A alimentação escolar vai muito além de garantir que crianças e adolescentes recebam refeições durante o período de aula. Para estudantes com doença celíaca, alergias alimentares, diabetes ou outras condições clínicas, ela representa também um importante instrumento de inclusão, segurança alimentar e permanência na escola.
Em Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina, a Prefeitura anunciou um investimento superior a R$ 5,4 milhões na alimentação escolar em 2025 e prevê ampliar esse valor para R$ 5,6 milhões em 2026.
O município prepara aproximadamente 11,9 mil refeições por dia para mais de 6 mil estudantes, distribuídas entre 40 escolas, Centros de Educação Infantil (CEIs) e o projeto AABB Comunidade.
O dado que mais chama atenção para a comunidade celíaca é que a rede municipal mantém cardápios específicos para estudantes com doença celíaca, alergias alimentares, intolerâncias e diabetes, elaborados por nutricionistas e adaptados às necessidades individuais de cada aluno.
O que torna a iniciativa de Canoinhas um exemplo?
Segundo a Prefeitura, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) financia parte da merenda, mas a maior parcela dos recursos é complementada pelo próprio município.
Dos R$ 5.414.268,02 investidos em 2025:
| Origem dos recursos | Valor |
| Prefeitura de Canoinhas | R$ 4.034.311,10 |
| FNDE (PNAE) | R$ 1.003.916,00 |
| Governo de Santa Catarina | R$ 322.504,95 |
Além da compra dos alimentos, o município também financia transporte, armazenamento, equipamentos, logística, acompanhamento técnico das nutricionistas e controle de qualidade, etapas fundamentais para garantir refeições seguras e equilibradas aos estudantes.
Alimentação adaptada também é inclusão
Entre os aspectos destacados pela Secretaria Municipal de Educação está a oferta de cardápios individualizados para alunos com patologias alimentares.
Isso significa que estudantes diagnosticados com doença celíaca recebem refeições preparadas de acordo com suas necessidades, evitando alimentos que contenham glúten e respeitando as orientações nutricionais prescritas.
Embora a reportagem da Prefeitura não detalhe os protocolos de prevenção da contaminação cruzada, a existência de cardápios específicos demonstra o reconhecimento de que diferentes condições de saúde exigem cuidados alimentares individualizados.
O papel do nutricionista na alimentação escolar
Os cardápios da rede municipal são elaborados por nutricionistas e seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Segundo a administração municipal, as refeições priorizam:
- frutas;
- verduras;
- legumes;
- carnes;
- cereais;
- alimentos in natura;
- produtos da agricultura familiar.
A utilização de alimentos frescos produzidos por agricultores locais também fortalece a economia regional e melhora a qualidade nutricional das refeições oferecidas diariamente aos estudantes.
Canoinhas integra um movimento nacional por uma alimentação escolar mais inclusiva
A iniciativa de Canoinhas não é um caso isolado. Nos últimos anos, estados, municípios e órgãos públicos brasileiros passaram a adotar medidas para ampliar a segurança alimentar de estudantes com doença celíaca, alergias alimentares, intolerâncias e outras necessidades nutricionais especiais.
Embora ainda existam desafios importantes, como a capacitação contínua das equipes, protocolos para prevenção da contaminação cruzada e a oferta regular de alimentos específicos, diferentes iniciativas demonstram que o tema vem ganhando espaço nas políticas públicas brasileiras.
O Eu Celíaca tem acompanhado essa evolução em diferentes regiões do país.
Conheça algumas iniciativas já adotadas
| Local | Iniciativa | Impacto |
| Canoinhas (SC) | Investimento superior a R$ 5,4 milhões na alimentação escolar com cardápios adaptados para estudantes com doença celíaca, alergias alimentares, intolerâncias e diabetes. | Amplia a inclusão alimentar e garante refeições individualizadas na rede municipal. |
| Paraná | Governo estadual anunciou investimento para ampliar a oferta de alimentação especial nas escolas públicas. | Fortalece o atendimento de estudantes com necessidades alimentares específicas e amplia o acesso à alimentação segura. |
| Mato Grosso | Lei restringe a oferta de alimentos ultraprocessados nas escolas estaduais. | Incentiva refeições mais saudáveis e estimula o consumo de alimentos in natura e minimamente processados. |
| Jacareí (SP) | Projeto amplia a divulgação de informações sobre glúten e lactose nos estabelecimentos. | Facilita a identificação de alimentos e contribui para escolhas mais seguras por consumidores com restrições alimentares. |
| Paraíba | Assembleia Legislativa aprovou projeto que cria selo para identificar alimentos sem glúten e sem lactose. | Busca facilitar a identificação de produtos e ampliar a segurança alimentar da população. |
| Consea Nacional | Conferência Nacional de Segurança Alimentar aprovou recomendação para fortalecer políticas públicas destinadas às pessoas com doença celíaca. | Reconhece oficialmente a necessidade de ampliar ações relacionadas à alimentação segura em âmbito nacional. |
Alimentação segura passa a fazer parte das políticas públicas
Embora cada iniciativa tenha objetivos diferentes, todas apontam para um mesmo caminho: reconhecer que a alimentação adequada é um direito e que estudantes com doença celíaca precisam de políticas públicas que garantam refeições seguras, nutricionalmente adequadas e livres de contaminação cruzada.
