Curitiba iniciou uma nova série de oficinas mensais de culinária inclusiva que deverá incluir uma edição dedicada ao glúten.
A iniciativa é promovida pela Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, em parceria com a plataforma Prato Seguro, e pretende capacitar consumidores, profissionais e empreendedores para atender pessoas com restrições alimentares.
A primeira oficina, realizada em 30 de julho na Escola de Gastronomia Social do Mercado Municipal, tratou de alternativas ao leite e seus derivados. Segundo a Prefeitura, os próximos encontros abordarão glúten, oleaginosas e outros alergênicos. As datas das oficinas seguintes ainda não foram divulgadas na publicação oficial.
Para pessoas com doença celíaca, a inclusão do glúten na programação é relevante porque a segurança da alimentação não depende apenas de retirar trigo da receita. É necessário compreender ingredientes, fornecedores, armazenamento, utensílios e os riscos de contaminação cruzada durante o preparo.
O que Curitiba anunciou sobre as oficinas de glúten?
A Prefeitura informou que a capacitação iniciada em julho será a primeira de uma série mensal sobre necessidades alimentares especiais.
A nutricionista Marla Martins, representante da plataforma Prato Seguro, afirmou que haverá oficinas específicas sobre glúten e outros alergênicos. O objetivo declarado é ampliar o conhecimento de profissionais e empreendedores para que mais estabelecimentos estejam preparados para atender pessoas com restrições alimentares.
A notícia ainda não informa:
- a data da oficina sobre glúten;
- quantas vagas serão disponibilizadas;
- quem poderá participar;
- se haverá cobrança;
- qual será a carga horária;
- se os participantes receberão certificado;
- quais conteúdos específicos serão abordados.
Essas informações deverão ser divulgadas pela Prefeitura quando as inscrições forem abertas.
Por que um curso sobre glúten precisa ir além das receitas?
Uma oficina sobre alimentação sem glúten pode ensinar substituições de farinha e técnicas culinárias, mas isso representa apenas uma parte do cuidado necessário.
Para atender uma pessoa com doença celíaca, também é preciso compreender como o glúten pode chegar a uma preparação que originalmente não continha trigo, cevada ou centeio.
A contaminação cruzada pode ocorrer por meio de:
| Etapa | Exemplo de risco |
| Compra | Farinhas, temperos ou grãos contaminados antes de chegar à cozinha |
| Armazenamento | Produtos sem glúten guardados junto a sacos de farinha de trigo |
| Preparo | Uso da mesma bancada, tábua, faca ou colher |
| Cocção | Fritadeira, forno, chapa ou torradeira compartilhados |
| Serviço | Pegadores trocados, migalhas em balcões e buffets |
| Higienização | Panos, esponjas ou equipamentos que mantêm resíduos |
Por isso, uma capacitação realmente útil para a comunidade celíaca precisa trabalhar não apenas receitas adaptadas, mas também boas práticas de manipulação, organização da cozinha, seleção de fornecedores e comunicação com o consumidor.
Prefeitura mantém parceria para cursos de produção sem glúten
A nova série de oficinas não é a única ação de Curitiba relacionada à doença celíaca.
Segundo a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional já mantém parceria com o Senac Paraná e a Associação dos Celíacos do Paraná, a Acelpar, para oferecer cursos voltados à produção de alimentos sem glúten.
Essas capacitações incluem orientações sobre boas práticas e prevenção da contaminação cruzada.
A existência de diferentes frentes de formação é importante porque o público envolvido também é diverso. Há famílias que precisam reorganizar a cozinha doméstica, profissionais que trabalham em restaurantes e empreendedores interessados em abrir negócios especializados.
Cada um desses grupos enfrenta riscos e responsabilidades diferentes.
Prato Seguro afirma auditar o controle da contaminação cruzada
A plataforma Prato Seguro participa da nova iniciativa e informa conectar consumidores a restaurantes e serviços de alimentação voltados a pessoas com restrições alimentares.
Segundo a nutricionista Marla Martins, a plataforma também mantém um selo técnico destinado a estabelecimentos que passam por auditorias e demonstram controle dos riscos de contaminação cruzada.
Esse ponto merece uma distinção importante.
O selo é uma iniciativa privada da plataforma. Ele não equivale a licença sanitária, fiscalização oficial ou certificação emitida pela Prefeitura, pela Vigilância Sanitária ou pela Anvisa.
A fiscalização sanitária dos estabelecimentos continua sendo atribuição dos órgãos públicos competentes. Já auditorias e selos privados adotam metodologias próprias e precisam deixar claros ao consumidor:
- quais critérios são avaliados;
- quem realiza a auditoria;
- com que frequência ela é repetida;
- quais documentos são exigidos;
- como ocorre a renovação;
- o que pode levar à suspensão do selo.
