Seguir uma dieta sem glúten é indispensável para controlar a doença celíaca, mas retirar trigo, centeio e cevada não garante, por si só, uma alimentação nutricionalmente adequada. Crianças e adolescentes podem continuar consumindo pouca fibra, cálcio, ferro e outros nutrientes e depender demais de produtos ultraprocessados sem glúten.
Uma pesquisa publicada em agosto de 2026 na Frontiers in Nutrition testou uma estratégia diferente: associar a dieta sem glúten aos princípios da dieta mediterrânea, com educação nutricional, oficina culinária, apoio psicológico e acompanhamento profissional. O ensaio clínico randomizado incluiu crianças e adolescentes com doença celíaca e encontrou melhora na qualidade da alimentação, na adesão à dieta sem glúten e em alguns aspectos da qualidade de vida após 90 dias.
Os resultados são promissores, mas precisam ser interpretados com cuidado: foram apenas 59 participantes na análise final, o acompanhamento durou três meses e a intervenção reuniu vários componentes ao mesmo tempo. Portanto, o estudo não permite afirmar que a dieta mediterrânea, isoladamente, tenha produzido todos os efeitos observados.
Dieta mediterrânea e doença celíaca podem ser combinadas?
Sim. A dieta mediterrânea pode ser adaptada para pessoas com doença celíaca, desde que todos os alimentos e preparações respeitem a exclusão rigorosa do glúten e a prevenção da contaminação cruzada.
O padrão prioriza verduras, legumes, frutas, leguminosas, azeite de oliva, oleaginosas, sementes, peixes e alimentos pouco processados. Para o celíaco, cereais com glúten precisam ser substituídos por alternativas seguras, como arroz, milho, quinoa, amaranto e outros pseudocereais, além de aveia sem glúten quando adequada ao paciente. A proposta não é substituir a dieta sem glúten, mas melhorar sua qualidade nutricional.
No estudo publicado em 2026, a intervenção baseada nesse modelo aumentou significativamente a adesão ao padrão mediterrâneo e também esteve associada a melhor adesão à dieta sem glúten, maior consumo de fibras e cálcio e melhor qualidade de alguns componentes da alimentação.
O que é a dieta mediterrânea?
A dieta mediterrânea não é um cardápio rígido nem exige que a pessoa consuma exclusivamente alimentos típicos da Grécia, Itália ou Espanha. Trata-se de um padrão alimentar tradicionalmente observado em populações da região do Mediterrâneo.
Entre suas características estão:
- grande participação de verduras, legumes e frutas;
- consumo frequente de feijões, lentilhas, grão-de-bico e outras leguminosas;
- azeite de oliva como uma das principais fontes de gordura;
- oleaginosas e sementes;
- peixes com regularidade;
- menor participação de carnes processadas;
- preferência por alimentos minimamente processados;
- consumo moderado de laticínios, conforme o contexto alimentar;
- predominância de fontes de gordura insaturada sobre gordura saturada.
O conceito moderno de estilo mediterrâneo inclui ainda aspectos como atividade física, refeições compartilhadas e hábitos cotidianos saudáveis. Uma revisão citada pelos próprios pesquisadores destaca que o modelo vai além da composição dos alimentos e envolve também elementos sociais e comportamentais. Para a pessoa com doença celíaca, entretanto, existe uma adaptação obrigatória: nenhum alimento tradicional do padrão mediterrâneo que contenha trigo, cevada ou centeio pode ser mantido simplesmente porque faz parte dessa dieta.
Pães, massas, cuscuzes e outros produtos precisam ser substituídos por versões comprovadamente sem glúten e seguras quanto à contaminação cruzada.