A alimentação escolar representa um dos principais instrumentos para assegurar esse direito. Para muitas crianças, a merenda fornecida na escola corresponde a uma parcela importante da ingestão nutricional diária e, quando adaptada corretamente, contribui não apenas para a saúde, mas também para a inclusão, a permanência escolar e a qualidade de vida.
Especialistas lembram que, na doença celíaca, o único tratamento disponível é a exclusão completa e permanente do glúten da alimentação. Por isso, oferecer refeições compatíveis com essa necessidade não representa um benefício adicional, mas uma medida essencial para proteger a saúde dos estudantes.
Alimentação escolar e doença celíaca: o que diz a legislação?
A Lei nº 11.947/2009, que regulamenta o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), determina que os cardápios escolares devem respeitar as necessidades nutricionais específicas dos estudantes, incluindo aqueles com condições de saúde que exigem alimentação diferenciada.
Na prática, isso significa que crianças e adolescentes com doença celíaca, quando apresentam laudo médico e seguem os protocolos estabelecidos pela rede de ensino, têm direito a receber refeições compatíveis com sua condição clínica.
Para especialistas, garantir esse atendimento é essencial não apenas para proteger a saúde dos estudantes, mas também para promover inclusão, permanência escolar e igualdade de oportunidades.
Atenção Celíacos
A oferta de cardápios especiais representa um avanço importante, mas a segurança alimentar depende também de protocolos rigorosos para evitar a contaminação cruzada durante o armazenamento, preparo e distribuição das refeições.
Pais e responsáveis devem manter diálogo constante com a escola, apresentar laudo médico atualizado e acompanhar, junto à equipe de Nutrição, as medidas adotadas pela instituição.
Leia também no Eu Celíaca
- Alimentação saudável nas escolas avança nos estados
- Mato Grosso proíbe ultraprocessados nas escolas estaduais
- Paraná anuncia investimento em alimentação especial nas escolas
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Conclusão
O investimento realizado por Canoinhas demonstra que a alimentação escolar pode ir muito além do fornecimento diário de refeições. Ao manter cardápios adaptados para estudantes com doença celíaca, alergias alimentares, intolerâncias e diabetes, o município reforça que a inclusão também passa pela alimentação segura.
Embora desafios como a prevenção da contaminação cruzada e a capacitação contínua das equipes permaneçam fundamentais, iniciativas como essa mostram que é possível conciliar qualidade nutricional, planejamento e respeito às necessidades individuais dos estudantes.
À medida que mais municípios adotam políticas semelhantes, cresce também a expectativa de que a alimentação escolar inclusiva deixe de ser exceção para se tornar um padrão em todo o país.
Referências Cientíticas e Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) – Alimentação Escolar
- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) – Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
- Lei nº 11.947/2009 – Atendimento da alimentação escolar e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
- Resolução FNDE nº 6, de 8 de maio de 2020 – Diretrizes da alimentação escolar no PNAE
- Ministério da Saúde – Doença Celíaca
- Canoinhas investe mais de R$ 5,4 milhões na alimentação escolar e serve cerca de 11,9 mil refeições por dia
- Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS Brasil) – Alimentação Saudável nas Escolas
- Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) – School Food and Nutrition
- World Gastroenterology Organisation (WGO) – Global Guidelines: Celiac Disease
- ESPGHAN – New Guidelines for the Diagnosis of Coeliac Disease
- American College of Gastroenterology (ACG) Clinical Guideline: Diagnosis and Management of Celiac Disease
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