciais ajudam a explicar a mudança no varejo
Quando uma rede de supermercados decide construir uma padaria 100% sem glúten, não está respondendo apenas a uma tendência alimentar.
Existe uma população com necessidade médica concreta. Há pessoas com doença celíaca, para as quais a exclusão do glúten é tratamento; pessoas com alergia ao trigo; e pessoas que apresentam sintomas relacionados ao consumo de trigo ou glúten e estão dentro do espectro da sensibilidade não celíaca.
O próprio Eu Celíaca já mostrou que, em uma estimativa conservadora, o público potencial desse mercado pode ultrapassar 10% da população brasileira.
Com a população brasileira estimada em 214,2 milhões em 2026, 10% significam 21.421.195 pessoas.
É uma população superior à de muitos países inteiros.
Quando esse contingente começa a ser considerado pelo varejo não apenas em uma gôndola de produtos embalados, mas na própria infraestrutura do supermercado, com padaria dedicada, equipamentos, profissionais e produção própria, há uma mudança de patamar.
Quando o varejo entende isso, deixa de oferecer apenas uma prateleira
Durante muito tempo, a resposta do supermercado ao consumidor celíaco foi principalmente comercial: criar uma seção com produtos industrializados sem glúten.
Ela continua importante.
Mas uma padaria própria exige um investimento de outra natureza. É preciso desenvolver produtos, treinar profissionais, organizar processos produtivos, selecionar matérias-primas e controlar riscos que não existem da mesma forma quando a loja apenas recebe um produto embalado de um fabricante.Isso também gera demanda por mão de obra especializada.
O Eu Celíaca já mostrou como o crescimento do setor começa a abrir espaço para profissionais com conhecimento específico em panificação, confeitaria, controle de contaminação cruzada, qualidade e segurança alimentar. Ainda não existem dados nacionais que permitam calcular quantos empregos são gerados diretamente pelo gluten free, mas há sinais claros de profissionalização.
A nova padaria do Portão é mais um desses sinais.
O Paraná começa a formar um ecossistema gluten free interessante
Quando colocamos os acontecimentos lado a lado, a evolução fica mais clara.
Cascavel mantém uma experiência histórica no Super Beal. Curitiba já possui restaurantes, confeitarias e padarias especializadas, além de negócios reconhecidos em premiações gastronômicas. Em agosto, surgiu uma padaria 100% sem glúten dentro do Ítalo Barigui. Agora, em outubro, o formato chega ao Ítalo Portão.
Não significa que Curitiba ou o Paraná tenham resolvido todos os desafios de acesso enfrentados por pessoas com doença celíaca.
Preço, localização, variedade, protocolos de segurança e acesso em cidades menores continuam sendo questões importantes.
Mas existe uma evolução concreta: o consumidor sem glúten começa a ser considerado no planejamento da estrutura física do supermercado, e não apenas na escolha dos produtos que ocuparão uma gôndola.
Essa é uma diferença relevante.
Atenção, celíacos
A informação de 100% sem glúten refere-se à padaria dedicada do Ítalo Portão, e não ao supermercado inteiro.
A loja continua sendo um supermercado convencional e pode comercializar ou preparar alimentos com glúten em outras áreas.
No Ítalo Barigui, a Prefeitura de Curitiba informa que a padaria dedicada possui estrutura exclusiva voltada à prevenção da contaminação cruzada. No Portão, a condição de padaria 100% sem glúten foi mantida como da padaria do Barigui.
Uma oportunidade de negócio que também é inclusão
Os números de mercado são importantes, mas não explicam tudo.
Para quem nunca precisou excluir completamente o glúten, a diferença entre comprar pão em uma loja especializada e encontrá-lo fresco dentro do supermercado pode parecer pequena.
Para uma família celíaca, ela pode significar fazer menos um deslocamento, ter mais variedade, comprar um salgado junto com as compras da casa ou permitir que uma criança escolha algo na padaria enquanto os demais familiares fazem o mesmo.
Essa mudança de experiência é difícil de colocar em uma planilha de faturamento.
Do ponto de vista empresarial, porém, a lógica é bastante clara: existe uma população que precisa consumir produtos sem glúten, existe um público ainda maior que compra essa categoria por diferentes razões e os relatórios de mercado mostram crescimento continuado.
O que Curitiba começa a mostrar é que o varejo tradicional percebeu essa demanda e está testando um passo além da gôndola: produzir para ela.
Leia mais no Eu Celíaca
- O Eu Celíaca acompanhou a abertura e depois visitou pessoalmente a primeira operação da rede. Visitamos o Ítalo Barigui e sua padaria 100% sem glúten.
- Antes da inauguração, mostramos como havia sido estruturado o projeto e por que uma padaria dedicada dentro de supermercado chamou a atenção da comunidade celíaca. Supermercado anuncia primeira padaria 100% sem glúten dentro de uma loja em Curitiba
- Também analisamos como o crescimento do setor já começa a criar oportunidades para profissionais especializados. Mercado gluten free cresce e abre oportunidades profissionais no Brasil
- Em São Paulo, restaurantes, padarias, delivery e diferentes formatos de negócio mostram outra face dessa expansão. Gluten free em São Paulo: mercado sem glúten dispara
- O crescimento também já aparece no reconhecimento gastronômico. Negócios sem glúten ganham prêmios e destaque na gastronomia brasileira
- E ele alcança categorias que até poucos anos atrás ofereciam poucas opções para celíacos. Cerveja sem glúten: guia completo das cervejas gluten free no Brasil
- Para entender o tamanho da população que realmente precisa dessa alimentação, veja também nosso levantamento epidemiológico. Doença celíaca no Brasil e no mundo: os números
FAQ: padarias sem glúten dentro de supermercados
Quando será inaugurada a padaria sem glúten do Ítalo Portão?