Como foi feito o novo estudo com crianças celíacas
O estudo foi conduzido no Hospital Universitário de Oran, na Argélia, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2024.Os pesquisadores inicialmente avaliaram 145 crianças e adolescentes com doença celíaca, com idades entre 5 e 18 anos. Após recusas antes da randomização, 91 foram distribuídos aleatoriamente entre os grupos do estudo. Durante o acompanhamento, 32 participantes foram perdidos, restando 59 crianças e adolescentes na análise final. Foram analisados:
| Grupo | Participantes na análise final | O que receberam |
| Intervenção | 35 | Educação convencional sobre doença celíaca + dieta mediterrânea + oficina culinária + apoio psicológico |
| Controle | 24 | Educação convencional sobre doença celíaca. Todos os participantes já seguiam dieta sem glúten havia pelo menos um ano |
O acompanhamento durou 90 dias.
A intervenção foi muito além de entregar uma lista de alimentos
Esse detalhe é essencial para compreender os resultados.
O grupo de intervenção participou de quatro oficinas. A primeira abordou doença celíaca e dieta sem glúten, inclusive fontes ocultas de glúten, leitura de rótulos e prevenção da contaminação cruzada.
Depois vieram sessões específicas sobre alimentação mediterrânea, atividades práticas, oficina culinária e apoio psicológico. Na oficina de cozinha, por exemplo, crianças, adolescentes e familiares prepararam pão e pizza sem glúten em estilo mediterrâneo, utilizaram molhos ricos em vegetais, azeite, alho e ervas e aprenderam alternativas de lanches feitas com tâmaras, oleaginosas, sementes e cacau sem açúcar.
As famílias receberam ainda receitas e orientações para aumentar o consumo de legumes, verduras, leguminosas, peixes e azeite.
O programa também incluía acompanhamento periódico e contato com a nutricionista por telefone ou WhatsApp para esclarecer dúvidas sobre escolhas alimentares, rótulos, receitas e dificuldades da dieta sem glúten.
Adesão à dieta mediterrânea melhorou de forma expressiva
O principal desfecho do estudo era justamente verificar se as crianças conseguiriam incorporar melhor o padrão mediterrâneo.
Os pesquisadores utilizaram o índice KIDMED, instrumento desenvolvido para avaliar adesão à dieta mediterrânea em crianças e adolescentes.
A escala varia de -4 a 12:
- até 3 pontos: baixa adesão;
- 4 a 7: adesão intermediária;
- 8 ou mais: adesão considerada ótima.
No início do estudo, a pontuação média do grupo de intervenção era 2,49. Depois de 90 dias, subiu para 7,49, diferença estatisticamente significativa.
Mais reveladora foi a mudança das categorias.
No começo, 66% das 35 crianças e adolescentes do grupo de intervenção apresentavam baixa adesão e nenhum participante tinha adesão ótima.
Após 90 dias:
- baixa adesão caiu de 66% para 9%;
- 54% passaram a apresentar adesão ótima à dieta mediterrânea.
No grupo controle, nenhum participante atingiu a categoria de adesão ótima ao final do período.
E a adesão à dieta sem glúten também melhorou
Esse é um dos achados mais interessantes.
A proposta de melhorar a qualidade da alimentação não prejudicou a dieta terapêutica. Pelo contrário, o grupo que recebeu a intervenção multidisciplinar apresentou melhora também na adesão à dieta sem glúten.
A avaliação foi feita pelo Celiac Dietary Adherence Test (CDAT), em que pontuações menores indicam melhor adesão.
- No grupo de intervenção, a média caiu de 11 para 6 pontos.
- A proporção classificada como de baixa adesão diminuiu de: 91% para 40%.
- Ao mesmo tempo, a proporção classificada como excelente adesão passou de: 0% para 26%.
O grupo controle apresentou uma mudança muito menor, de média 11 para 10 pontos. A diferença entre os grupos aos 90 dias foi estatisticamente significativa.
Também caiu o consumo declarado de cereais com glúten
Entre os participantes da intervenção, a proporção que relatava consumo de cereais contendo glúten caiu de 57% para 11%.
A dificuldade relacionada ao preparo do pão sem glúten também caiu de 54% para apenas 3%.
