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Universidade Federal da Paraíba lança projeto para pessoas com doença celíaca e fortalece assistência além dos hospitais

doença celíaca UFPB

O tratamento da doença celíaca não termina no consultório médico. Para milhares de brasileiros, compreender a dieta sem glúten, evitar a contaminação cruzada, aprender novas receitas e adaptar completamente a rotina alimentar ainda representa um dos maiores desafios após o diagnóstico.

Com o objetivo de aproximar a universidade da comunidade e ampliar o acesso à informação baseada em evidências científicas, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) lançou o projeto de extensão “Viver Sem Glúten: Conscientização sobre a Doença Celíaca”, iniciativa que passa a integrar o novo quadro institucional Conexão Extensão, criado para apresentar projetos universitários com impacto direto na sociedade.

A proposta reforça um movimento que vem crescendo no Brasil: universidades públicas e privadas têm ampliado sua atuação na pesquisa, inovação, extensão universitária e assistência às pessoas com doença celíaca, contribuindo para melhorar o diagnóstico, o tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.

 

 

O que é o projeto “Viver Sem Glúten”?

Coordenado pela professora Dra. Ivana Beserra Santos, do Departamento de Medicina Interna da UFPB, o projeto é desenvolvido no Centro de Ciências Médicas (CCM) e atende pacientes acompanhados pelo Ambulatório de Gastroenterologia do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW/Ebserh), além de familiares e cuidadores.

Mais do que oferecer informações sobre a doença, a iniciativa busca promover educação em saúde de forma contínua, fortalecendo a autonomia dos pacientes para lidar com uma condição cujo único tratamento eficaz é a exclusão completa e permanente do glúten da alimentação.

Entre as principais ações previstas estão:

  • palestras educativas nas salas de espera do ambulatório;
  • produção de cartilhas informativas;
  • desenvolvimento de vídeos educativos;
  • elaboração de e-books gratuitos;
  • criação de receitas sem glúten de baixo custo;
  • orientação para familiares e cuidadores;
  • ações de conscientização voltadas à comunidade.

O projeto também envolve estudantes de diferentes áreas da saúde e da comunicação, promovendo formação prática e interdisciplinar dos futuros profissionais.

 

 

Muito além das consultas médicas

Embora o diagnóstico da doença celíaca seja realizado por médicos especialistas, a adesão à dieta sem glúten depende de um conjunto de fatores que vai muito além da consulta clínica.

Estudos científicos mostram que a educação alimentar, o apoio multiprofissional e o acesso à informação de qualidade aumentam significativamente a adesão ao tratamento, reduzem erros alimentares e diminuem o risco de complicações decorrentes da ingestão inadvertida de glúten.

Nesse contexto, projetos de extensão universitária desempenham papel fundamental ao aproximar o conhecimento científico da população, traduzindo informações técnicas em conteúdos acessíveis para pacientes e familiares.

 

 

Um projeto multidisciplinar

Um dos diferenciais da iniciativa da UFPB é sua característica interdisciplinar. Participam do projeto estudantes e professores das áreas de:

  • Medicina;
  • Nutrição;
  • Gastronomia;
  • Comunicação.

Essa integração permite abordar a doença celíaca sob diferentes perspectivas, desde os aspectos clínicos até a produção de materiais educativos, desenvolvimento de receitas e estratégias de comunicação em saúde.

Segundo a universidade, a proposta é transformar conhecimento científico em informação útil para a população, fortalecendo tanto a assistência aos pacientes quanto a formação dos futuros profissionais.

 

 

Da universidade para a comunidade

As ações do projeto já começaram a chegar à população.

Durante o Maio Celíaco, extensionistas da UFPB realizaram atividades educativas em um shopping de João Pessoa, distribuindo materiais informativos, orientando visitantes sobre a doença celíaca e oferecendo preparações culinárias sem glúten desenvolvidas pelos participantes do projeto.

A iniciativa demonstra que o objetivo não é apenas produzir conhecimento científico, mas levar esse conhecimento para além dos muros da universidade, aproximando pacientes, profissionais de saúde e sociedade.

 

 

Universidades brasileiras ampliam pesquisas e projetos voltados à doença celíaca

A iniciativa da Universidade Federal da Paraíba não é um caso isolado.

Nos últimos anos, universidades brasileiras vêm ampliando significativamente sua atuação em pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, inovação e extensão universitária voltadas às pessoas com doença celíaca.

Esse movimento demonstra que a doença celíaca deixou de ser um tema restrito aos consultórios médicos e passou a mobilizar diferentes áreas do conhecimento, como Medicina, Nutrição, Gastronomia, Engenharia de Alimentos, Farmácia, Comunicação e Saúde Pública.

Entre as iniciativas já divulgadas pelo Eu Celíaca, destacam-se projetos que vão desde pesquisas clínicas até o desenvolvimento de novos alimentos sem glúten e materiais gratuitos de educação alimentar.