A unidade será reinaugurada em 29 de outubro de 2026, às 8h. O supermercado fica na Rua João Bettega, 1040, no bairro Portão, em Curitiba.
A padaria do Ítalo Portão será 100% sem glúten?
Sim. A condição de padaria 100% sem glúten. As divulgações públicas da reinauguração também confirmam uma padaria sem glúten voltada ao público celíaco.
Essa será a segunda padaria 100% sem glúten em supermercado de Curitiba?
Sim. A primeira da rede na cidade foi inaugurada no Ítalo Barigui em 12 de agosto de 2026. A nova operação do Portão será a segunda.
Todo o supermercado será sem glúten?
Não. A classificação de 100% sem glúten refere-se à padaria dedicada, não ao supermercado inteiro. Outras áreas e produtos precisam ser avaliados separadamente.
Existe padaria sem glúten dentro de supermercado em Cascavel?
Sim. O Super Beal de Cascavel possui uma experiência antiga nesse formato. Uma reportagem de 2014 já registrava uma panificadora exclusiva para preparações sem glúten e sem lactose, e o funcionamento atual foi confirmado em visita do Eu Celíaca ao estabelecimento.
Qual é o tamanho do mercado sem glúten no Brasil?
As estimativas variam conforme a metodologia. A Grand View Research calculou US$ 432,8 milhões em 2025, com previsão de US$ 844,5 milhões em 2033. A IMARC estimou US$ 296,2 milhões em 2025 e US$ 555,2 milhões em 2034. As duas apontam crescimento expressivo.
Panificação é uma categoria importante nesse mercado?
Sim. Segundo a Grand View Research, produtos de panificação representaram 39,56% da receita do mercado brasileiro de produtos sem glúten em 2025, tornando-se a maior categoria analisada. A consultoria também projeta que seja o segmento de crescimento mais rápido até 2033.
Quantas pessoas têm doença celíaca?
Uma meta-análise global encontrou 1,4% de prevalência por sorologia e 0,7% de doença confirmada por biópsia. Por isso, aproximadamente 1% é frequentemente usado como referência populacional. No Brasil, ainda não existe uma pesquisa nacional ampla que determine uma prevalência única.
Conclusão
A chegada de uma segunda padaria 100% sem glúten dentro de um supermercado de Curitiba em menos de três meses é mais do que uma novidade para uma única loja.
Ela mostra que um formato antes concentrado em estabelecimentos especializados começa a entrar na estratégia do varejo alimentar convencional.
E o movimento encontra respaldo nos números. O mercado brasileiro de produtos sem glúten cresce em diferentes projeções, a panificação já aparece como seu maior segmento em uma das principais análises disponíveis e supermercados são um canal central de distribuição desse tipo de produto.
Há também uma história anterior que merece ser reconhecida. Cascavel já tinha, há mais de uma década, uma panificadora exclusiva sem glúten dentro do Super Beal. Em 2026, Curitiba começa a levar esse conceito a uma escala maior, com duas unidades de uma mesma rede adotando o modelo.
Ao mesmo tempo, restaurantes especializados ganham espaço, negócios sem glúten recebem prêmios, novas categorias chegam às grandes marcas e profissionais passam a encontrar oportunidades em um setor que exige conhecimento específico.
Para a indústria, isso pode ser chamado de expansão de mercado.
Para uma pessoa com doença celíaca, pode ser algo bem mais simples: entrar no supermercado e finalmente encontrar uma padaria pensada também para ela.
Referências científicas e fontes
- Bem Paraná. Supermercado no Portão, em Curitiba, ganha padaria sem glúten e adega renovada. 9 out. 2026.
- Agora Litoral. Supermercado em Curitiba reabre com adega renovada e padaria sem glúten. 9 out. 2026.
- Eu Celíaca. Visitamos o Ítalo Barigui: padaria 100% sem glúten é destaque em supermercado conceito de Curitiba. 2026.
- Eu Celíaca. Supermercado anuncia primeira padaria 100% sem glúten dentro de uma loja em Curitiba. 2026.
- O Paraná. Acelbra Cascavel promove rodízio de pizzas sem glúten. 28 out. 2014.
- Grand View Research. Brazil Gluten-free Products Market Size & Outlook, 2026-2033. Atualizado em 2026.
- IMARC Group. Brazil Gluten-Free Foods and Beverages Market.
- Mordor Intelligence. Brazil Gluten-Free Foods and Beverages Market Size & Share Analysis. Atualizado em julho de 2026.
- MarketsandMarkets. Gluten-free Products Market – Global Forecast to 2030. 2026.
- Singh P, Arora A, Strand TA, et al. Global Prevalence of Celiac Disease: Systematic Review and Meta-analysis. Clin Gastroenterol Hepatol. 2018;16(6):823-836.e2. PMID: 29551598.
- Pereira MAG, et al. Prevalence of celiac disease in an urban area of Brazil with predominantly European ancestry. World J Gastroenterol. 2006;12(40):6546-6550. PMID: 17072989.
- Eu Celíaca. Mercado gluten free cresce e abre oportunidades para profissionais especializados no Brasil. 2026.
- Eu Celíaca. Glúten free em São Paulo: mercado sem glúten dispara e impulsiona restaurantes, padarias e delivery. 2026.
- Eu Celíaca. Negócios sem glúten ganham prêmios e destaque na gastronomia brasileira. 2026.
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