Segundo a análise multivariada dos autores, pertencer ao grupo de intervenção foi o fator mais fortemente associado à melhora da adesão ao padrão mediterrâneo. A dificuldade inicial em preparar pão sem glúten também apareceu associada a uma mudança maior durante o estudo.
Fibra aumentou de 13,8 para 19,5 gramas por dia
A mudança não ficou apenas nos questionários.Os registros alimentares mostraram alterações concretas na ingestão de nutrientes.
| Nutriente | Antes | Após 90 dias | Resultado |
| Fibra | 13,8 g/dia | 19,48 g/dia | aumento significativo |
| Proteína | 49,77 g/dia | 62,62 g/dia | aumento significativo |
| Cálcio | 452,34 mg/dia | 662,47 mg/dia | aumento significativo |
| Ferro | 6,24 mg/dia | 7,75 mg/dia | aumento significativo |
| Vitamina C | 47,89 mg/dia | 65,07 mg/dia | aumento significativo |
A fibra aumentou cerca de 41%, passando de 13,8 para 19,48 gramas por dia.
O cálcio aumentou aproximadamente 46%, embora a ingestão média final ainda permanecesse abaixo das referências utilizadas pelos pesquisadores para determinadas faixas etárias. Esse último ponto é importante: melhorar não significa necessariamente atingir todas as necessidades nutricionais.
Os próprios autores destacaram que cálcio, ferro, vitamina C e, especialmente, vitamina D continuaram abaixo das recomendações alimentares em ambos os grupos em determinados parâmetros avaliados.
Dieta sem glúten não é automaticamente uma dieta nutricionalmente adequada
Essa é uma questão que vai muito além do novo estudo.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 reuniu 15 estudos com 2.004 crianças e adolescentes com doença celíaca e confirmou que desequilíbrios nutricionais podem persistir mesmo durante uma dieta sem glúten.
Outra revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 avaliou deficiências de micronutrientes entre pessoas que seguiam dieta sem glúten e reforçou que a retirada do glúten não garante automaticamente adequação de vitaminas e minerais.
A própria pesquisa de 2026 parte desse problema: produtos ultraprocessados sem glúten podem oferecer praticidade, mas frequentemente apresentam perfil nutricional diferente daquele de alimentos naturalmente sem glúten, com menor contribuição de fibras e alguns micronutrientes. No Eu Celíaca, já mostramos que mais de 57% das calorias consumidas pelas crianças avaliadas em outro estudo vinham de ultraprocessados, proporção que se manteve elevada mesmo depois da implantação da dieta sem glúten.
O que a dieta mediterrânea pode acrescentar à alimentação do celíaco
Para a pessoa com doença celíaca, um dos maiores atrativos desse modelo é que boa parte de sua base é formada por alimentos naturalmente sem glúten.
| Grupo alimentar | Exemplos que podem integrar uma dieta mediterrânea sem glúten |
| Verduras e legumes | tomate, cenoura, abobrinha, berinjela, folhas, brócolis |
| Frutas | laranja, maçã, uva, pera, frutas vermelhas, melão |
| Leguminosas | feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha |
| Gorduras insaturadas | azeite de oliva, abacate |
| Oleaginosas e sementes | nozes, castanhas, amêndoas, sementes, quando seguras |
| Proteínas | peixe, ovos, aves, carnes em menor frequência conforme o padrão |
| Fontes de carboidrato sem glúten | arroz, milho, batata, mandioca, quinoa, amaranto |
| Laticínios | leite, queijo e iogurte, quando tolerados |
| Produtos a limitar | ultraprocessados, carnes processadas, excesso de açúcar e gordura saturada |
Segurança continua vindo antes da classificação nutricional. Uma castanha, semente, tempero ou qualquer outro alimento teoricamente sem glúten só é adequado ao celíaco quando também é seguro quanto à presença e à contaminação por glúten.
Quais benefícios da dieta mediterrânea já têm respaldo científico?
A dieta mediterrânea é um dos padrões alimentares mais estudados do mundo, mas a força das evidências não é igual para todos os possíveis benefícios.