 

 

Conheça algumas iniciativas

Universidade Projeto Impacto
Universidade Federal da Paraíba (UFPB) Projeto Viver Sem Glúten Educação em saúde, materiais educativos, receitas sem glúten, palestras e orientação a pacientes e familiares.
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Desenvolvimento de alimentos sem glúten com pedidos de patente Pesquisadores desenvolveram formulações inovadoras que podem ampliar a oferta de alimentos mais nutritivos e tecnologicamente avançados para pessoas com doença celíaca.
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Pesquisa cria biscoito sem glúten enriquecido com farinha de alga marinha brasileira O estudo buscou aumentar o valor nutricional de alimentos destinados ao público celíaco, com maior teor de fibras, minerais e compostos bioativos.
Universidade de São Paulo (USP) E-book gratuito com receitas sem glúten Especialistas elaboraram um material educativo com orientações nutricionais e receitas adaptadas para pacientes e familiares.
Faculdade Honpar Pesquisa clínica com voluntários portadores de doença celíaca O estudo busca ampliar o conhecimento científico sobre a doença e contribuir para novas estratégias de diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.

 

 

Muito além da pesquisa: universidades ajudam a transformar a vida dos pacientes

Embora cada projeto tenha objetivos diferentes, todos compartilham um propósito comum: aproximar o conhecimento científico das pessoas que convivem diariamente com a doença celíaca.

Enquanto algumas universidades concentram esforços na criação de alimentos mais nutritivos e seguros, outras investem em educação alimentar, materiais gratuitos, pesquisas clínicas ou ações de conscientização junto à comunidade.

Em conjunto, essas iniciativas fortalecem o diagnóstico precoce, estimulam a formação de profissionais mais preparados e ampliam o acesso da população a informações confiáveis e baseadas em evidências científicas.

Essa integração entre pesquisa, inovação e extensão universitária representa um dos caminhos mais promissores para enfrentar desafios ainda presentes na doença celíaca, como o subdiagnóstico, a adesão à dieta sem glúten, o risco de contaminação cruzada e a necessidade de alimentos com melhor qualidade nutricional.

 

 

Atenção Celíacos

Receber o diagnóstico é apenas o primeiro passo.

O sucesso do tratamento depende da combinação entre acompanhamento médico, orientação nutricional, educação alimentar e acesso a informações confiáveis.

Projetos universitários como o da UFPB ajudam justamente a reduzir dúvidas, melhorar a adesão à dieta sem glúten e fortalecer a rede de apoio às pessoas com doença celíaca e seus familiares.

 

 

Leia também no Eu Celíaca

 

 

Conclusão

A extensão universitária tem se consolidado como uma das formas mais eficazes de aproximar a ciência da população. Ao investir em educação em saúde, produção de materiais didáticos, desenvolvimento de receitas acessíveis e apoio direto aos pacientes, a Universidade Federal da Paraíba demonstra que o cuidado com a doença celíaca vai muito além do diagnóstico médico.

Mais do que formar profissionais, iniciativas como o Viver Sem Glúten ajudam a transformar informação científica em qualidade de vida, fortalecendo a adesão ao tratamento e contribuindo para reduzir um dos maiores desafios enfrentados pelos pacientes: a falta de informação.

Somada aos projetos desenvolvidos pela USP, Unicamp, Unifesp e Faculdade Honpar, a iniciativa da UFPB evidencia um cenário cada vez mais promissor: as universidades brasileiras assumem um papel estratégico na pesquisa, inovação e assistência às pessoas com doença celíaca, aproximando conhecimento, saúde e sociedade.

 

 

Referências Científicas e Fontes

  1. Rubio-Tapia A, Hill ID, Kelly CP, Calderwood AH, Murray JA. ACG Clinical Guideline: Diagnosis and Management of Celiac Disease. Am J Gastroenterol. 2023;118(1):59-76.
  2. Catassi C, Verdu EF, Bai JC, Lionetti E. Coeliac disease. Lancet. 2022;399(10344):2413-2426.
  3. Leonard MM, Sapone A, Catassi C, Fasano A. Celiac Disease and Nonceliac Gluten Sensitivity. JAMA. 2017;318(7):647-656.
  4. World Gastroenterology Organisation. Global Guidelines: Celiac Disease.
  5. Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Conexão Extensão apresenta o projeto “Viver Sem Glúten: Conscientização sobre a Doença Celíaca”.
  6. Pró-Reitoria de Extensão da UFPB (PROEX). Extensionistas realizam ação em alusão ao Maio Celíaco em shopping de João Pessoa. 
  7. Hospital Universitário Lauro Wanderley (Ebserh/UFPB). Informações institucionais. 

 

Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo. As informações apresentadas não substituem consulta médica, diagnóstico clínico ou orientação nutricional individualizada. O Eu Celíaca não recebe patrocínio de laboratórios, indústria farmacêutica ou fabricantes de produtos sem glúten. Eu Celíaca©. Todos os direitos reservados. Reprodução parcial ou total permitida somente com citação da fonte e link para o conteúdo original. 

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