Essa transparência é necessária para que o consumidor compreenda o significado prático da classificação.
Armazéns da Família oferecem produtos para pessoas com doença celíaca
A Prefeitura também informou que os Armazéns da Família mantêm produtos específicos para pessoas com doença celíaca e outras necessidades alimentares.
A medida busca facilitar o acesso a itens adequados e reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por quem precisa seguir dieta sem glúten: o preço elevado de pães, massas, farinhas e produtos especializados.
A ampliação desse acesso já aparecia no planejamento municipal de segurança alimentar. O Segundo Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional previa aumentar a oferta regular e a variedade de produtos para dietas especiais, incluindo alimentos sem glúten, nos Armazéns da Família e em outros equipamentos públicos.
A presença desses produtos, porém, não elimina a necessidade de ler o rótulo. Pessoas com doença celíaca devem continuar verificando:
- a declaração “contém glúten” ou “não contém glúten”;
- a lista de ingredientes;
- as advertências de alergênicos;
- a integridade da embalagem;
- a validade;
- eventuais avisos de recolhimento.
A iniciativa pode ampliar a segurança nos restaurantes gluten free
Curitiba já possui um número relevante de estabelecimentos que oferecem alimentos sem glúten, incluindo cozinhas dedicadas e restaurantes convencionais com opções no cardápio.
A expansão da capacitação pode contribuir para que mais profissionais entendam a diferença entre:
- retirar o trigo da receita;
- preparar um prato sem glúten em cozinha compartilhada;
- manter uma linha separada;
- operar uma cozinha exclusivamente sem glúten;
- comunicar de forma transparente os limites de cada modelo.
Essa distinção é central para pessoas com doença celíaca.
Um estabelecimento pode oferecer uma boa opção para quem evita glúten por preferência e, ainda assim, não conseguir atender com segurança quem precisa controlar rigorosamente o contato cruzado.
Por isso, cursos públicos sobre o tema podem produzir impacto maior quando alcançam cozinheiros, nutricionistas, proprietários, atendentes, gestores de feiras e pequenos empreendedores.
Formação pode gerar renda, mas exige responsabilidade
A Prefeitura também apresenta a culinária inclusiva como oportunidade de autonomia e geração de renda.
Entre os participantes da primeira oficina estava uma permissionária de feiras municipais interessada em ampliar a oferta de produtos para pessoas com restrições e buscar a certificação da plataforma parceira.
O crescimento desse mercado representa oportunidade econômica, mas exige cuidado com a comunicação.
Expressões como “sem glúten”, “adequado para celíacos” e “livre de contaminação cruzada” não devem ser usadas apenas como estratégia comercial. Elas precisam estar sustentadas pela realidade da produção.
Antes de se apresentar como apto para pessoas com doença celíaca, um negócio precisa avaliar:
- ingredientes e fornecedores;
- local de produção;
- compartilhamento de equipamentos;
- armazenamento;
- transporte;
- higienização;
- treinamento da equipe;
- documentação dos processos;
- capacidade de responder às dúvidas do consumidor.
Onde acompanhar as inscrições para os cursos?
As datas das próximas oficinas, incluindo a edição sobre glúten, ainda não foram divulgadas. Quando houver abertura de vagas, as informações devem aparecer nos canais oficiais da Prefeitura de Curitiba, especialmente:
- Guia Curitiba, onde normalmente são publicados os cursos e os formulários de inscrição das Escolas de Gastronomia Social;
- Portal de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba, que reúne notícias e ações da secretaria;
- página de notícias da Prefeitura de Curitiba;
- canais da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional.
Nos cursos regulares das Escolas de Gastronomia Social, a Prefeitura também orienta os interessados a consultar o Guia Curitiba e disponibiliza o WhatsApp (41) 3350-3871 para informações. A inscrição só deve ser considerada aberta quando houver publicação oficial com data, local, público-alvo e formulário.
O que ainda precisa ser divulgado sobre a capacitação
O anúncio é positivo, será importante saber se a capacitação abordará:
- doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten como condições distintas;
- ingredientes naturalmente sem glúten;
- leitura de rótulos;
- riscos em farinhas, grãos, temperos e produtos industrializados;
- prevenção da contaminação cruzada;
- organização de cozinhas compartilhadas;
- limites de atendimento de cada estabelecimento;
- comunicação correta no cardápio e nas redes sociais;
- fiscalização sanitária;
- protocolos para feiras, restaurantes, padarias e delivery.
Também será relevante saber se a formação será apenas demonstrativa ou se haverá atividades práticas, avaliação dos participantes e material técnico para consulta posterior.