Proteção cardiovascular tem algumas das evidências mais fortes
Um dos estudos mais conhecidos é o PREDIMED, ensaio clínico com 7.447 adultos entre 55 e 80 anos, todos com alto risco cardiovascular.
Após acompanhamento mediano de 4,8 anos, eventos cardiovasculares maiores ocorreram em:
- 3,8% dos participantes que receberam dieta mediterrânea suplementada com azeite extravirgem;
- 3,4% dos que receberam dieta mediterrânea suplementada com oleaginosas;
- 4,4% do grupo controle.Após os ajustes realizados na republicação do estudo, o risco relativo foi menor nos dois grupos mediterrâneos em comparação ao controle.
Uma meta-análise de ensaios clínicos randomizados publicada em 2024 também encontrou benefício para eventos cardiovasculares, infarto, acidente vascular cerebral e mortalidade cardiovascular, embora os autores ressaltem limitações da base disponível de ensaios clínicos.
Há evidências também em crianças e adolescentes
Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no JAMA Network Open em 2024 reuniu 9 ensaios clínicos randomizados e 577 crianças e adolescentes.
Comparadas aos grupos controle, intervenções baseadas na dieta mediterrânea estiveram associadas a reduções médias de:
- 4,75 mmHg na pressão arterial sistólica;
- 16,42 mg/dL nos triglicerídeos;
- 9,06 mg/dL no colesterol total;
- 10,48 mg/dL no LDL.
- O HDL aumentou, em média, 2,24 mg/dL.
Esses dados não significam que toda criança precise seguir um cardápio mediterrâneo rígido. Eles mostram que um padrão alimentar baseado em alimentos in natura ou minimamente processados e fontes de gordura insaturada pode produzir efeitos mensuráveis em marcadores cardiometabólicos.
Nem todos os benefícios têm o mesmo grau de certeza
Uma revisão guarda-chuva que reuniu 11 revisões sistemáticas sobre crianças e adolescentes encontrou resultados favoráveis em alguns desfechos, mas também destacou inconsistências para outros, como medidas antropométricas.
Ou seja: não é cientificamente adequado apresentar a dieta mediterrânea como solução comprovada para todas as doenças ou todos os indicadores de saúde.
E especificamente entre pessoas com doença celíaca?
A evidência ainda é muito menor do que na população geral.
Em 2025, um estudo húngaro avaliou 215 pessoas, incluindo 128 pacientes celíacos que já seguiam dieta sem glúten, 24 recém-diagnosticados e 63 controles.
A adesão ao padrão mediterrâneo era subótima nos três grupos. Entre os pacientes com doença celíaca, porém, melhor adesão à dieta sem glúten esteve associada a maior pontuação no padrão mediterrâneo.
Outro estudo de 2025 encontrou uma associação entre maior adesão à dieta mediterrânea e melhor componente de saúde mental da qualidade de vida entre pessoas com doença celíaca. Por ser um estudo observacional, entretanto, não permite concluir que a dieta mediterrânea tenha causado a melhora.
O ensaio publicado agora na Frontiers in Nutrition acrescenta algo relevante: em vez de apenas observar hábitos alimentares, os pesquisadores testaram uma intervenção. Ainda assim, a amostra pequena e o curto acompanhamento exigem confirmação em estudos maiores.
Qualidade de vida também melhorou, mas há uma ressalva importante
No grupo de intervenção, a pontuação específica de qualidade de vida relacionada à doença celíaca, medida pelo CDDUX, aumentou de 41,54 para 50,58 pontos após 90 dias.
O KIDSCREEN-10, que mede qualidade de vida relacionada à saúde de maneira mais ampla, passou de 45,89 para 51,46 pontos.
No domínio do CDDUX relacionado especificamente à dieta sem glúten, houve também diferença entre os grupos ao final do estudo. Mas nem todos os resultados entre os grupos foram estatisticamente significativos.
Para a pontuação total do CDDUX, por exemplo, não houve diferença significativa entre intervenção e controle ao final do acompanhamento, apesar da melhora dentro do grupo de intervenção.
Essa distinção é importante para não transformar uma melhora observada antes e depois em evidência mais forte do que o estudo realmente demonstra.
A vitamina D aumentou, mas não dá para atribuir o resultado apenas à dieta mediterrânea
Os níveis sanguíneos de vitamina D subiram nos dois grupos.
No grupo de intervenção, a média passou de 18,45 para 34,07 ng/mL. No controle, subiu de 13,42 para 25,90 ng/mL.
Houve diferença entre os grupos aos 90 dias, mas como ambos apresentaram melhora, e como o estudo envolveu diversas orientações de saúde, não é possível simplificar esse resultado como um efeito direto da dieta mediterrânea. Além disso, a ingestão alimentar de vitamina D continuou baixa, o que reforça a necessidade de interpretar concentração sanguínea e consumo alimentar como medidas diferentes.
O que mais chama atenção: o tratamento foi além de “não coma glúten”
Talvez essa seja a principal contribuição prática da pesquisa.
A intervenção incluiu:
- educação sobre doença celíaca;
- segurança da dieta sem glúten;
- educação nutricional;
- preparo de alimentos;
- participação dos cuidadores;
- apoio psicológico;
- resolução de dificuldades cotidianas;
- acompanhamento contínuo.
Portanto, o estudo não demonstrou simplesmente que “comer azeite, peixe e verduras melhora a doença celíaca”.
O que ele sugere é que um acompanhamento nutricional mais amplo, que combine segurança contra o glúten com qualidade alimentar e ferramentas práticas para o cotidiano, pode melhorar o manejo da doença celíaca pediátrica.
Isso está de acordo com estudos anteriores citados pelos autores, nos quais educação conduzida por nutricionistas esteve associada a melhora da adesão e da qualidade da alimentação de crianças com doença celíaca.
O que o estudo não conseguiu responder
Os próprios pesquisadores apontaram limitações importantes.
Dos 91 participantes randomizados, apenas 59 chegaram à análise final. Foram perdidos 11 participantes no grupo de intervenção e 21 no grupo controle, uma diferença que pode introduzir viés porque as pessoas que completam um estudo podem ser diferentes das que abandonam.
Além disso:
- o acompanhamento durou apenas 90 dias;
- a amostra foi relativamente pequena;
- participantes e nutricionista sabiam a qual grupo pertenciam;
- a análise foi feita apenas entre quem completou o estudo, sem análise por intenção de tratar;
- os questionários KIDMED e CDAT foram traduzidos pela equipe, mas não haviam passado por validação transcultural formal;
- parte da ingestão alimentar foi baseada em registros feitos pelos próprios participantes;
- havia diferença inicial entre os grupos no orçamento destinado a alimentos sem glúten;
- como dieta, culinária e apoio psicológico foram oferecidos juntos, não é possível separar o efeito individual de cada componente.
Os autores afirmam que são necessários estudos com amostras maiores, acompanhamento mais longo e desenhos capazes de distinguir a contribuição de cada parte da intervenção.
Atenção, celíacos
Dieta mediterrânea não substitui a dieta sem glúten.
Para quem tem doença celíaca, trigo, cevada, centeio e seus derivados continuam excluídos. A prevenção da contaminação cruzada também continua essencial.
O que pode mudar é a qualidade do que entra no lugar do glúten.
Trocar uma dieta baseada principalmente em pães, biscoitos, massas e snacks industrializados sem glúten por uma alimentação com mais feijão, lentilha, frutas, verduras, azeite, peixe, sementes, oleaginosas e fontes seguras de carboidratos naturalmente sem glúten pode ampliar fibras, vitaminas, minerais e qualidade das gorduras da dieta.
Mas crianças e adolescentes com doença celíaca também podem apresentar deficiências nutricionais que exigem investigação individual. Alimentação saudável não substitui exames, acompanhamento médico ou nutricional quando indicados.