Atenção, celíacos
A realização de cursos e oficinas é uma medida importante, mas não transforma automaticamente todos os participantes ou estabelecimentos em opções seguras para pessoas com doença celíaca.
Capacitação, auditoria privada e fiscalização sanitária são coisas diferentes.
Antes de consumir, continue perguntando:
- a cozinha é exclusivamente sem glúten?
- há trigo, cevada ou centeio no ambiente?
- utensílios, forno, chapa e fritadeira são compartilhados?
- onde os produtos são preparados?
- o estabelecimento atende especificamente pessoas com doença celíaca?
- existe algum aviso de que não é possível descartar contaminação cruzada?
A clareza da resposta continua sendo um dos principais sinais para decidir.
Por que Curitiba se destaca nessa pauta?
Curitiba reúne diferentes iniciativas voltadas à alimentação sem glúten:
- oficinas mensais de culinária inclusiva;
- previsão de edição específica sobre glúten;
- parceria municipal com o Senac Paraná e a Acelpar;
- capacitações sobre prevenção da contaminação cruzada;
- produtos específicos nos Armazéns da Família;
- participação de plataformas que mapeiam e avaliam estabelecimentos;
- presença de empreendedores de alimentação inclusiva em feiras municipais.
Essas ações não formam, por si só, um sistema oficial de certificação de restaurantes.
Mas indicam que o município trata a alimentação especial não apenas como escolha individual, e sim como tema de segurança alimentar, capacitação profissional e inclusão social.
FAQ – Perguntas Frequentes
Curitiba já abriu inscrições para a oficina sobre glúten?
A publicação da Prefeitura informa que haverá oficinas futuras dedicadas ao glúten, mas não apresenta data, número de vagas ou link de inscrição.
Onde serão realizadas as oficinas?
A primeira edição ocorreu na Escola de Gastronomia Social do Mercado Municipal. A Prefeitura ainda não confirmou se todas as oficinas futuras serão realizadas no mesmo local.
As oficinas serão gratuitas?
A notícia oficial não informa se haverá cobrança nas próximas edições. Essa informação deverá ser confirmada quando as inscrições forem divulgadas.
Quem poderá participar da oficina de glúten?
A Prefeitura menciona pessoas com restrições alimentares, profissionais e empreendedores, mas ainda não publicou critérios específicos para a futura edição sobre glúten.
O curso vai ensinar a evitar contaminação cruzada?
A Prefeitura informa que já mantém cursos sobre produção sem glúten e prevenção da contaminação cruzada em parceria com o Senac Paraná e a Acelpar. O conteúdo detalhado da nova oficina sobre glúten ainda não foi divulgado.
O selo Prato Seguro é uma certificação da Prefeitura?
Não. Segundo a publicação, trata-se de um selo técnico desenvolvido pela plataforma Prato Seguro. A parceria com a Prefeitura envolve as capacitações, mas o selo não deve ser confundido com licença sanitária ou certificação oficial do município.
Os Armazéns da Família vendem alimentos sem glúten?
A Prefeitura informa que os Armazéns da Família oferecem produtos específicos para pessoas com doença celíaca e outras necessidades alimentares. A disponibilidade pode variar conforme unidade e estoque.
Participar de uma oficina torna um restaurante apto para celíacos?
Não. A participação demonstra interesse em capacitação, mas não comprova, sozinha, cozinha dedicada, controle contínuo do contato cruzado ou atendimento adequado a pessoas com doença celíaca.
Conclusão
A inclusão do glúten na nova série de oficinas de Curitiba é um avanço porque reconhece que alimentação segura depende de conhecimento técnico, e não apenas de boa vontade ou adaptação improvisada de receitas.
O município já mantém ações que conectam acesso a produtos, formação profissional e prevenção da contaminação cruzada. A nova parceria com a plataforma Prato Seguro pode ampliar o alcance dessas iniciativas entre consumidores e empreendedores.
O próximo passo será transformar o anúncio em uma formação com calendário, vagas, conteúdo técnico e critérios claros.
Para a comunidade celíaca, o principal resultado esperado não é apenas o surgimento de mais pratos anunciados como sem glúten. É o aumento de estabelecimentos que saibam exatamente o que conseguem oferecer, adotem práticas compatíveis com essa promessa e comuniquem seus limites com transparência.
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Referências e fontes
- Curitiba. Prefeitura Municipal. Curitiba amplia ações de culinária inclusiva para pessoas com restrições alimentares. Curitiba; 31 jul. 2026.
- Curitiba. Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional. Segundo Plano Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Curitiba. Curitiba: Prefeitura Municipal; 2020.
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