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Perguntas frequentes
Qual é a dieta ideal para quem tem doença celíaca?
A base do tratamento é uma dieta estritamente sem glúten e nutricionalmente equilibrada. Não existe um único cardápio ideal para todas as pessoas. Idade, estado nutricional, exames, sintomas, outras doenças, rotina e preferências precisam ser considerados. Uma dieta sem glúten inspirada no padrão mediterrâneo é uma possibilidade interessante porque prioriza alimentos naturalmente sem glúten e de maior densidade nutricional.
Quais são os alimentos da dieta mediterrânea?
Verduras, legumes, frutas, leguminosas, azeite de oliva, oleaginosas, sementes e peixes são componentes importantes. A versão tradicional também inclui cereais integrais, mas o celíaco precisa substituí-los por cereais e pseudocereais seguros e sem glúten.
O que um celíaco pode comer no almoço?
Uma possibilidade simples é combinar arroz ou outro carboidrato naturalmente sem glúten, feijão ou outra leguminosa, verduras, legumes e uma fonte de proteína, temperados com azeite. O mais importante é que ingredientes e preparo estejam protegidos de contaminação por glúten.
O que uma pessoa celíaca não deve comer?
Trigo, centeio, cevada e seus derivados devem ser excluídos. Produtos e preparações também podem se tornar inadequados por contaminação cruzada. Para o celíaco, não basta avaliar se determinado alimento “naturalmente não tem glúten”: é preciso considerar sua procedência e forma de preparo.
Um celíaco pode comer ovo?
Sim. O ovo é naturalmente sem glúten. O risco aparece quando é preparado com ingredientes que contêm glúten ou em superfícies, utensílios, chapas ou óleos contaminados.
O que comer no café da manhã em uma dieta mediterrânea sem glúten?
Frutas, iogurte quando tolerado, ovos, preparações com aveia certificada sem glúten quando indicada, tapioca acompanhada de alimentos nutricionalmente interessantes, oleaginosas seguras e pães sem glúten de melhor composição podem fazer parte do café da manhã. Não existe necessidade de reproduzir um cardápio mediterrâneo europeu para seguir os princípios desse padrão.
A dieta mediterrânea emagrece?
A dieta mediterrânea não é, por definição, uma dieta de emagrecimento. O peso corporal depende de diversos fatores, inclusive ingestão energética, atividade física, idade e condição clínica. Seu principal interesse científico está na qualidade global do padrão alimentar, e não em promessas de perda rápida de peso.
Crianças celíacas podem seguir dieta mediterrânea?
Podem, desde que a alimentação seja adaptada às necessidades da infância, completamente sem glúten e nutricionalmente adequada. O novo ensaio clínico oferece resultados iniciais favoráveis, mas apenas 59 crianças e adolescentes completaram o estudo e o acompanhamento foi de 90 dias, portanto os achados ainda precisam ser confirmados em pesquisas maiores e mais longas.
Conclusão
A dieta sem glúten continua sendo o tratamento essencial da doença celíaca. Mas a nova pesquisa reforça uma mensagem cada vez mais importante: retirar o glúten é apenas uma parte da construção de uma alimentação saudável.
Em crianças e adolescentes com doença celíaca, uma intervenção baseada no padrão mediterrâneo, acompanhada de educação nutricional, oficina culinária, apoio psicológico e seguimento profissional, melhorou a adesão à dieta mediterrânea e à dieta sem glúten e aumentou o consumo de nutrientes importantes, como fibras e cálcio, em apenas 90 dias.
Os resultados ainda não justificam afirmar que a dieta mediterrânea, isoladamente, produz todos esses benefícios. A pesquisa foi pequena, curta e avaliou um programa multidisciplinar.
O estudo, porém, aponta para uma questão muito prática: o objetivo da alimentação do celíaco não deve ser apenas encontrar substitutos sem glúten. Deve ser construir uma dieta sem glúten segura, nutricionalmente adequada e possível de manter ao longo da vida.
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